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POR UM DIA DE SOL
Hero in blue
Terri McGraw
JULIA 438Um amante ardente, mas que exigia rendição total!
O medo de Iara se desfez ao toque mágico das mãos de de Angelo sobre seu corpo.Um beijo na nuca, um leve roçar nos seios, o despertar lento de um desejo arrebatador.Mas esse foi apenas um momento. Durante toda a vida ela nutrira a descrença noamor, o desprezo por homens que se julgavam superiores às mulheres. Agora sentia-sepresa numa armadilha. O homem que a guiava nos caminhos do prazer desejava mantê-laà mercê de suas vontades!
Digitalização: Marina CamposRevisão: ValdiléaFormatação: Ana Ribeiro
 
Julia 0438 - Por um dia de sol - Terri Mcgraw
CAPÍTULO I
A figura delicada de Iara contrastava com a movimentada delegacia de polícia deScarborough. Os longos e sedosos cabelos castanhos caíam livres sobre os ombros,emoldurando o rosto de traços perfeitos. Caminhando com sua natural graça e leveza,atravessou o hall.Os dois policiais postados perto da entrada pararam a conversa para admirá-la; asmulheres que aguardavam para ser interrogadas, examinaram-na de alto a baixo comindisfarçável inveja. Indiferente, ela seguiu até o fim do corredor, parando em frente àporta com a inscrição: "Sala de Interrogatório n.° 3". Respirou fundo e entrou no pequenocômodo. Permaneceu um instante sem se mover, até acostumar a vista com a fracailuminação. Observou o homem sentado diante de uma pequena mesa, tentando conter onervosismo. Era a primeira vez que enfrentava tal situação.Olá disse, rompendo o sincio opressivo. Sou Iara Lockridge. Fuidesignada para acompanhar e cuidar do seu caso.O homem levantou a cabeça e ela encarou o rosto frio e impassível que a olhavacom completo desinteresse. Apreensiva, Iara sentou-se de frente para ele, procurandomanter certa distância. Era alto, magro, quase esquelético. Tinha traços irregulares e umar inexpressivo.O advogado que cuidava deste processo adoeceu e... Tentou dar umaexplicação, mas desistiu diante* daquela possibilidade. Abriu a maleta e retirou umapasta. Em seguida leu em voz alta: — James Dean Baker.Quase perguntou se o nome fora-lhe dado em homenagem ao famoso artista, mas aapatia do homem a desencorajou. Não parecia disposto a conversar. Melhor entrar logono assunto.— Senhor Baker, agora...— Jimmy — interrompeu ele com certo enfado.— O que disse?— Todos me chamam de Jimmy,Iara assentiu, acenando a cabeça, e Baker esboçou um sorriso com os lábios finos.Aquela estranha apreeno voltou a tomar conta dela. Participara de dezenas deentrevistas durante o período de treinamento no escritório da defesa pública e agora suafunção consistia em representar legalmente aqueles que não possuíam condiçõesfinanceiras para contratar um advogado particular. Vira pessoas acusadas de tudo, desdevadiagem até assalto a mão armada. Observando agora o homem diante de si mal podiacrer que fosse o autor de três homicídios de primeiro grau. Estava preso havia umasemana, acusado da morte de três pessoas, uma delas um policial.Ela desviou o olhar para os documentos, aproveitando para recompor as idéias. Leratantas vezes as informações ali contidas que quase decorara tudo. James Dean Baker nascera em Battom Rouge, no Estado de Luisiana. Tinha trinta e quatro anos de idade evagara pelo país durante metade da vida. A ficha de controle da pensão de auxílio-desemprego indicava que trabalhara em vários serviços, passando por diversos Estadosnos últimos dezessete anos. Não havia qualquer registro ou ocorrência policial.Uma semana antes, diante de um cinema, várias pessoas assistiram horrorizadas
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Julia 0438 - Por um dia de sol - Terri Mcgraw
Baker disparar vários tiros contra um carro estacionado. Os ocupantes do veículomorreram na hora. Foram posteriormente identificados como a ex-garota de Baker, uma jovem de nome Stacy Reed e Michael Gardner, com quem ela andava. Após o tiroteioBaker fugiu para dentro do cinema. Perseguido pela polícia, acabou matando o sargentoMac Vitelli. Finalmente, conseguiram prendê-lo, mediante o uso de gás lacrimogêneo.Quando Iara leu o relatório pela primeira vez, ficou um tanto chocada. Tudo era novopara ela. Parecia mais um drama de televisão do que acontecimento real. Fora criadanuma pacata cidade do interior, onde só se tomava conhecimento de crimes violentos naspáginas dos jornais.Ela já o tinha observado dias antes daquela entrevista, mas sem lhe falar.O comportamento de Baker na prisão chamou-lhe a atenção. Alternava momentosde atitudes infantis com ataques de choro melancólicos. Quando iniciou-se o processocriminal, durantea audiência prévia com o juiz, ele descontrolara-se tanto que pediram o seuencaminhamento a um psiquiatra. O laudo psiquiátrico informava que Baker sofria de umestado de "desorientação" e de "falta de senso de realidade". Iara percebera desde logosintomas que demonstravam algo de estranho nele. Será que alguém, com a cabeça nolugar, seria capaz de cometer um crime destes?Baker brincava com um cinzeiro de metal colocado sobre a mesa. De repente olhoupara ela com um estranho sorriso.— Dona, por favor, um cigarro.— Lamento, mas não tenho para lhe dar. Não fumo. Baker amoleceu o corpo contraa cadeira, cerrando os lábios.— Vamos conversar, Jimmy, a respeito daquele dia em que você...— Quero um cigarro — choramingou ele. Depois cruzou os braços e olhou para ochão, recusando-se a falar.Iara suspirou frustrada e procurou algumas moedas na bolsa. Tinha que fazer qualquer coisa para que ele falasse.— Vou pedir ao guarda para consegui-los para você — disse ao se levantar e ir até aporta da sala.— Com filtro — gritou Baker. — Andaria quilômetros a pé para conseguir isso.Ela pediu cigarros ao guarda e voltou a sentar-se defronte a Baker. Começaraaquela segunda-feira com grande disposição para o trabalho. O período de estágioterminara e agora devia resolver os problemas por sua própria conta. Larry Randolph, seuchefe, ao entregar-lhe a pasta de Baker, a encarara com um certo ar de desculpas. Oescritório estava desfalcado de pessoal em virtude de uma epidemia de gripe. Casocontrário ele teria designado um dos seus auxiliares mais experientes. A gravidade dasacusações que recaíam sobre o primeiro cliente de Iara deixara-a atemorizada, mas, aomesmo tempo, estimulada com o desafio. Escolhera Direito Penal como especialidade eessa era a sua chance de demonstrar talento na área criminal.Quando o guarda retornou com os cigarros, Baker agarrou-os ansioso. Pediu quelhe acendesse um e passou a fumá-lo, soltando longas baforadas de fumaça, enquantoolhava para Iara com um sorriso insinuante.— Obrigado, dona. Você é legal! Ela procurava esconder o desespero.Jimmy, amané dia da audiência preliminar. O juiz vai ouvir nossosdepoimentos e decidise voteou o que se submeter a julgamento. Esentendendo?O lábio inferior de Baker tremia e Iara escolhia as palavras tentando explicar-lhe asituação.— Estou em apuros — disse balançando a cabeça em sinal de afirmação.
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