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A Alquimia - Stanislas Klossowsky de Rola

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01/28/2014

 
A Alquimia
por Stanislas Klossowski de Rola
A grande obra
 A primeira tarefa do discípulo consiste na busca da matéria-prima. O seunome tradicional - Pedra dos Filósofos - nos dá uma idéia bastante clarada substância, servindo-nos para começar a identificá-la. “É realmenteuma pedra porque ao ser extraída das minas apresenta as mesmascaracterísticas exteriores que o resto dos minerais (Fulcanelli, LesDemeures Philosophales)”. Esta Pedra dos Filósofos, ou "sujeito" destaarte, não deve ser confundida com a Pedra Filosofal. Dito sujeitounicamente se converte na Pedra Filosofal quando, após sertransformada e aperfeiçoada pela arte, alcança a sua perfeição final epor conseguinte a propriedade da transformação. Na literaturaalquímica, diz-se que a matéria-prima tem um corpo imperfeito, umaalma constante e uma cor penetrante, e que contém um mercúrio claro,transparente, volátil e móvel. Esconde no seu coração o ouro dosfilósofos e o mercúrio dos sábios. Recebeu uma multidão de nomes, masnunca nenhum alquimista revelou publicamente a sua verdadeiranatureza. Uma das maiores dificuldades que apresenta a alquimiaconsiste em identificar esta matéria. Nos textos alquímicos quasesempre se omite toda forma completamente enganosa. A Obra épreparada e levada a cabo utilizando esta única substância que, apósser identificada, deve ser obtida. Para isso é essencial viajar até o lugarda mina e obter o sujeito no seu estado bruto. Isto em si já é umatarefa árdua, e é necessário fazer um horóscopo para determinar qual éo momento mais propício. A Obra deve ser realizada na primavera doHemisfério Norte, sob os signos de Áries, Touro ou Gêmeos (a épocamais propícia para começar é a de Áries, cujo símbolo celestecorresponde a linguagem esotérica ou críptica, ao nome da matéria-prima). Como preliminar à Obra, o sujeito deve ser purificado, libertadodos detritos. Isto se realiza utilizando técnicas bem conhecidas pelosmetalúrgicos; diz-se, no entanto, que ditas técnicas requerem muitapaciência, ingênio e esforço. Outra operação consiste na preparação dofogo secreto, Ignis Innaturalis, também denominado fogo natural. Osalquimistas definem este fogo secreto ou Primeiro Agente, como águaseca que não molha as mãos e como o fogo que arde sem chamas.Este é um tema que deu origem a incontáveis equívocos e confusões.Pontanus reconhece ter equivocado neste ponto mais de duzentasvezes. Realmente, essa substância é o sal, preparado a partir de cremortártaro mediante um processo que requer perícia e um perfeitoconhecimento da química. O processo inclui a utilização do orvalhoprimaveril, que se recolhe de uma forma ingeniosa e poética e que acontinuação é o destilado. Quando já estão preparados a matéria-primae o Primeiro Agente da Obra, os preliminares se dão praticamente por
 
finalizados. A matéria-prima é introduzida num morteiro de ágata (ou dealguma outra substância de grande dureza), é amassada com o maço,misturado com o fogo secreto e umedecida com o orvalho. A "mistura"resultante é introduzida na continuação, num recipiente herméticamentefechado ou "Ovo Filosofal", que se coloca no interior do forno de Atenor,o forno dos Filósofos. Este Atenor está desenhado de tal forma que o ovopode se manter a uma temperatura constante durante longos períodosde tempo. O fogo exterior estimula a ação do fogo interior, razão pelaqual deve ser controlado; em caso contrário embora o recipiente não serompa, todo o trabalho se estragará. Durante essa etapa inicial, o calordo nascimento dos pintinhos tem muitos pontos em comum com oprocesso alquímico. Dentro do ovo, os dois princípios contidos namatéria prima - um solar, quente e masculino, conhecido como enxofre,e o outro lunar, frio e feminino, conhecido como mercúrio - atuam umsobre o outro. “Então, estes dois (que Avicena chama a cadelaCorascene e o cão Armênio)” - escreve Nicolas Flamel - "estes dois, digo,ao colocá-los juntos no recipiente do sepulcro, se mordem de uma formacruel e pelo seu forte veneno e terrível ira nunca se soltam a partir domomento em que se agarram (se o frio não o impede), até que os doiscomo conseqüência das suas babas venenosas e dos seus ataquesmortais, terminam completamente ensangüentados e acabam matando-se e cozinhando-se no seu próprio veneno que, depois da sua morte, osconverte em formas naturais e primitivas, para passar depois assumiruma forma nova, mais nobre e melhor". Desta forma, a morte - que éuma separação - lhe segue um longo processo de decadência que duraaté que tudo apodrece e os contrários se dissolvem no nigredo líquido.Esta escuridão que supera todas as outras escuridões, este negrumeentre os negrumes, é o primeiro signo inequívoco de que se dá conta deestar no bom caminho; daí o aforismo dos alquimistas: “Não há geraçãosem corrupção”. A etapa de negrume acaba quando a superfície domercúrio voa pelo ar alquímico dentro do microcosmo do Ovo Filosofal,"no ventre do vento", recebendo as influências celestinas epuricicadoras de cima. Volta a cair, sublimado, sobre a Nova Terra quefinalmente emerge. Ao ir aumentando muito lentamente a intensidadedo fogo exterior, as partes secas vão ganhando terreno às úmidas, atéque o continente aparecido se coagula e se desseca completamente.Enquanto isto sucede, aparece um incontável número de belas coresque correspondem à etapa conhecida como Causa do Pavão Real. Nofinal do "segundo trabalho" aparece a Brancura, o albedo. Quando sealcança a Brancura, diz-se que o sujeito já tem força suficiente pararesistir ao calor do fogo e só tem que dar um passo mais para que o ReiVermelho ou Enxofre dos Sábios, saia do ventre da sua mãe e irmã, Ísisou o mercúrio, Rosa Alva, a Rosa Branca. No terceiro trabalho serecapitulam as operações do primeiro, que adquirem agora um novosignificado. Começa com pompa de uma boda real. O Rei se reúne noFogo do Amor (o sal ou fogo secreto) com a Rainha bendita. Como
 
Cadmo atravessou a serpente com a sua lança, o enxofre vermelho fixao mercúrio branco, e com esta união se consegue a perfeição final,nascendo a Pedra Filosofal.Resumindo brevemente:Dentro da Obra existem três pedras ou três trabalhos ou três graus deperfeição.O primeiro trabalho termina quando o sujeito está completamentepurificado (mediante sucessivas destilações e solidificações) e reduzindoa uma substância mercúrica pura.O segundo grau da perfeição se alcança quando dito sujeito foi cozido,digerido e fixado, convertido-se no enxofre incombustível.A terceira pedra aparece quando o sujeito foi fermentado, se multiplicoue alcançou a Perfeição Final, sendo uma tintura fixa e permanente: aPedra Filosofal.
A Aquimia Verdadeira e a Falsa
Como os verdadeiros objetivos da alquimia sempre ficaram encobertospelo simbolismo hermético com que se exprimem os conhecimentossobre a transmutação dos metais, é inevitável que surjam erros econfusões quando os não iniciados tentam interpretar de forma muitoliteral as receitas esotéricas. Fascinadas pelo espelhismo fatal do ouro,pessoas de todas as índoles - quem os verdadeiros alquimistas chamamdesdenhosamente de "puffers", por utilizar os foles de uma formafrenética -, ignorando os princípios verdadeiros da arte, realizaraminumeráveis experimentos, normalmente sem nenhum êxito,freqüentemente com resultados desastrosos, que fizeram com que aalquimia fosse desprezada e considerada uma "arte falsa", dando pé aatitudes tão desdenhosas como a de Chaucer:
“Quem pratique estamaldita arte não terá nunca ouro bastante, porque todo o ouronisto investido, não há dúvidas, o verá perdido”!
A resposta clássica a estas linhas nos é fornecida por Artephius:
"Pobre imbecil! Verdadeiramente és tão idiota para acreditarque ensinamos de forma aberta e clara o maior e o maisimportante de todos os segredos? Garanto-te que quemexplique com o sentido literal e corrente das palavras o queescreveram os filósofos, se encontrará envolvido pelosmeandros de um labirinto do qual nunca conseguirá escapar,

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