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CIBER- REBELDES E AS NOVAS PRÁTICAS DA COMUNICAÇÃO
Diego Silva Pinto 
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, Monica Franchi Carniello 
 
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Universidade de Taubaté/ Departamento de Comunicação Social/ R. do Colégio, 334 Taubaté, SP,diegosieg@gmail.com
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Universidade de Taubaté/ Faculdade Maria Augusta. Professora Doutora do Departamento deComunicação Social e do Mestrado em Gestão de Desenvolvimento Regional, R. do Colégio, 334 Taubaté,SP, monicafc@bol.com.br
Resumo-
A tecnologia digital reconfigurou as mídias e estabeleceu novos paradigmas na teoria dacomunicação. Entre as mudanças, destacam-se a questão da hibridização entre emissor e receptor e aestrutura comunicacional no formato ‘todos para todos’. Porém, esta realidade não se desenvolveu de umahora para a outra e, consequentemente, contou com o apoio de algumas pessoas para a sua evolução. Oobjetivo dessa pesquisa foi o de mostrar estas transformações e o papel dos ciber-rebeldes - hacker,cracker, phreaker, cypherpunk, script kiddies, ravers e zippies – nelas. Por meio de uma pesquisabibliográfica, traçamos o perfil de cada uma dessas personagens, suas ações, ideologias, objetivos e, ainda,identificamos a influência desses rebeldes no processo de comunicação. O resultado do trabalho foi aconstatação de que esses novos atores sociais, que ganham vida com a Internet, tiveram e têm um papelde extrema importância no desenvolvimento e consolidação da rede e, também, são um dos responsáveispela alteração de padrões nos processos de comunicação.
Palavras-chave:
 
internet, teoria da comunicação, tecnologia digital, receptor.
Área do Conhecimento:
Ciências Sociais Aplicadas – Comunicação Social
Introdução
A Internet, logo após ser privatizada e sairdo isolamento inicial das universidades e serviçosde inteligência, alavancou o homem a uma novaforma social, caracterizada por Castells como“sociedade em rede”.Em uma rápida análise, pode-se dizer que“na internet, não há limites para a informação.Milhões de computadores em todo o mundo estãointerligados em sintonia com o nascimento de umasociedade da informação.” (MEDEIROS, 2002,p.14-15). Como aponta Nicola,o ciberespaço reúne a nova sociedadeda informação; uma sociedade que sereorganiza num espaço sociotécnico,suportada por uma linguagemhipertextual de códigos, que consisteem diferentes nós de texto digital.(2004, p.26).Uma realidade caótica, em que dadostrafegam em constante movimento e podem seracessados de qualquer ponto do planeta, aqualquer momento do dia.A humanidade está inserida neste novoambiente, definido por Lévy (1999) como o‘espaço do saber’. Neste organismo, a construçãoda realidade se dá através dos conhecimentosacumulados e compartilhados entre os cidadãosglobais, o que pode instaurar uma verdadeirainteligência coletiva, "uma inteligência distribuídaem todas as direções, valorizada sem cessar,coordenada em tempo real, e que chega a umavalorização e mobilização efetiva decompetências" (p.34).Como é característica da rede, oagrupamento de pessoas em função de interesses(comunidades virtuais) torna-se evidente e, ainda,fomenta a consolidação de um novo terreno dacomunicação social. “Essas comunidadespossuem uma natureza autônoma, com altaconectividade entre as mesmas, e, portanto, umgrande potencial de disseminação de mensagens.”(CARNIELLO, 2006). Por outro lado, Nicola (2004)acredita que, por meio da Internet, além dosmilhares de serviços on-line, as pessoas convivemcom uma nova faceta da mídia digital: apossibilidade de o usuário ser o objeto e o sujeitoda ação dentro da mídia. Fato importante e que jáleva “muitos autores a defenderem a idéia do fim,ou pelo menos, da diminuição do podermassificante dos meios de comunicação.”(MEDEIROS, 2002, p.11).Este trabalho tem por objetivo discutir apossível interferência no processo decomunicação na rede mundial de computadores,por parte das personagens do sub-mundo daInternet, os ciber-rebeldes, e sua relação com osnovos paradigmas estabelecidos perante osprocessos da comunicação.
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Controle e liberdade na rede
Uma plataforma sem centro, bordas elimites pré-estabelecidos. A Internet, mesmo tendosua origem em domínio militar, nasceu assim:livre, descentralizada e, por que não, inspiradapela forma política anárquica.Criada como um meio para aliberdade, nos primeiros anos de suaexistência mundial, a Internet pareceuprenunciar uma nova era. Osgovernos pouco podiam fazer paracontrolar os fluxos de comunicaçãocapazes de burlar a geografia e,assim, as fronteiras políticas. Aliberdade de expressão podia sedifundir através do planeta, semdepender da mídia de massa, umavez que muitos podiam interagir commuitos de maneira irrestrita.(CASTELLS, 2003, p.139)Mas, com o passar do tempo e com arápida propagação da tecnologia digital pelomundo, a rede passou a ficar exposta avulnerabilidades e também a diversas falhas desegurança que fizeram com que a Net passasse asofrer tentativas de controle por parte do Estado edas corporações.Existe hoje uma luta brutal pelocontrole da informação no ambientedas redes. O grande desenvolvimentodo comércio eletrônico e a entradadas instituições oficiais do Estado naInternet fez com que a rede passassea ser vista como mais um instrumentode manipulação e poder. (MEDEIROS,2002, p.143)Diante desse cenário, personagens dosubmundo da Internet atuam como responsáveispelo desenvolvimento e proliferação dastecnologias computacionais por todo o planeta.Esses atores sociais são necessários para amanutenção de um possível equilíbrio entre oscontroles impostos à rede, à liberdade e àsegurança de dados.Os novos rebeldes são uma espéciede guia no mundo cibernético. Sãonecessários para que possamos ter aconsciência dos perigos que osprogramas das grandes corporaçõesrepresentam para nossa privacidade(MEDEIROS, 2002, p.148).Alguns dos principais personagens dosubmundo da Internet são:
Phreakers: conhecidos como piratas dotelefone e atuam desde o início da décadade 1960, antes do advento da Internet.
Hackers: lutam pela democratização dainformação na rede e possuem elevadoconhecimento técnico.
Crackers: são a versão negra dos hackers.Com alto grau de conhecimento técnico,invadem sistemas com objetivosdestrutivos e visando ganhos pessoais.
Script kiddies: realizam invasões apenaspor brincadeira ou para provar paraamigos do que são capazes
Cypherpunks: grupo restrito e que possuiideologia voltada para a manutenção daprivacidade nos ambientes de rede.
Ravers e zippies: grupos de rebeldesfestivos, com ideologias e objetivosinspirados em movimentos de um passadonão tão distante.Nessa dinâmica existente entre os polosliberdade e controle dos processos decomunicação, os ciber-rebeldes reconfiguramprocessos, subvertem ordens, sinalizampossibilidades, o que ajuda a romper osparadigmas da teoria da comunicação.
Materias e métodos
A pesquisa desenvolvida foi de caráter descritivo eusou o método de coleta de dados bibliográfico.
As mudanças no processo de comunicação
Decorrentes do interesse por compreendera comunicação, diversas tentativas de modelos deprocesso foram desenvolvidos. Naturalmente,esses modelos diferem uns dos outros. Mas,segundo Berlo (2003), a base para grande partedeles encontra-se no pensamento desenvolvidopelo filósofo Aristóteles. Para ele, ao se estudarum processo de comunicação deve-se olhar paratrês ingredientes: quem fala, o discurso e aaudiênciaUm dos modelos contemporâneosmais usados foi elaborado em 1947pelo matemático Claude Shannon epelo engenheiro eletricista WarrenWeaver. [...]. Disseram eles que osingredientes da comunicação incluem:1) a fonte, 2) o transmissor, 3) o sinal,4) o receptor, 5) o destinatário. Setraduzirmos a fonte como a pessoaque fala, o sinal como o discurso e odestinatário como o ouvinte, teremos omodelo aristotélico, acrescidos de doisingredientes: o transmissor, que enviaa mensagem da fonte, e o receptor,
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que capta a mensagem para odestinatário. (BERLO, 2003, p.29-30)Em um primeiro momento a humanidadeesteve inserida em um processo interpessoal decomunicação. Este modelo é formado de uma ouduas vias de transmissão e recepção deinformações.
FIGURA 1 – Processo de Comunicação Interpessoal 
Os clássicos meios de comunicação demassa – imprensa, rádio, livros, TV – apresentamuma estrutura em forma de estrela, ‘um paratodos’, onde um centro emissor envia informaçõesem direção aos receptores.
FIGURA 2 – Processo de Comunicação de Massa (centro emissor -> receptores)FIGURA 3 – Processo de Comunicação de Massa (centro emissor -> receptores)
No ciberespaço, todos os usuáriospassam a ser tanto emissores quanto receptoresde informações, portanto adquirem maior liberdadena produção e obtenção de conhecimento. “O queconstituiu nele essa liberdade foi a própriaestrutura do sistema cibernético. O ciberleitormanipula a cibermídia bem como por ela émanipulado, ao contrário das mídias de difusãotradicional, que permitem apenas a segundacondição” (NICOLA, 2004, p.39).O processo ciberespacial reúne, portanto,as características dos dois sistemas e, ainda,atualiza a estrutura de difusão e recepção dedados. “O ciberespaço combina as vantagens dosdois esquemas anteriores. De fato, permite, aomesmo tempo, a reciprocidade na comunicação ena partilha de um contexto. Trata-se decomunicação conforme um dispositivo ‘todos paratodos’” (LÉVY, 2003, p.195).
FIGURA 4 – Processo Comunicacional Ciberespacial (inexistência de um centro emissor – sistema ‘todos para todos’)
Conclusão
As admiráveis transformações ocorridasna sociedade mundial junto ao nascimento eevolução da Internet, fazem com que ahumanidade passe a rediscutir e, assim,desenvolver novas interpretações com relação àrealidade.Como foi apontado, os ciber-rebeldes,principalmente os hackers, desde a criação dociberespaço, foram e são fundamentais para odesenvolvimento e consolidação das novastecnologias baseadas na micro e tele-informática.Tornou-se evidente a função dessesrebeldes no processo de adaptação econsolidação do novo ambiente destinado àprática da comunicação social. Pelo fato do grandeconhecimento da estrutura que envolve ociberespaço, estas personagens, além departiciparem da construção de novas ferramentas,também são as responsáveis pelo equilíbrionecessário em um palco de ações sociais comestrutura descentralizada – a mesma apresentadapela Internet. Como foi abordado, este território,construído por princípios anarquistas, ainda podeser considerado como uma terra de ninguém, ondegrupos, principalmente os Estados e as grandescorporações capitalistas, buscam obter controle,impondo regras e censura aos demais usuários.Por conseqüência, pode-se identificar aí aimportância dos ciber-rebeldes nesse contexto.
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