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 NOTAS HISTÓRICAS DO DESENVOLVIMENTO DOCÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL
 
luiz roberto rosa 
 
 1De Eudoxo à Dedekind“Todas as grandes tentativas tendentes a fundamentar uma teoria doconhecimento derivam da busca da certeza do saber humano. Esteúltimo interrogativo, por sua vez, procede do desejo de umconhecimento que apresente foros de certeza absoluta.” [Schlick(1988), p.65]
Por onde se vai
Aqui traçarei alguns pontos históricos da construção do pensamento matemáticorelacionados com o desenvolvimento de conceitos próprios do cálculo diferencial eintegral, do cálculo infinitesimal e da análise matemática. O intuito desta exposição élevantar idéias e formas de pensamentos registradas por algumas leituras de fonteshistóricas sobre a construção do saber matemático.
Em rápidas linhas
 O plano: Iniciar pela matemática grega, ao redor de 300a.C., tendo comoreferencial os
Elementos
de Euclides, entre Zenon de Eléia e Arquimedes. Apesar de seresta a ordem histórica, aqui será invertida a ordem de exposição. Inicio com uma passagemdos
Elementos
, em seguida os Paradoxos de Zenon e arremato com a quadratura do círculopor Arquimedes. Então, rumarei para os séculos XVI, XVII e XVIII do continente europeutendo como referenciais os trabalhos e as idéias de: Viète, Fermat, Barrow, Descartes,Cavalieri, Newton, Leibniz, entre outros, passando antes por Thomas Bradwardine eNicole de Oresme (séculos XIII e XIV), para aportar no século XIX com Bolzano, Cauchy,Weierstrass, Heine e Dedekind e alguns outros.Estas passagens históricas vão mostrar um panorama de como a comunidadematemática focava os pontos relevantes na construção das ferramentas da
rainha dasciências
, fundando-os num corpo que se ambicionava único, sem ambigüidades, sem falsossilogismos. Um monólito do pensamento humano. A grande obra. O mesmo ideal queaguçou a Paul Erdös a idealizar
O Livro
, que acabou sendo escrito por Martins Aigner e
 
 2Günter M. Ziegler com o título:
Proofs from the Book 
(que no Brasil foi editado com otítulo:
 As provas estão n’O LIVRO
).
Elementos de Euclides
Desta obra será realçado alguns pontos, que dizem diretamente respeito, aodesenvolvimento do Cálculo para se traçar um vínculo estreito entre os conceitos destecom a tradição geométrica da Grécia antiga.Cabe ressaltar uma célebre frase atribuída à escola pitagórica: “Tudo é número”.Neste tocante os gregos antigos classificavam seus estudos e trabalhos com números emdois grupos: um, a
logística
, esta dizia respeito a tarefa computacional envolvendonúmeros, mais voltada à aplicação cotidiana dos números; outro, a
aritmética
, esta sededicava as relações abstratas envolvendo números, o que poderíamos dizer ser esta aquelaque dava um tratamento teórico àquilo que se pode denominar
número
.De início depara-se com uma situação que se tornaria, por longo tempo, o que sepoderia chamar de
calcanhar de Aquiles
, no tocante a teoria dos números, os ditos – hoje –números irracionais.Um dos ícones da matemática é o chamado teorema de Pitágoras – ao que parece jáera de conhecimento dos babilônios [Boyer (1987)] que por sua vez possuíam métodosalgorítmicos para resolver (o que para nós se denominaria) equações. Outro símbolomatemático instigante é a secção áurea. Estes dois emblemas matemáticos levaram Keplera fazer a seguinte afirmação:“A geometria tem dois grandes tesouros: um é o teorema de Pitágoras;o outro, a divisão de um segmento em média e extrema razão. Oprimeiro pode ser comparado a uma medida de ouro; o segundopodemos chamar de jóia preciosa” [Boyer (1987), p.37]Mas é justamente na secção áurea que a matemática grega antiga vai se deparar como então inefável para o seu paradigma numérico: aquele que originou o termoincomensurável.
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