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CONFORMISTAS OUINSUBORDINADOS
Para um Pensamento deDissidência.
José Paulo N. Piedade Vaz
“A livre escolha entre uma largaquantidade de bens e serviços nãosignifica Liberdade, quando estesbens e serviços mantêm o control social sobre uma vida de esforço ede medo – ou seja, de alienação.” Herbert Marcuse, O HomemUnidimensional 
I. – As armadilhas da Ideologiadominante.
A doutrina política e jurídica doEstado Social de Direito é, nomomento actual, umpensamento totalitário, porqueassente, globalmente, numamistificação: na sua essência,confunde-se com o discursopublicitário do Capitalismo. Asociedade é “Democtica”porque se baseia numa escolha
estatisticamente
livre. Para opensamento Democrático doCapitalismo é completamenteirrelevante que a escolhaestastica o tenha tido poobjecto qualquer alternativa. ADemocracia como processo deescolha torna-se, assim, numconceito puramente descritivo:”um país é democrático quandoé concedido à respectiva popula-ção o direito de escolher opróprio governo através deeleições periódicas, secretas emultipartidárias, com base nosufrágio universal e igualitário”(Fukuyama, O Fim da História,p.65).
A Democracia definidacomo processo de escolhalivre converte-se assim nummero exercício estatístico delegitimação do poder. A lógicaestatística é, porém, a lógicado casino ganhe quemganhar em cada lance, o lucrofinal será sempre do Banquei-ro. Por outras palavras: aDemocracia é uma mistifica-ção se a livre escolhaéentre duas falsas alternativas(Clinton ou Dole, Cavaco ouGuterres) que, em substânciase equivalem, porque perten-cem ao mesmo universoideológico legitimador daDitadura do Capitalismo.
Ora,no momento actual, não há nosistema político qualquealternativa viável ao CapitalismoPlutocrático dominante. Emqualquer eleição é sempre osistema o vencedor, e já estáescolhida à partida. Osmecanismos de seleão dosistema político, de eliminaçãosocial e de censura da “imprensalivreimpedio, em qualquer caso, a possibilidade deformulação de uma alternativa. Aoposição – mesmo a oposiçãoda extrema-esquerda - desem-penha no entanto umaimportante fuão sistémica:institui a escolha livre, legitiman-do o resultado pré-determinadocomo “democrático e tornandolegítima a violência económicaexercida sobre a inteirasociedade.
Os mecanismos dedominação política da socie-dade capitalista estão presen-tes no sistema que esteimplica – dominação tão maisimportante quanto o eleitor –caricatura residual da sobera-nia – corresponde ao cidadãoinfantilizado, desresponsabi-lizado e estreitamente assedi-ado e vigiado pelos
 
mass
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media
da sociedade deconsumo.
O resultado das eleições livres é,em qualquer caso, homeostático:o sistema produz através dosseus mecanismos ideológicos(elaboração de mensagens nos
mass media
), de coerção social(crise de emprego, droga, inse-gurança) o resultado que maislhe interessa em determinadomomento (os erros de avaliaçãonão são importantes, os resulta-dos democráticos são eminente-mente provisórios…)As “Democracias Ocidentais”,desembaraçadas da ameaça doComunismo, transformaram-senum jogo abjecto de falsaspropostas, onde a política sedegradou em excrescência ideo-lógica do sistema dominante, nasua essência – Propaganda. O jogo Democrático teve contudo omérito de permitir a ascenção deuma certa classe de indivíduos.Essa classe não é dasmelhores…Sociedade Racional, a socie-dade do Capitalismo encontrou asua linguagem, que alastra atoda a sociedade como tecidocanceroso, num discurso
neutral 
,com o rótulo da cientificidade, eque adquiriu por isso aautoridade de coisa racional eindiscutível: o da “Ciência Eco-nómica”.
A Ciência Económica,a um tempo linguagem eideologia do Capitalismo, coma sua obsessão quantificado-ra, doravante linguagem obri-gatória de políticos, sindicalis-tas e de toda a fauna decomentadores do “fait-divers”social, reproduz os imperati-vos sistémicos do Capitalis-mo, revestidos da especialcredibilidade do discursocientífico, ignorando (por nãoquantificável !) todo o conteú-do humano dos imperativoseconómicos e, o que é mais,expropriando as sociedades –doravante a sociedade global – de todo o horizonte da espe-rança.
Para o discurso fascistada economia, a perda de umposto de trabalho exprimir-se-ánuma taxa que não passará deum, entre outros, indicadoreseconómicos, mas que nuncalevaem conta a margina-lizão de muitos milhões dehomens, reduzidos à inutilidadesocial, à exclusão, ao deses-pero, virtualmente destinados aser reciclados pelo sistemaprisional. Esgrimindo taxas decrescimento, de inflão, deconversão monetária (a “moedaúnica” !) o discurso dominantecria o
alibi 
(perfeito, porquecientífico)
 
para a crise doCapitalismo, cuja ultrapassagem – como ténue luz ao fundo dotúnel – consiste no círculo infer-nal da crise: crescimento, au-mento de produtividade, esgota-mento dos recursos, desempre-go, exclusão social ….Atinge-se eno (atingiu-se seguramente nos EstadosUnidos e na Europa do MercadoComum) o “limiar de patinagem”de que fala Baudrillard * em queo progresso económico é ape-nas o caminho para o abismo …em que, como escreve aquelesociólogo, “o único resultadoobjectivo é então o crescimentocanceroso dos números e dosbalaos; mas, no essencial,regressa-se propriamente aoesdio primitivo, que é o dapenúria absoluta do animal oudo ingena, cujas foas se
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esgotam todas na preocupaçãopela sobrevivência”. O cresci-mento do produto torna-se entãoa meta esquizofrénica (todos ospolíticos perseguem esta ideia)de todas as políticas, degrada-das em
 política económica
.
Como dizia recentemente oPrimeiro-Ministro português,António Guterres, numa entre-vista televisiva, o domínio daeconomia é um aspecto muitoimportante para qualquepolitico que, quando não for ele mesmo economista, deverodear-se de muito bonsassessores económicos, istoé, renunciar a fazer politica,para ser mero executor doSistema e da sua Ideologia.
Crescimento pelo crescimento: oaumento da sinistralidade rodo-viaria, verdadeiro cataclismosocial (com mortalidade superior a qualquer guerra civil actual),contribui seguramente para ocrescimento do produto (indús-tria automovel, seguros, hospi-tais), vai na
boa direcção
econó-mica, o que justifica plenamentea ausência de decisões
 políticas
no sentido de a limitar drástica-mente – por exemplo desenvol-vendo uma política anti-automovel coerente, fomentandoresponsavelmente uma rede detransportes blicos. Sonhopolitico impossível: um Primeiro–Ministro do Capitalismo nãopode governar contra a indústriaautomóvel …
O sistema Democráticodegradou por isso a políticaem publicidade e espectáculo,deixando incólumes as deci-sões políticas tomadas àrevelia de todas as regrasformais de legitimação dopoder. Esta sociedade, condu-zida por políticos invertebra-dos, patina … e, adiando, aoritmo dos Carnavais eleitorais,todas as decisões que permiti-riam recuperar – não a abum-dância perdida mas umhorizonte de esperança,
renuncia à história
.
 Em
O Homem Unidimensional 
,H.Marcuse analisa os mecanis-mos de dominação da sociedaedo Capitalismo Avançado: domi-nação pelo mercado e peloconsumo, que, na sua aparêncianiveladora, não cessa de paliar acondição dos dominados, exter-minando
in ovo
toda apossibilidade de oposição. Entreo rico proprietário e o seuassalariado existia sem dúvidauma disncia social e umarelação de dominação que podiair até ao ponto de negar aoúltimo as possibilidades desobrevivência. No entanto, aprópria estrutura da sociedade,claramente dividida entredominadores e dominados,deixava subsistir no seu seio aevidência da dominação e, comela, a possibilidade de formaçãode um pensamento oposicionale, finalmente, a constituição deum horizonte de revolta. Pelocontrário, a essência dadominação do CapitalismoAvançado não consiste naexplorão da foa muscular (como na Escravatura Antiga),ou na apropriação de uma mais-valia do trabalho assalariado,mas na
domesticação
peloconsumo. Neste sentido, adominação do CapitalismoBurocrático, e ao contrio daprevisão de K. Marx (ManifestoComunista, 1848) que antevia ocolapso do Capitalismo a partir da explicitação e agudização do
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gostaria de usar este artigo em minha monografia, e queria saber se pode me enviá-lo para que possa citá-lo??? Desde já e de qualquer forma, obrigada.

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