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FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET
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escrivinhação n.º 743
 NOTAS ESPARSAS SOBRE O RECOLHIMENTO INTERIOR – parte III
Redigido em 01 de fevereiro de 2009, dia de SantaVeridiana, quarta semana do Tempo Comum.Por Dartagnan da Silva Zanela
“A manifestação exterior é umaresposta à qualidade de nosso mundointerior”.
(Bokar Rinpoche)
- - - - - + - - - - -Diz-nos São Paulo (2 Cor VII; 4):
“Estou cheiode consolação, transbordo de alegria em todas as nossastribulações”.
Como isso é possível? De que modo pode-sesuportar todos os tormentos da vida moderna, do stress dolabor esvaziado de sentido humano que faz de s relesorganelas de uma sociedade materialista em sua concepção eem suas pseudo-propostas de “libertação”? Como?A resposta para esta indagação é conhecida amuitíssimos séculos. Não é novidade e não será encontradana estante dos últimos lançamentos editoriais e muito menosnestas palestras chinfrim de motivação, de sociologia efilosofia de botequim e blábláblá. Aliás, estas obras debela capa e estas palestras cheias daquele falariopomposo, entupetado de loquacidade sem sentido, ajudamapenas a nos afundar mais ainda no lamaçal em que nosencontramos atolados feito suínos despreocupados com seudestino.
 
FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -Após a leitura de um livro deste naipe nossentimos super-potentes, apesar de continuarmosexistencialmente imersos em nossa absoluta impotência. Piorainda é quando saímos destas palestras que nos vendemaquela imagem/sensação de que iremos sair mais confiantesem nós mesmos. É, saímos empolgamos num primeiro momento,enfeitiçados pelas palavras, todavia, continuamos um grandedesconhecido de nós mesmos motivados para alguma coisa que,por sua deixa, não sabemos ao certo o que é.Nos olhamos para o espelho e ainda nos(des)encontramos perdidos dentro das nossas próprias calçase em nossas supostas causas porque continuamos crendo que omundo deve girar em torno de nossa vontade, de nossosparvos sofrimentos, que tudo que desejamos é justo e deveser realizado, enfim, continuamos imaginando que jáconhecemos o centro do universo e, obviamente, queimaginamos que ele está localizado em nossos umbigos.
Santo Agostinho
 
FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -Assim não dá meu amigo, não é mesmo? Olha, nãoexiste autoconhecimento sem que nos defrontemos com asnossas mirias, com a nossa real condão. Sobre esteponto, Santo Agostinho nos ensina que este autoconhecimentonão se resume em um reles dizer quem você é, pois, quemsomos, responde-se normalmente mediante o apontamento dasrelações que mantemos com outras pessoas e com os objetosdo mundo com os quais nos relacionamos. Para realmente nosconhecer em nossa inteireza é fundamental que confessemosnossas desventuras e nos indaguemos sobre o que nós somos,não apenas quem somos.Este “quem somos” é meramente determinadoapenas pelas relações externas que determinam os papeissociais que desempenhamos, pom, de modo algum, essasrelações devem determinar “o que somos”. Por isso SriRamana Maharshi nos ensina que se deve sempre neste gênerode indagações centrar-se na diferenciação do que émeramente contingente, transitório, daquilo que é perene,daquilo que é eterno. Als, o que em s é meramentecontingente e o que é realmente eterno em nossa pessoa? Emnossas escolhas, optamos, na maioria das vezes, por bensperenes ou por aquisições contingentes.
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