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Medeiros 2007. Integração Sul Americana_revisado_final-1

Medeiros 2007. Integração Sul Americana_revisado_final-1

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05/10/2014

 
1
Os Dilemas da Integração Sul Americana
Carlos Aguiar de Medeiros
©
 
(Versão Preliminar)
Introdução
Com a entrada do novo milênio multiplicaram-se na América do Sul diversas iniciativas visandoà constituição de uma área econômica integrada. A incorporação da Venezuela no MERCOSUL,a proposta de uma Comunidade Sul Americana das Nações (CSAN), a proposta de uma AliançaBolivariana das Nações (ALBA) são algumas iniciativas de um processo iniciado nos anos oitentaque vem adquirindo crescente importância econômica e política.As iniciativas de integração regional que o Brasil assumiu papel protagonista vêm se dando numcontexto de afirmação de um projeto político e econômico alternativo ao que os EUAimplementaram na América do Norte (NAFTA), na América Central (CAFTA) e propuserampara o conjunto da região - a ALCA- ou aos acordos bilaterais de livre comércio (FTA) queisoladamente este país assinou com o Chile, com a Colômbia, países do Caribe e o proposto parao Peru. Tal projeto de afirmação de um bloco integrado permitiria aos países da região obtermaior poder de barganha, maior coesão econômica e social e influencia política nos fóruns eorganismos multilaterais.Entretanto, a despeito das proposições e iniciativas favorecedoras de uma maior integração dospaíses da América do Sul, a definição dos objetivos econômicos e sociais principais, as estruturaseconômicas e de poder nacionais, as estratégias formais de integração e os regimes de políticaeconômica tais como os que se desenvolveram nos últimos anos na América do Sul sãocontraditórios com esta intenção geopolítica. Particularmente, pretende-se argumentar que aênfase posta no livre comércio, o descompasso entre o predomínio das iniciativas brasileiras e oseu crescente saldo comercial intra-regional, as assimetrias entre os países e a debilidade dasiniciativas em direção a uma carta socialinibem a construção de uma área econômica integradaalternativa, de fato, à proposta pelos Estados Unidos.Para aprofundar e delimitar esta proposição, pretende-se dividir este texto em três seções.Na primeira seção será apresentada uma discussão sobre o regionalismo salientando suasdimensões comerciais, macroeconômicas e políticas. Na segunda seção, serão consideradosalguns traços de diversas experiências históricas de regionalização, na terceira seção, aexperiência recente da regionalização sul americana será considerada.
Globalização, Polarização e Regionalização
a) Livre Comércio versus Comércio Estratégico
Do ponto de vista econômico, há diversos sentidos atribuídos ao processo deregionalização segundo a percepção sobre os ganhos de comércio e sobre as tendências da
©
Professor Associado do IE/UFRJ. Agradeço a mestranda Cristina Fróes de Borja Reis o apoio depesquisa.
 
2
economia globalizada. Em influente ensaio Jacob Viner (1950) considerava a partir da teoriaconvencional do comércio exterior que a união aduaneira (livre comércio entre os países daregião e uma tarefa externa comum) representa um desvio de comércio e uma redução do bem-estar. Seguindo esta tradição, os anos recentes testemunharam a profusão de uma abundanteliteratura crítica aos arranjos comerciais regionais e a favor do livre comércio multilateral comogerador de maior eficiência alocativa dos recursos e ganhos de bem-estar. A proliferação dearranjos comerciais é percebida como um desvio de comércio e uma prática geradora deatividades de “
rent-seeking
”. O “nivelamento do campo do jogo” é considerado a melhor políticaindependente do grau de desenvolvimento dos países.
1
 Neste sentido, apenas quando os acordos de livre comércio e arranjos preferenciais criemcomércio e reproduzam as condições de livre comércio poderão afirmar-se como uma “
second best 
” estratégia e contribuir efetivamente para o desenvolvimento econômico. Assim, é possívelconsiderar uma “regionalização voltada ao livre comércio” em que o agente principal é a empresamultinacional (EMN) e onde os ganhos de eficiência seriam assegurados pela redução de custosobtida pela especialização segundo as vantagens comparativas reveladas pelos distintos paísesparticipantes do livre comércio e especialmente exploradas no comércio intra-firma. Estaregionalização liderada pelo mercado e operada essencialmente pelas empresas demanda umambiente institucional que garanta os contratos e estabeleça regras de comércio e ambientemacroeconômico favorecedor da integração. Trata-se assim de uma regionalização que não sónão contraria, mas se afirma como um bloco construtor do livre comércio.Esta é essencialmente a argumentação subjacente ao acordo de livre comércio daAmérica do Norte (NAFTA) criado em 1994 e liderado pelos EUA e para a profusão de acordosde livre comércio (FTA). Com efeito, os últimos dez anos têm sido marcados por uma intensapressão dos EUA para uma “liberalização competitiva” através de acordos bilaterais de livrecomércio entre países e regiões independentemente de sua proximidade geográfica (UNCTAD,2007). Este movimento decorreu também da dissolução do antigo bloco dos países do lesteeuropeu (COMECON) e pela expansão do acesso destes países à União Européia. O quedistingue estes acordos é a inclusão de itens como política de investimento, propriedadeintelectual, compras governamentais, ou seja, itens de difícil tramitação nos fóruns multilateraisglobais, em troca de um maior acesso do país em desenvolvimento ao amplo mercado americanoou da União Européia.
2
A despeito da visão crítica da OMC – Organização Mundial do Comércio- sobre a progressiva diluição da cláusula da nação mais favorecida (MFN) que decorre destaproliferação dos FTA, o sentido principal destes acordos é exatamente aquele que este organismodefende ao nível global.
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Como observa o relatório da UNCTAD, a base dos acordos é a cláusulada reciprocidade, “nivelando o campo do jogo” com conseqüências assimétricas sobre parceiroscom desiguais graus de desenvolvimento.
4
Com o fracasso dos acordos de Doha e o “
backlash
1
Para uma resenha recente ver UNCTAD, 2007.
2
“The trend towards this “new regionalism”, as distinct from multilateralism, has grown out of a sense of frustration of some governments at the slow progress in multilateral trade negotiations, and their perceptionthat FTAs can serve as a vehicle for advancing a far-reaching agenda of economic liberalization andharmonization across a broad range of policies, laws and institutions aimed at promoting theinternationalization of investment”. (UNCTAD, 2007, p. 54)
 
3
“In a way, this “new regionalism” bypasses multilateral institutions and arrangements as governmentspursue economic objectives and use instruments for which no agreement could be found at the multilaterallevel. At the same time, it reflects the tendency to perceive globalization as a process whereby access tomarkets of the North and attracting FDI from developed-country investors is key to successful integrationof developing countries into the world economy”. (op. cit p. 58). A partir de uma perspective ortodoxa,Krueger (1995) defende as vantagens da união aduaneira sobre os acordos de livre comércio.
 
4
“In order to comply with the principle of reciprocity, developing countries are forced to cut tariffs from asignificantly higher level, especially on industrial products. This makes it difficult for local firms andfarmers to compete with imported products, especially when some of these imports remain heavily
 
3
do ultra liberalismo dos noventa, as iniciativas do livre comércio se exercem sobretudo atravésdos FTA. O Quadro 1 apresenta a importância relativa do comercio intra-regional no comérciomundial.
Quadro 1: Comercio Intra-regional no Total do Comércio por Blocos Regionais, 2000-2006. (Milhõesde dólares e percentuais, médias anuais)Países superávitários Países deficitários
Valor dabalançacomercial($ milhões) Balançacomercial(porcentagemdo PIB)Valor dabalançacomercial($ milhões) Balançacomercial(porcentagemdo PIB)
UEMOA - União Econômica e Monetária Oeste-Africana
 
Costa do Marfim 619 4.4 Mali -372 -8.9Senegal 171 2.6 Burkina Faso -246 -6.1Togo 60 3.4 Nigéria -82 -3.3Outros -117 -3.1
SADC – Comunidade de Desenvolvimento do Sul da África
África do Sul 3022 1.7 Zâmbia -557 -10.1Moçambique -533 -10.3Zimbábue -474 -11.2Outros -1600 -3.3
COMESA - Mercado Comum da África Oriental e Austral 
Quênia 708 4.4 Uganda -346 -4.8Zimbábue 57 1.3 Sudão -146 -0.8Ilhas Maurício 52 1.0 Rep. Dem. Congo -146 -2.3Egito 34 0.0 Outros -365 -0.8
CACM – Mercado Comum da América Central 
Costa Rica 432 2.4 Honduras -408 -5.6Guatemala 355 1.4 Nicarágua -264 -6.0El Salvador -102 -0.7
 MERCOSUL – Mercado Comum do Cone Sul 
Brasil 1308 0.2 Paraguai -643 -9.4Uruguai -597 -3.8Argentina -225 -0.1
 ANCOM - Comunidade Andina de Nações
Colômbia 1237 1.3 Peru -806 -1.2Bolívia 174 2.0 Equador -728 -2.6Venezuela -331 -0.3
SAARC – Associação para a cooperação Regional do Sul da Ásia
Índia 2845 0.4 Bangladesh -1518 -2.7Sri Lanka -933 -4.7Outros -401 -0.4
CIS – Comunidade dos Estados Independentes
Federação Russa 7213 1.4 Ucrânia -5857 -10.0Turcomenistão 1131 21.8 Belarius -3139 -15.2Uzbequistão 38 0.3 Cazaquistão -2300 -5.9Outros -2133 -9.1Fonte: UNCTAD, 2007.subsidized by their country of origin, as in the case of agricultural products exported from the EU and theUnited States. Most importantly, insistence on reciprocity formally contradicts the non-reciprocity principlein Part IV of GATT (Trade and Development) and Article XIX of GATS”. (0p. cit pg 58)
 

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