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Ineficácia de Título Executivo fundado em Ato Ilícito ("Relativização da Coisa Julgada") - Sentença em Embargos à Execução

Ineficácia de Título Executivo fundado em Ato Ilícito ("Relativização da Coisa Julgada") - Sentença em Embargos à Execução

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Decisão proferida em sede de embargos à execução, em que, a despeito do trânsito em julgado, reconheço a ineficácia de título executivo obtido por ato ilícito violador do dever geral de probidade e dissonante de valores constitucionais. Embora o processo seja público omiti, por razões óbvias, a numeração dos autos e o nome do trabalhador.

Decisão proferida em sede de embargos à execução, em que, a despeito do trânsito em julgado, reconheço a ineficácia de título executivo obtido por ato ilícito violador do dever geral de probidade e dissonante de valores constitucionais. Embora o processo seja público omiti, por razões óbvias, a numeração dos autos e o nome do trabalhador.

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Categories:Business/Law
Published by: Marcelo Alexandrino da Costa Santos on Jan 30, 2013
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09/17/2013

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##a. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro0042600-65.##Exequente: XXXExecutados:ESTRELA AZUL SERV VIG SEG TRANS DE VALORESITAÚ UNIBANCO S.A.Embargante: ITAÚ UNIBANCO S.A.
Vistos.Trata-se de
embargos à execução
, em que o segundo demandadoassevera que o exequente ajuizara demanda anterior em face do mesmoempregador e do Banco Itaú S.A. (responsável subsidiário), na qual afirmavater prestado serviços a este último, com exclusividade, no mesmo períododelimitado na petição inicial do processo em que ora corre a execução.O embargante aponta que, naquele outro processo, o Banco Itcelebrou acordo com o ora exequente, que deu quitação geral a ambos osdemandados, para nada mais reclamar. Contudo, o mesmo trabalhador veio aajuizar nova demanda, substituindo apenas o segundo réu na qualidade deresponsável subsidiário, a fim de lograr vantagem em função do sabido nãocomparecimento do ex-empregador às audiências.Aduz, ainda, que a ação somente foi detectada graças à fusão do Itaúcom o Unibanco, ocorrida após a prolação da sentença.Por fim, ressalta que o IR foi calculado sem observância da IN-RFB1127/2011.Resposta do demandante a fls. 318/320, asseverando, em resumo, que otema deveria ter sido suscitado na contestação, não em sede de embargos àexecução, e que os documentos apresentados pelo embargante não comprovama suposta fraude.Garantia da execução à fl. 286. Nada mais havendo de relevante a ser relatado,
decido
:
1. Dinâmica dos fatos:
 
De acordo com a petição inicial da RTOrd 0042600-65.##, em cujosautos correm os embargos sob análise, protocolizada em
10 de abril de 2008
,o autor teria sido contratado por 
ESTRELA AZUL SERV. VIGILÂNCIASEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA
em
07 de julho de2000
, tendo prestado serviços,
com exclusividade
(cf. fl. 02, 3º parágrafo) para
UNIBANCO UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S.A
. até
20 deabril de 2007
(fls. 02/06).A demanda resultou na condenação da ex-empregadora – de resto, tida por confessa – em obrigação de pagar as prestações resilitórias postuladas pelotrabalhador, condenação essa estendida à ora embargante, na qualidade deresponsável subsidiária (fls. 177/181).Registre-se que a sentença foi publicada em 12 de setembro de 2008 – antes, portanto, da fusão dos bancos Itaú e Unibanco, anunciada em novembrodaquele ano
(cf. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u463386.shtml).
Seguiram-se a apresentação, atualização e homologação dos cálculos doexequente (fls. 184/197), dos quais o embargante somente foi cientificado por meio do mandado de execução cumprido em
25 de novembro de 2010
(fl.220).
Na primeira oportunidade
, o embargante, então já integrante domesmo grupo econômico do Banco Itaú S.A., denunciou que o trabalhador havia ajuizado outra demanda, relativa ao mesmo contrato de trabalho, naqual, porém, apontara aquele outro Banco (Itaú) como único tomador deserviços e responsável subsidiário e, por fim, recebera
R$ 6.500,00
a título deacordo.O embargante juntou, então, cópia do termo de
conciliação celebradaem 24 de julho de 2007
(fl. 225), que revela o pagamento, ao exequente, dovalor acima, mediante dação de
quitação geral a ambas as rés
, para nadamais reclamar quanto ao extinto contrato de trabalho. Trouxe, também, cópiada
petição inicial
datada de
26 de abril de 2007
, na qual o autor narrava a prestação de serviços de
07 de julho de 2000
a
20 de abril de 2007
, referindoigualmente a empresa
ESTRELA AZUL
como empregadora; contudoindicando como tomador de serviços, “
por todo pacto laboral
”, o BANCOITAÚ S.A. (fls. 229/237).O juízo, à fl. 239, diferiu para o “momento oportuno” a análise dadenúncia trazida pelo ora embargante – que novamente levantou a discussãosobre o alegado ilícito por meio da exceção de pré-executividade de fls.243/252.
 
Apresentada a resposta de fls. 274/278, na qual
o trabalhador nãonegou o ilícito
, sobreveio a decisão de fl. 279, que, fundada no ônus daimpugnação especificada e na inexistência de comprovação, rejeitou aexceção.Ocorre, contudo, que os documentos de fls. 225/237 escaparam àatenção do ilustre colega subscritor de fl. 279, o que levou o executado a, maisuma vez, registrar seu inconformismo, desta vez sob a forma de embargos àexecução.
2. Cabimento dos embargos sob exame:
Diante da dinâmica dos fatos, tal como acima descrita, é correto afirmar que a
fusão do ITAÚ com o UNIBANCO
, ocorrida após o recebimento dovalor do acordo celebrado no primeiro processo e a instauração do segundo por nova demanda do ora exequente, foi
determinante
para que o ilícitoviesse à luz.Assim, o seria exigível do embargante que tomasse medidas processuais
antes de ter sido citado ao cumprimento da presente execução
 – o que somente ocorreu
após
 
decorridos mais de dois anos
desde o trânsitoem julgado da sentença de fl. 177/182.Encontrando-se, assim, fechado o acesso à via rescisória para a parte prejudicada por ato ilícito detectado apenas após decorridos mais de dois anosdo trânsito em julgado, porém afigurando-se inquestionável a utilização do processo, pelo trabalhador, com fim escuso, em indubitável afronta aos princípios da lealdade e da boa-fé e aos valores constitucionais da justiça, dafraternidade e da solidariedade, cabe, neste ponto, indagar-se da adequaçãodos embargos à execução para atacar a eficácia de decisão transitada em julgado.A resposta é positiva: de
PONTES DE MIRANDA
(
apud 
BERALDO,Leonardo de Faria. A relativização da coisa julgada que viola a constituição. In:
Coisa julgada inconstitucional.
3.ed. Rio de Janeiro: América Jurídica, 2004
) a
DINAMARCO
(Relativizar a coisa julgada material. In:
 Nova era do processocivil.
São Paulo: Malheiros, 2003
), passando por 
TERESA ARRUDA ALVIMWAMBIER 
e
JOSÉ MIGUEL GARCIA MEDINA
(
O dogma da coisa julgada
: hipóteses de relativização
.
São Paulo: RT, 2003
), respeitável doutrina temafirmado os embargos à execução como instrumento apto a ensejar discussõesrelativas à ineficácia da sentença baseada em ato materialmente tão viciado,que a recusa burocrática à análise de sua substância ofenderia o valor da justiça.

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