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F
ACULDADE
C
ÁSPER
L
ÍBERO
 
 DOGMA
 
 95
Q
UÃO UTÓPICO E QUÃO REVOLUCIONÁRIO
 
POR
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AFAEL
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OTENZA
 
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ATÉRIA
 
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IREÇÃO DE FOTOGRAFIA
 
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OCENTE
 
K
ÁTIA
C
OELHO
 27
DE MARÇO DE
2007
 
2
 D
OGMA
 95
Q
UÃO UTÓPICO E QUÃO REVOLUCIONÁRIO
 
Hoje, existem inúmeros modos de narrar. Acontece de novo umarevolução, mas não tenho certeza se o resultado dela ainda poderá serconsiderado cinema, ainda que grandes filmes de Hollywood, europeus,asiáticos ou sul-americanos estejam sendo exibidos em iPods. Não sei se umfilme foi feito para ser visto naquele tamanho de tela. Ela é tão pequena que aobra vira outra coisa. O que estamos vendo é algo que está sendo reinventadoagora. (LEITE, Sávio. Pág. 10 – citando SCORSESE, 2006)
Com seu documento oficial — o
Manifesto
1
datado de 13 de março de 1995, omovimento
 Dogma 95
foi apresentado pelo diretor Lars von Trier ao grande público em umsimpósio internacional sobre cinema organizado pelo Ministério da Cultura da França em20 de março de 1995. Um curto período de tempo — apenas 7 dias — separa o ato decolocar no papel idéias, do ato de divulgá-las como revolução.Assinado por Lars von Trier e Thomas Vinterberg, o
 Manifesto
é constituído de umconturbado texto que mais se assemelha a um desabafo. Um desabafo contra a“cosmetização
2
” dos filmes e sua conseqüente capacidade de iludir quem assiste; umrepudio ao cinema como obra de arte, retirando do diretor qualquer poder como autor; alémde invocar uma disciplina a democratização alcançada graças a avanços tecnológicos, comoo cinema digital. O
manifesto
apresenta o intitulado
Voto de Castidade
que prega 10 regrasque devem ser seguidas para se adequar ao cinema proposto pelo
 Dogma 95
.
1. As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usadosacessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-seescolher um ambiente externo onde ele se encontre).2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá, portanto, ser utilizada, a menos que não ressoeno local onde se filma a cena).
1
Ver anexo
 Anexo I – Manifesto.
 
2
Termo usado no texto do
 Manifesto
, derivado da palavra cosmético.
 
3
3. A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos -ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve serfeito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).4. O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Sehá luz demais, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma únicalâmpada sobre a câmera).5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.6. O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Em nenhum casohomicídios, uso de armas ou outros).7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (Isto significa queo filme se desenvolve em tempo real).8. São inaceitáveis os filmes de gênero.9. O filme deve ser em 35 mm, standard.10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.Devemos avaliar cada uma das três reivindicações separadamente para entender a queveio e o que apresenta como solução o
Dogma 95 
.
1.
Contra a “cosmetização” dos filmes
Por “cosmetização” dos filmes, o
 Dogma 95
entende qualquer filme que utilizeelementos a parte da realidade para explorar a cena, como trilha sonora que induzadeterminado clima, locução de narrador, efeitos especiais, cenografia e truques defotografia, além de técnicas que escondam a verdade da representação, como maquiagem,composição de cenário e marcações de movimentação dos atores. As regras do
Voto deCastidade
que mais dizem respeito a esta reivindicação vão da primeira até oitava regra.
Como deixa claro,
Dogma 95 
execra a banalização da Sétima Arte e oque se convencionou chamar de “cinema de entretenimento” desvitaliza o queo cinema em sua procedência tem de mais original: a transgressão, a buscapela verdade. Banalizar os filmes, repetir fórmulas à exaustão, criar clichêsfáceis seriam para os fundadores do
Dogma 95 
a excrescência de um veículotrabalhado por muitos anos com o status da arte, expressão da subjetividadehumana. (LEITE, Sávio. Pág 20)
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