CAPÍTULO I
Como me puseram em mãos estes papéis para que os publicasse,começarei relembrando ao público o lamentável desaparecimento do vapor "Stratford", que há um ano levantara ferros para uma viagem destinada aestudos oceanográficos e dos seres vivos das grandes profundidadesmarinhas. A expedição fora organizada pelo Dr. Maracot, o famoso autor dasobras "Formações Pseudocoralíneas" e "Morfologia dos Lamelibrânquios".O Dr. Maracot levava consigo o sr. Cirus Headlei, ex-assistente do InstitutoZoológico de Cambridge, em Massachussetts, e aluno, na ocasião da viagem,da Escola Rhodia de Oxford. O Capitão Howie, experiente lobo-do-mar, erao encarregado da direção do navio e tinha às suas ordens uma tripulação devinte e três homens, entre os quais se contava um mecânico americano, daCompanhia Merribank, de Filadélfia.Todas estas pessoas desapareceram e a única notícia que depois tivemosdo malfadado vapor veio-nos de um veleiro norueguês que havia visto ir a pique um navio, cuja descrição correspondia exatamente aos característicosdo navio em questão, durante a grande tempestade do outono de 1926. Umescaler, com o nome do "Stratford", foi encontrado posteriormente nasvizinhanças do local da tragédia, assim como fragmentos de tombadilho, umsalva-vidas e um mastaréu. Tudo isto, aliado a um longo silêncio, nos faziacrer que nunca mais teríamos notícias do navio nem de sua equipagem. Suatriste sorte é tornada ainda mais patente pelo estranho radiograma captadonaquela ocasião e que, embora incompreensível em alguns de seus detalhes,deixava poucas dúvidas quanto ao seu lamentável fim. Mais adiante voltareia este ponto.Havia algumas circunstâncias a respeito da viagem do "Stratford", quedespertaram comentários naquela época. Uma delas era a singular reservaobservada pelo Dr. Maracot. A aversão e desconfiança que sempredemonstrara para com a imprensa eram já bem notórias, mas nesta ocasiãohavia-se levado ao extremo de se recusar a dar qualquer informação aosrepórteres e mesmo proibir que todo e qualquer representante de jornal pusesse pé no seu navio durante as semanas que este permaneceu nas DocasAlberto. Falava-se da existência no mesmo de algumas curiosas particularidades de construção que o tornavam próprio para os trabalhos emgrandes profundidades a que era destinado, e estes boatos foram confirmados
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