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D
OGMA
95
Q
UÃO UTÓPICO E QUÃO REVOLUCIONÁRIO
Hoje, existem inúmeros modos de narrar. Acontece de novo umarevolução, mas não tenho certeza se o resultado dela ainda poderá serconsiderado cinema, ainda que grandes filmes de Hollywood, europeus,asiáticos ou sul-americanos estejam sendo exibidos em iPods. Não sei se umfilme foi feito para ser visto naquele tamanho de tela. Ela é tão pequena que aobra vira outra coisa. O que estamos vendo é algo que está sendo reinventadoagora. (LEITE, Sávio. Pág. 10 – citando SCORSESE, 2006)
Com seu documento oficial — o
Manifesto
1
—
datado de 13 de março de 1995, omovimento
Dogma 95
foi apresentado pelo diretor Lars von Trier ao grande público em umsimpósio internacional sobre cinema organizado pelo Ministério da Cultura da França em20 de março de 1995. Um curto período de tempo — apenas 7 dias — separa o ato decolocar no papel idéias, do ato de divulgá-las como revolução.Assinado por Lars von Trier e Thomas Vinterberg, o
Manifesto
é constituído de umconturbado texto que mais se assemelha a um desabafo. Um desabafo contra a“cosmetização
2
” dos filmes e sua conseqüente capacidade de iludir quem assiste; umrepudio ao cinema como obra de arte, retirando do diretor qualquer poder como autor; alémde invocar uma disciplina a democratização alcançada graças a avanços tecnológicos, comoo cinema digital. O
manifesto
apresenta o intitulado
Voto de Castidade
que prega 10 regrasque devem ser seguidas para se adequar ao cinema proposto pelo
Dogma 95
.
1. As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usadosacessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-seescolher um ambiente externo onde ele se encontre).2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá, portanto, ser utilizada, a menos que não ressoeno local onde se filma a cena).
1
Ver anexo
Anexo I – Manifesto.
2
Termo usado no texto do
Manifesto
, derivado da palavra cosmético.
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