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Como as políticas do orgasmo sequestraram o movimento feminista

Como as políticas do orgasmo sequestraram o movimento feminista

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02/14/2013

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Por que o orgasmo seduziu tantas feministas – até a revista Ms. – auma contra-revolução interna?
Sheila Jeffreys A edição de novembro/dezembro de 1995 da revista Ms., com otítulo de capa SEXO QUENTE E ESPONTÂNEO, mostrava o closede uma mulher negra lambendo seus lábios pintados. A despeito detodo esforço feminista que tem sido feito nos últimos 25 anos paracriticar e contestar a construção supremacista masculina do sexo,nenhum dos quatro artigos da revista fazia menção a todos osoutros aspectos da vida e do status social da mulher. Em destaqueem um dos artigos estava uma frase do livro de Barbara Seaman de1972, intitulado Livre e Mulher: “O orgasmo livre é um orgasmo quevocê gosta, em qualquer circunstância”. Julgando por essa ediçãode Ms., e pelas prateleiras de contos eróticos para mulheres emlivrarias feministas, uma política de orgasmo irreflexiva parece ter se estabelecido.No final da década de 1960 e no começo da década de 1970,acreditava-se amplamente que a revolução sexual, ao libertar aenergia sexual, tornaria todos livres. Eu me lembro de MauriceGirodias, que publicou A História do O em Paris pela Olympia Press,dizendo que a solução para regimes políticos repressivos seriapostar pornografia em todas as caixas de correio. Orgasmosmelhores, proclamou o psicanalista austríaco Wilhelm Reich,criariam a revolução. Naqueles tempos inebriantes, muitasfeministas acreditavam que a revolução sexual estava intimamenteligada à libertação das mulheres, e elas escreviam sobre comoorgasmos poderosos trariam poder às mulheres.Dell Williams é citado em Ms. como tendo aberto uma sex shop em1974 exatamente com essa idéia, a de vender brinquedos sexuaispara mulheres: “
eu queria transformar as mulheres em seressexuais poderosos... Eu acreditava que mulheres orgásmicas poderiam mudar o mundo.” 
 
Desde os anos 60, sexólogos, libertários sexuais e empresários daindústria do sexo procuraram discutir o sexo como se fossecompletamente dissociado da violência sexual e não tivessenenhuma relação com a opressão de mulheres. Enquanto isso,teóricas feministas e ativistas anti-violência aprenderam a analisar osexo politicamente. Nós vimos que o domínio masculino sobre oscorpos de mulheres, sexualmente e reprodutivamente, provê a baseda supremacia masculina, e que a opressão na sexualidade eatravés dela diferencia a opressão de mulheres da de outrosgrupos.
Se nós temos alguma chance de libertar as mulheres do medo e darealidade do abuso sexual, a discussão feminista da sexualidadedeve incorporar tudo que sabemos sobre violência sexual ao que pensamos sobre sexo.
Mas atualmente conferências feministasoferecem workshops separados, em locais diferentes, de comoaumentar o “prazer” sexual e de como sobreviver à violência sexual – como se esses fenômenos fossem isolados. Mulheres que seintitulam feministas agora afirmam que a prostituição pode ser benéfica às mulheres, para expressar sua “sexualidade” e fazer escolhas de vida empoderadoras. Outras promovem às mulherespráticas e produtos da indústria do sexo com fins lucrativos, naforma de striptease lésbico e parafernália de sadomasoquismo.Existem agora setores inteiros de comunidades femininas, lésbicase gays onde qualquer análise crítica da prática sexual é vista comoum sacrilégio, estigmatizada como “conservadorismo”.
 A liberdadeé representada como a conquista de orgasmos mais intensos emelhores por qualquer meio possível 
, incluindo “leilões sexuais”,prostituição de mulheres e homens, e danificação física permanentecomo branding. Formas tradicionais de sexualidade supremacistamasculina baseadas na dominação e submissão e a exploração eobjetificação da classe escravizada de mulheres estão sendocelebradas por suas possibilidades excitantes e “transgressoras”.Bem, a pornografia está nas caixas de correio, e os artefatos paraorgasmos cada vez mais poderosos estão prontamente disponíveisatravés da indústria internacional do sexo. E em nome da libertaçãofeminina, muitas feministas hoje em dia estão promovendo práticas
 
sexuais que – longe de revolucionar e transformar o mundo – estãoprofundamente envolvidas nas práticas do bordel e da pornografia.Como isso pode ter acontecido? Como pode a revolução dasmulheres ter entrado em curto-circuito? Eu sugiro que há quatrorazões.Razão Número 1Vítimas da indústria do sexo tornaram-se “experts” do sexo.O capitalismo sexual, que encontrou uma forma de transformar embem consumível praticamente todo ato de subordinação sexualimaginável, encontrou até mesmo uma forma de remodelar ereciclar algumas de suas vítimas. Como resultado, um grupo de
mulheres que têm uma história de abuso e aprenderam suasexualidade servindo aos homens na indústria do sexo agora podem, frequentemente com o patrocínio de empresários homensda indústria do sexo, promover-se como educadoras sexuais nascomunidades lésbicas e feministas.
Algumas dessas mulheres“bem-conceituadas” –
que dificilmente representam a maioria dasvítimas da indústria do sexo
– conseguiram lançar revistas como aOn Our Backs (para praticantes de 'sadomasoquismo lésbico') emontar negócios de striptease e pornografia. Muitas mulheresaceitaram erroneamente essas mulheres, antes prostituídas, como“experts” sexuais. Annie Sprinkle e Carol Leigh, por exemplo,reintroduziram práticas misóginas da indústria do sexo emcomunidades femininas.
Essas mulheres lideraram a ridicularizaçãodirecionada àquelas de nós que disseram que o sexo pode e deveser diferente
. Ao mesmo tempo, algumas mulheres que lucraram com o livremercado capitalista nos anos 80 exigiram igualdade sexual eeconômica em relação aos homens. Elas escaparam, e agoraquerem usar as mulheres como homens o fazem, então consomempornografia e demandam por clubes de striptease e bordéis ondemulheres as sirvam. Essa não é uma estratégia revolucionária. Nãohá aqui uma ameaça ao privilégio masculino, ou uma chance de

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