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Os valores, ao estarem submetidos
à
s coordenadas do tempo e do espa
ç
o,n
ã
o s
ã
o universalmente v
á
lidos, j
á
que v
ã
o variando tanto sincr
ó
nica comodiacronicamente de cultura para cultura.Se sincronicamente
é
-nos imediatamente percept
í
vel a d
í
spar diferen
ç
aaxiol
ó
gica que nos separa da cultura isl
â
mica; diacronicamente
é
-nosigualmente percept
í
vel esta relatividade axiol
ó
gica se se analisa, com algumrigor, os modelos valorativos da cultura portuguesa do s
é
culo XX com a culturaportuguesa deste in
í
cio do s
é
culo XXI.Eis aqui um excerto de um cl
á
ssico da filosofia contempor
â
nea, refiro-meconcretamente ao texto
Les enfants sauvages 
de Lucien Malson, que de formacontundente mostra a relatividade axiol
ó
gica presentes nas mais diversasculturas mundiais.
O homem recebe do meio, em primeiro lugar, a definição do bom e do mau,do confortável e do desconfortável.Deste modo os chineses preferem os ovos podres e os oceanenses o peixe emdecomposição. Para dormir, os pigmeus procuram a incómoda forquilha demadeira e os japoneses deitam a cabeça em duro cepo.O homem recebe do seu meio cultural um modo de ver e de pensar. No Japãoconsidera-se delicado julgar os homens mais velhos do que parecem e, mesmodurante os testes e de boa-fé, os indivíduos continuam a cometer erros porexcesso (. . .)O homem retira também do meio as atitudes afectivas típicas. Entre osmaoris, onde se chora à vontade, as lágrimas correm só no regresso do
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