Pereira de Queiroz, Eva Blay, Ruy Coelho, Egon Shaden, João Batista Borges Pereirae Luiz Pereira, entre outros. Leu clássicos que marcaram seu pensamento: As Regrasdo Método Sociológico, de Emile Durkheim, Os Parceiros do Rio Bonito, de AntonioCandido, e A Ideologia Alemã, de Karl Marx. Como estudante, ficou preso algumasvezes no DOPS, que reprimia as manifestações estudantis no período.Do lado sexual, seus pensamentos eram povoados de homoerotismo, mas manteverelações com mulheres, motivado tanto pela repressão cristã quanto pelo estigmasocial. A homofobia internalizada fez com que ele buscasse experiênciasclandestinas, no ponto de pegação atrás da biblioteca Mário de Andrade. Acreditavaque a homossexualidade seria uma situação passageira.Antropologia e baianidadeJá na faculdade, Mott interessou-se pela Antropologia. E pelo Nordeste. Ganhou oapelido de "Luiz da Bahia", devido às viagens constantes que fazia para lá.Conseguiu uma bolsa de iniciação científica da Fapesp e foi para Sergipe estudarfeiras rurais, sob a orientação de Eunice Durham.Terminada a graduação, ganha outra bolsa e vai fazer mestrado em Antropologia naFrança. Muda-se do Sumaré, bairro de classe média alta de São Paulo, para a CitéUniversitaire, no Boulevard Jourdan, no XIVème arrondissement. De mobilete, andapela cidade luz, visita museus, conhece mais sobre arte e história. E passa a teruma vivência homossexual mais livre. No entanto, ainda sob o jugo da herançamachista e homofóbica, casa-se com uma mulher, uma antropóloga que pesquisaumbanda.Após cinco anos de um casamento aparentemente tranquilo, apaixona-se por um homeme decide não mais viver na ambiguidade. Começa a ler mais sobre o tema e,finalmente, assume-se como gay, após protelar por alguns meses, com medo que aentão esposa - que terminava de escrever sua dissertação - pudesse ter seutrabalho prejudicado por questões emocionais. Só se revelou após a conclusão domestrado de sua ex-mulher.Logo depois de sair do armário, escreveu o artigo A Homossexualidade no BrasilColonial entre os Índios do Brasil, utilizando material sobre a Inquisição. Otexto foi publicado na revista Lampião.Após viver um relacionamento com outro homem por um ano, mudou-se para Salvador.Passou a vernder antiguidades, desfez-se de coisas acumaladas e passou a trabalharcomo professor visitante na Universidade Federal da Bahia. Na época, final dosanos 1970, estavam sendo fundados os grupos Somos em São Paulo, Rio de Janeiro eSorocaba. E assim, em 1979, Mott publica um anúncio no Lampião: "Bichas baianas,rodem a baiana... tudo bem! Mas deixem de ser alienadas. Vamos fundar um grupo dediscussão sobre homossexualidade... me escrevam!". Nascia o Grupo Gay da Bahia(GGB), o mais antigo grupo de militância LGBT em atividade no Brasil.O Grupo Gay da BahiaA primeira reunião do grupo acabou acontecendo no ano seguinte, no dia 29 defevereiro de 1980. Dezessete pessoas se reuniram, numa noite de sábado, noapartamento de Mott - a maioria anarquista, jornalista ou professor. As primeirasreuniões foram todas nessa casa. Depois, passaram a se encontrar em um espaço deanarquista, no centro de Salvador. As reuniões eram sempre aos domingos.Um dos primeiros documentos do GGB foi o panfleto A todos os homossexuais daBahia, mas com medo da repressão, não constava o nome do grupo. O Grupo Gay daBahia, através do jornal Lampião, desde que foi fundado estabeleceu contato com os
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