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Arthur Conan Doyle
A Escola do Priorado
Título original: The Priory SchoolPublicado em The Strand Magazine, Londres, 1904 Sobre o texto em portuguêsEste texto digital reproduz a tradução de The Priory School publicado emAs Aventuras de Sherlock Holmes, Volume IV, editado pelo Círculo doLivro e com tradução de Lígia Junqueiro. Em nosso pequeno palco, na Baker Street, temos tido dramáticas entradase saídas, mas não posso me lembrar de nada mais súbito e surpreendentedo que a primeira aparição do dr. Thorneycroft Huxtable, M. A., Ph. D.,etc. O cartão, que parecia pequeno demais para conter a lista de seusdiplomas, precedeu-o de alguns segundos. Depois, entrou o homem: tãogrande, tão pomposo, tão digno, que era a personificação da solidez.
 
Apesar disso, seu primeiro gesto, depois de fechar a porta, foi apoiar-se àmesa, cambaleante. No minuto seguinte, escorregou para o chão, e lá ficoua majestosa figura, estendida, inconsciente, no nosso tapete de pele deurso.Tínhamo-nos levantado de um salto e, por segundos, ficamos olhando, emsilencioso espanto, para aquele ufrago, que nos falava de algumatempestade fatal no mar da vida. Depois, Holmes correu com umaalmofada, que colocou sob a cabeça do homem, e eu com um cálice deconhaque, para reanimá-lo. O rosto pálido tinha rugas causadas pela preocupão, sob os olhos havia círculos escuros, a boca descadolorosamente nos cantos, o rosto estava de barba por fazer. A camisa e ocolarinho apresentavam vestígios de uma longa viagem, e os cabelosestavam em desalinho, na cabeça bem-feita. O homem a nossos pés erauma criatura ferida pelo destino. — Que me diz, Watson? — perguntou-me Holmes. — Completa exaustão... talvez apenas fome e canso respondi,segurando o pulso, onde a vida se fazia sentir debilmente. — Passagem de regresso para Mackleton, no norte da Inglaterra — disseHolmes, tirando-lhe o bilhete do bolso do colete. — Ainda não é meio-dia. Não há dúvida de que partiu cedo.
 
As pálpebras inchadas tinham começado a estremecer, e agora uns olhoscinzentos, de expressão vazia, fitavam-nos. No momento seguinte, ohomem pôs-se de pé, rubro de vergonha. — Perdoe-me a fraqueza, sr. Holmes; ando esgotado. Muito obrigado. Seme derem um copo de leite e um biscoito, creio que me sentirei melhor.Vim pessoalmente, sr. Holmes, para lhe pedir que volte comigo. Receeique um telegrama, por mais insistente que fosse, não o convencesse daurgência do caso. — Depois que estiver melhor. — Estou bem. Não sei como pude sentir tal fraqueza. Desejo que meacompanhe a Mackleton no próximo trem, sr. Holmes.Meu amigo sacudiu a cabeça. — Meu colega, o dr. Watson, podedizer-lhe que estamos muitoocupados presentemente. Estou trabalhando no caso dos DocumentosFerrers e no assassinato de Abergavenny, que em breve irá a julgamento.Somente um assunto muito grave me afastaria de Londres nesta altura. — Grave! — exclamou nosso visitante, atirando as mãos para o ar. — Nãoouviu falar do rapto do único filho do duque de Holdernesse? — O quê? O ministro? — Exatamente. Procuramos manter o fato fora dos jornais, mas houveuma alusão no Globe, ontem à noite. Pensei que talvez tivesse chegado aosseus ouvidos.Holmes estendeu o braço longo e magro e apanhou o volume "H" de suaenciclopédia particular. — "Holdernesse, sexto duque, K. G., P. C." Quase metade do alfabeto...!“Barão Beverley, conde de Garston”... Deus do céu, que lista! "Lorde-tenente de Hallamshire desde 1900. Casou-se com Edith, filha de Sir Charles Appiedore, em 1888. Tem um único filho e herdeiro, LordeSaltire. Dono de duzentos e cinqüenta acres. Minas em Lancashire eGales. Endereço: Carlton Terrace; Holdernesse Hall, em Hallamshire;Castelo Carston, em Bangor, Gales. Lorde do Almirantado, 1872;secretário-chefe de...” Bom, bom, não há dúvida de que este homem é umdos maiores súditos da coroa! — O maior e talvez o mais rico. Sei, sr. Holmes, que o senhor é muitodigno, quando se trata da profissão, e que está sempre pronto a trabalhar  por amor ao trabalho. Mas quero dizer-lhe que Sua Graça já declarou que
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