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Como parte de um esforço comparativo e conscientes dos problemas metodológicosinerentes a ele, traduzimos e adaptamos um questionário estruturado (
survey
) que foi apli-cado a uma amostra de 47 (quarenta e sete) analistas de informações e gestores que trabal-ham na sede central da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), em Brasília-DF. Dadaa peculiaridade do objeto — atividades de inteligência protegidas legalmente pelosegredo governamental — aceitamos certos limites ao estudo. O desenho geral desta pes-quisa de opinião e alguns de seus resultados preliminares serão discutidos na última partedesse trabalho.Desde já, porém, os autores gostariam de agradecer aos professores Swenson e Lem-ozy a inestimável ajuda na superação dos problemas mais graves relativos à equivalênciasemântica, conceitual e normativa de um questionário traduzido e adaptado do Espanhol edo Inglês para o Português.
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Também é preciso destacar a boa vontade e a colaboração dos dirigentes e funcionáriosda Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) durante a realização de entrevistas, visitastécnicas e aplicação do questionário auto-aplicado. Num contexto como o da AméricaLatina, onde em muitos lugares os regimes de segredo governamental tendem a perderfuncionalidade sem perder poder, gostaríamos de agradecer a abertura e a franqueza dosfuncionários da agência, representados pela professora Marisa Del’Isola e Diniz, diretorageral da ABIN. Um agradecimento especial aos funcionários da agência que ajudaram aviabilizar essa primeira tentativa de pesquisa sobre os valores e atitudes dos profissionaisde inteligência no Brasil.
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Definições e Critérios para se discutir inteligência como profissão
Será inevitável começar com alguns esclarecimentos sobre o uso restrito que se devefazer do termo inteligência, entendida aqui enquanto um tipo de conflito informacional.Queremos dizer basicamente que, para nós, inteligência não é apenas segurança nemmeramente informação, mas sim a busca e análise de informações necessárias para vencerum conflito entre vontades antagônicas.Este uso restrito do termo inteligência é necessário por duas razões. Em primeiro lugar,porque a relevância dos fluxos informacionais gerados na e pela atividade de inteligênciavaria na proporção inversa da quantidade de áreas que se pretende abarcar com recursosescassos. Em segundo lugar, porque os riscos para a democracia — gerados por um usoindiscriminado dos recursos de inteligência em áreas de políticas públicas não direta-mente relacionadas com defesa, política externa e segurança — crescem na proporçãodireta em que se dilui a consciência sobre a natureza conflitiva dessa atividade e se passa
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Orlando Behling and Kenneth Law,
Translating Questionnaires and Other Research Instru-ments
(London: SAGE, 2000), 1-16.
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Por razões de segurança, a diretoria da ABIN solicitou apenas que não fossem divulgadosdados primários sem consulta prévia, e que uma versão preliminar desse texto fosse examinadaantes da sua publicação, condições aceitas pelos autores em correspondência encaminhada no dia20/08/2002.
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