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Arthur C. Clarke2001 odisseia no espaçoObras publicadas nesta colecção:I-Star Wars-O Regresso de Jedi, James Kahn2-Robot Completo-1, Isaac Asimov3-Robot Completo-11, Isaac Asimov4-2010, Segundà Odisseia Arthur C. Clarke5-A Sombra do Torturadór, Gene Wolfe6-Terra, Campo de Batalha-1, L. Ron Hubbard7-Terra, Campo de Batalha-11, L. Ron Hubbard8-2001-Odisseia no Espaço, Arthur C. Clarke9-Malevil, Robert Merle10-A Garra do Conciliador, Gene Wolfe11-O Cla do Urso das Cavernas, Jean M. Auel12-A Espada do Lictor, Gene Wolfe13-Shitasta, Doris Lessing14-Os Casamentos entre as Zonas Três, Quatro e Cinco, DorisLessing15-As Experiências Sirianas, Doris Lessing16-O Vale dos Cavalos, Jean M. Auel17-A Formacão do Representante do Planeta 8, Doris Lessing18-A Cidadela do Autarca, Gene Wolfe19-Agentes Sentimentais no Império Volyen, Doris Lessing20-Cancaes da Terra Distante, Arthur C. Clarke21-Os Caçadores de Mamútes-I, Jean M. Auel22-Os Ca~cadores de Mamútes-II, Jean M. Auel23-Missão Terra-1, O Plano Invasor, L. Ron Hubbard24-Crónica de Uma Serva, Margaret Atwood25-2061: Terceira Odisseia, Arthur C. Clarke <:PRólOGOCada homem vivo transporta o peso de trinta fantasmas,pois é nesta proporção que o número dos mortos excede o dosvivos. Desde o início dos tempos, cerca de cem bilioes deseres humanos caminharam sobre o planeta Terra. Ora, este éum número interessante, pois, por coincidência, háaproximadamente cem bilioes de estrelas no nosso universo, aVia Láctea. Portanto, por cada homem que alguma vez viveu,brilha uma estrela neste Universo. Mas cada uma dessasestrelas é um sol, freqüentemente muito mais brilhante eglorioso que a pequena estrela a que chamamos o Sol. EMuitos-talvez a maioria-desses sois, têm planetas girando àsua volta. Portanto, há com certeza território suficiente nocéu para que cada membro da raça humana, desde o primeirohomem- -macaco, tenha o seu céu-ou inferno-privado, dotamanho de um mundo. Quantos desses potenciais céus ouinfernos são habitados, e por que tipo de criaturas, é coisaque não podemos saber; o mais próxi- mo fica um milhão devezes mais longe que Marte ou Vénus, esses objectivos, aindaremotos, da próxima geração. Mas as barreiras da distanciavão-se esboroando; um dia, encontraremos os nossos iguais, ouos nossos senhores, entre as estrelas. Os homens nãotêm sido muito lestos a encarar esta perspectiva; algunsainda esperam que ela nunca se torne realidade. Cada vez maisgente, no entanto, pergunta: «Por que razão não ocorreram játais encontros, se nós próprios estamos prestes a
 
aventurar-nos no espaço?» E por que não? Este livro é umaresposta possivel a pergunta tão razoável. Mas não seesqueçam: esta é apenas uma obra de ficção. A verdade, comosempre, será muito mais estranha.A. C. C. Aí: ! [~ , ESTRADA PARA A EXTINÇÃo A secadurava já havia dez milhoes de anos, e o reino dos terrí-veis lagartos terminara muito tempo atrás No equador, nocontinente a que um dia se chamaria Africa, a batalha pelaexistência atingirá um novo climace de ferocidade, e ovencedor ainda não estava à vista Naquela terra árida e seca,só os pequenos, os velozes ou os destemidos, conseguiamflorescer ou até esperar sobreviver Os homens-macacos dasavana não eram nada disto, e não estavam a florescer; aliás,já iam bem avançados na estrada para a extinção racial. Cercade cinqüenta deles ocupavam um grupo de cavernas sobranceirasa um valezinho ressequido, dividido por um rio parado,alimentado pelas neves das montanhas que ficavam a trezentosquilômetros para norte. Quando os tempos eram maus, o riodesaparecia completamente, e a tribo vivia à sombra da sede.Tinham sempre fome, mas, naquela altura, quase morriam deinanição. Quando a primeira e débil luz da madrugada entrouna caverna, Sentinela-da-Lua viu que o seu pai havia morridodurante a noite. Não sabia que o Velho era seu pai, pois talrelação estava muito para lá da sua compreensão, mas, aoolhar para o corpo magro, sentiu uma leve inquietação,antepassada da tristeza. As duas crias estavam achoramingar pedindo comida, mas calaram-se quandoSentinela-da-Lua lhes rosnou. Defendendo o bebé que não podiaalimentar em condições, uma das mães devolveu-lhe um rugidozangado; mas ele nem sequer tinha energia para a espancarpelo seu atrevimento. fazia luz suficiente para partir.Sentinela-da-Lua pegou no cadáver enrugado e, inclinando-se,arrastou-o para lá do baixo beiral da caverna. Uma vez noexterior, atirou o corpo para cima das costas, eendireitou-se-o único animal do mundo capaz de o fazer.Entre os da sua espécie, Sentinela-da-Lua era quase umgigante. Tinha cerca de um metro e meio de altura, e, emboraextremamente subalimentado, pesava mais de quarenta e cincoquilos. O seu corpo peludo e musculado estava a meio caminhoentre o macaco e o homem, mas a sua cabeça encontrava-se jámuito mais próxima do homem do que do macaco. A testa erabaixa, e apresentava saliências por cima dos olhos, mastransportava inegavelmente nos seus genes a promessa dehumanidade. Quando contemplava o hostil mundo do plistoceno,o seu olhar continha ja algo que ultrapassava as capacidadesde um macaco. Naqueles olhos escuros e profundos lia-se odespertar de uma consciência-os primeiros sinais de umainteligência que não poderia cumprir-se ainda por muitotempo, e que em breve talvez se extinguisse para sempre.Como não havia sinal de perigo, Sentinela-da-Lua,ligeiramente embaraçada pelo seu fardo, começou a descer aencosta quase vertical que dava para a caverna. Como sehouvessem estado à espera do seu sinal, os outros membros datribo sairam dos seus lares, bastante mais abaixo nasuperficie rochosa, e dirigiram-se para as águas lamacentasdo rio, para a primeira bebida da manha. Sentinela-da-Luaobservou o outro lado do vale, tentando descortinar osOutros, mas eles não estavam à vista. Talvez não tivessemainda saído das cavernas, ou já estivessem a comer ervas
 
nalgum sitio mais afastado da encosta. Como não se viam,Sentinela-da-Lua esqueceu-os; era incapaz de se preocupar commais de uma coisa ao mesmo tempo. Primeiro, tinha de sedesembaraçar do Velho-não era problema em que precisasse depensar muito. Houvera muitas mortes naquela estação, umadelas na sua própria caverna; bastar-lhe-ia abandonar o corpono sitio onde pusera o novo bebé, no último quarto da lua, eas hienas fariam o resto. Estas estavam à espera, nolocal onde o valezinho se abria e entrava na savana, quasecomo se soubessem que ele vinha ai. Sentinela-da-Lua deixou ocorpo debaixo de um pequeno arbusto, -todos os ossosanteriores ja haviam desaparecido-, e regressouapressadamente para junto da tribo. Nunca mais pensou no pai.As suas duas companheiras, os adultos das outras cavernase quase todos os jovens, comiam erva entre as árvoresdefinhadas pela seca, vale acima, e procuravam bagas, raízessuculentas, folhas e dádivas inesperadas constituídas porlagartos ou roedores pequenos. Só os bebés e os velhos maisfracos eram deixados nas cavernas; se sobrasse alguma comidaao fim do dia, talvez fossem alimentados. Se não, as hienasteriam mais um dia de sorte. Mas aquele dia foibom-embora, claro, Sentinela-da-Lua não possuisse umaverdadeira memória do passado, e não pudesse, portanto,comparar um tempo com o outro. Encontrara uma colmeia notronco de uma árvore morta, e saboreara a iguaria maisdeliciosa que o seu povo jamais conhecera; à tardinha,conduzindo o seu grupo para casa, ainda lambia os dedos detempos a tempos. Claro que também recebera um razoável númerode picadelas, mas mal reparara nelas. Estava o mais perto quepodia esperar da satisfação -pois embora ainda tivesse fome,não se sentia realmente debilitado por ela. E isso era omáximo a que um homem-macaco podia aspirar.A sua satisfação desapareceu quando chegou ao rio. Os Outrosestavam lá. Iam lá todos os dias, mas isso não tornava ascoisas menos aborrecidas. Eram cerca de trinta e não sedistinguiam dos membros da tribo do próprio Sentinela-da-Lua.Quando o viram chegar, começaram a dançar, a abanar os braçose a guinchar, no seu lado do rio, e o povo deSentinela-da-Lua respondeu-lhes do mesmo modo. E isso foitudo o que aconteceu. Embora os homens-macacos lutassemvárias vezes entre si, muito raramente as suas disputasresultavam em ferimentos graves. Como não possuiam garras nemdentes caninos adaptados à luta, e estavam bem protegidos como pêlo, quase nunca infligiam golpes sérios uns aos outros.Além disso, pouca energia lhes sobrava para comportamento tãoimprodutivo; rosnadelas e ameaças constituíam um modo muitomais eficiente de afirmarem os seus pontos de vista. Aconfrontação durou cerca de cinco minutos; a exibição acabouentão tão depressa como começara, e todos se puseram a bebercopiosamente na água lamacenta. A honra fora satisfeita; cadaum dos grupos frisara bem o direito que tinha ao seu próprioterritório. Depois de tratado assunto tão importante, a triboafastou-se pelo seu lado do rio. A pastagem mais próximaficava a mais de um quilómetro e meio das cavernas, e tinhamde a partilhar com uma manada de grandes animais parecidoscom antilopes, que aceitavam muito mal a sua presença e nãopodiam ser combatidos, pois possuíam ferozes punhais nascabeças. As armas naturais de que os homens-macaco nãodispunham. Portanto, Sentinela-da-Lua e os seus
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