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 Poesia de Saturnino Britodo Nascimento
Este pequeno relatode uma grande históriade uma bonita vivênciade uma firme trajetóriaé um sublime apanhadodo que temos na memóriaDa verdade que ele tratanos vem a inspiração para fazer com humildadeesta simples narraçãome utilizando das rimas para chamar sua atençãoNarrar o que é verdadeeste é o desejo meudo pouquinho que sabemosde como se sucedeua grande passagem terrenado célebre Mestre IrineuCada um tem seu destinotodos sem exclusãoconforme o desígnio de Deus pela determinaçãoMestre Irineu veio ao mundocumprir a sua missão1890  foi o ano em que nasceuno dia 15 de dezembrosua mãe o concebeuSão Vicente de Férrer - MaranhãoO nascimento aconteceuFilho de Sancho Martinho de Matose de Joana Assunção Serra foi ele batizadonos confins daquela terrae chamado pelo nomeRaimundo Irineu SerraCrescia aquele meninoalegre, robusto e saudávelele muito amadocertamente muito amável girava naquela famíliaum sentimento afável Aos seis anos de idadenele já despontavaos primeiros indíciosda missão que o aguardavaera quando em sonho uma senhoraa ele disciplinavaÉ que mesmo ele sendo criançanão podia se exceder nas peraltices que faziacoisas que não podia fazer como arengar com os coleguinhase com má criação responder E quando isso acontecianão tinha apelaçãoem sonho uma senhoralhe pegava pela mãoe para não fazer aquilorecebia uma liçãoEm cima de arroz com cascaou então de areia quenteela fazia ele rolar o castigo era ardentee depois ela ralhavacom ele fervorosamenteIsto é para você Raimundoestas coisas não praticar mesmo sendo você pequeninomais eu vou te alertar se repetires novamentevoltarei a te castigar Quando ele se acordavase apalpando percebiao seu corpo doloridoe no transcorrer do dialembrava sempre do sonhoque teve enquanto dormiaO tempo passa vem o moçode estatura elevadarobusto, belo, formosoe junto da rapaziadasua pele enegrecidanão lhe diminuía em nadaTudo isto reunidoem um jovem bem dotado fez que logo entre as moçaso jovem fosse notadoe dentro da correspondência por uma foi cortejado
 
Naqueles tempos antigosa coisa era diferentequem namorava uma moça já tinha que ter em menteassumir responsabilidadecasando naturalmenteFoi ele com Pauloseu tio e bom conselheiro- Olha tio eu quero casar e deixar de estar solteiromas a sua opiniãoeu quero escutar primeiro-Olhe bem aqui sobrinhoe preste bem atençãoa coisa é muito sérianão é brincadeira não para casar és muito moçoesta é minha opinião- Vai até São Luíse procure se alistar no grupo que vai para a Amazôniana seringueira trabalhar quando voltar desta viajemestará pronto para trabalhar -Assim ganhe algum dinheiro para depois não estar aflitocortando a tal da seringueira pois o que o povo tem ditoque lá se ganha tanto dinheiroque se puxa de cambitoHavia dois alistamentosteve ele que optar ir para a guerra ou Amazôniana seringueria trabalhar se for para a guerra vou perder a vida que Deus me dáSe despediu da famíliae do povo hospitaleirolevando na sua bagagemo espírito aventureiromunido de muita corageme desprovido de dinheiroPelo mar, depois por rioscortando florestas e cidades foram meses de viajemvencendo dificuldadeslembrando sempre da famíliade mamãe muitas saudadesVencido os obstáculosele chegou até aqui passando por rio Brancoseguiu por Xapuricontemplando as barrancasdas aldeias do AquiriEm Xapuri apresentou-seao seu primeiro patrãoeste dele afeiçoou-secom grande admiração principalmente da estaturaque tinha aquele rapagão- Puxa, que homem fortedisse o homem alegrementeme dizes de onde tu vens pois receio certamenteque além de muito fortedeves ser inteligente- Eu venho do Maranhão pois foi lá onde nasci.retrucando o patrãodisse - eu logo vicom os maranhenses que trateiburro nenhum conheci- E agora para confirmar o que estou a te dizer  pois tenho quase certezamas você é quem vai responder me diga aí seu moçosabe ler e escrever? Coitado do Irineu ficou todo embaraçadosequer em banco de escolao mesmo havia sentadoe agora o quê responder mediante o apanhado? Falando consigo próprio foi logo pensando ligeiroE se o homem não conhecedo meu Maranhão brasileiro gente que seja burronão é justo eu ser o primeiro Aí nesse embaraçadodentro deste pensamentodisse: - eu sei ler sim senhor com grande constrangimento pois não era o que ele faziae ali havia mentido (mentir e ter fingimento)
 
Disse o homem: - siga em pazagora vou te encaminhar  para dentro da colocaçãoonde você vai ficar adonde estão as estradasde seringa para cortar Logo que pegou o caminhoRumo à colocação foi se batendo consigo mesmo fazendo a reflexãoa respeito da mentiraque dissera ao patrãoE agora se o homemme chamar para escrever  para ele algumas linhase o que é que eu vou fazer? de repente veio o toquenão sei, mas vou aprender Seringueiro trabalha seringaseringalista é o patrãoa sede do seringalera chamada barracãoe o seringal divididocolocação em colocaçãoTambém tinha o noteiroque trabalhava para o patrãono prazo de alguns diasia a cada colocaçãovendo o que tinha e o que faltavae anotando a produçãoLogo na primeira visitao noteiro foi chegando foi logo dando bom diaalegre se apresentandona colocação de Irineue o principal foi anotando Antes deste despedir-seIrineu pôs-se a falar vê se o sr. encontraeu quero encomendar uma carta de abc para quando o sr. Voltar Eu sei aonde encontrar disse o homem com firmezavocê pode ficar tranquiloque te farei a finezae quando eu retornar eu te trago com certezaCom o papel de embrulho na mãoIrineu pediu ao noteiroantes do senhor sair me escreve aqui primeirobem em cima deste papelo meu nome completo e inteiroRaimundo Irineu Serrasem nenhuma letra faltar quando o homem saiu já se pôs a rabiscar o seu nome ali escrito procurando imitar  A primeira tentativa ficou meio lá e meio cámas com a continuaçãocomeçou a melhorar e toda folha de papellutou até completar  Assim ficou esperandoaté que o noteiro voltouquando o homem foi chegandoIrineu logo perguntoue a carta de ABCme diga se encontrou- Eu encontrei sim senhor está aqui na sua mão- Muito obrigado senhor sou grato de coraçãoagora peço ao senhor que me dê uma liçãoE foi somente uma liçãodada pelo noteirodepois foi ele sozinhose dedicando inteiroestudando e labutandono trabalho seringueiroE não é que aprendeue um dia o patrãoaquele mesmo que exaltarao povo do Maranhãolhe chamou e lhe pediu- me faz uma anotaçãoComo ele aprenderase sentiu bem à vontadeassim mantendo o padrãoda sua integridadeaté mesmo da mentirateve que fazer verdade
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