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A Guerra Fria

A Guerra Fria

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10/31/2012

 
A GUERRA FRIA E A BIPOLARIDADEI – INTRODUÇÃOPrimeiramente cabe aqui fazer uma consideração sobre o conceito em si.Habitualmente refere-se à Guerra Fria como um conflito que em múltiplas variantesopunha norte-americanos e soviéticos. Dos esportes à exploração espacial, das forçasmilitares às ideologias, dos sistemas econômicos às organizações políticas, esta rivalidade perpassava diferentes níveis e aspectos, unidos porém na noção de conflito.Mas talvez caibam outras interpretações sobre o período. A primeira diz respeito aguerra fria como uma forma de convergência de interesses, mutuamente recíprocos emtermos da preservação dos respectivos
 status quo:
da mesma forma que as aspiraçõessociais na América Latina foram vistas como manifestações de comunismo, os posterioresmovimentos de oposição ao governo soviético por parte dos húngaros (1956) ou tchecos(em 1968), foram apresentados como ações provocativas de capitalistas, justificando-se arepressão contra eles. Em ambas situações, a guerra fria servia como pretexto para que osEUA e a URSS mantivessem suas áreas de influência sob controle. O conflito, aqui, era umacordo entre as superpotências.Também podemos entender o período como uma oportunidade para que as demais potências – ainda que coadjuvantes – fossem isoladas e mantidas submissas às duassuperpotências.Mesmo a temporalidade que envolveu a rivalidade entre soviéticos e norte-americanos não é vista de forma unânime, com seu início variando de 1945 – com osataques nucleares ao Japão -, 1947 – com a doutrina Truman de contenção ao comunismo – e ainda, 1949, com a detonação de uma bomba A soviética, rompendo o monopólio nuclear americano, então vigente.II – DESENVOLVIMENTO
 
Justificando-se à partir das guerras civis então em curso na Grécia e Turquia, ondeos comunistas aparentavam estar perto da tomada do poder nestes países, o presidenteHenry Truman anunciou a nova orientação da diplomacia dos EUA: conter oexpansionismo soviético aonde fosse. Apenas um detalhe: Stálin, voltado para areconstrução da URSS após a guerra, ciente do poderio militar e econômico norte-americano e sem nenhuma intenção de provocar um atrito com os EUA, não moveu uma palha para ajudar os comunistas grego-turcos; logo, o pretexto de Truman era umamanipulação.Seguiriam-se então o Plano Marshall de reconstrução européia, a unificação daszonas de ocupação americana, inglesa e francesa na Alemanha e Berlim – originando aconstituição da República Federal Alemã (RFA), e uma aliança militar: a OTAN(Organização do Tratado do Atlântico Norte).A reação soviética a estes eventos foi equivalente. Por meio do COMECON buscoucriar no leste europeu um “mercado” privilegiado e voltado para a consolidação dosocialismo. Formou-se uma aliança rival à OTAN, o chamado Pacto de Varsóvia. Osgovernos do leste foram “sovietizados”, incorporando-se às estruturas produtivas, sociais e políticas da própria URSS. E em resposta pela formação da RFA, Stálin patrocinou aformação de uma Alemanha Oriental pró-soviética (RDA).Enquanto as relações se deterioravam os EUA iniciavam a chamada “caça às bruxas” e o macartismo – intensificados pela competição nuclear e denúncias de traição eespionagem por toda parte. No leste, o bloqueio de Berlim, a Revolução Chinesa, a guerra
 
da Coréia e o início do conflito no Vietnã, também apontavam para uma espiral de conflitossempre em expansão.Mas na década de 50, a morte de Stálin e o início da desestalinização, aaproximação soviética com os EUA, o rompimento sino-soviético, o Sputnik, odesenvolvimento dos mísseis intercontinentais e o das armas nucleares para outro patamar – o advento das bombas de hidrogênio -, levaram a uma redefinição das relações entre assuperpotências: a Coexistência Pacífica.Mas ao contrário da expressão, a política de convergência de interesses continuouassociada com a persistência das crises: a revolução cubana, a descolonização afro-asiática,as guerras árabe-israelenses, etc. Por sinal, a crise dos mísseis de 1962 colocou o mundo à beira da guerra nuclear, embora terminasse com o recuo soviético.Internamente a URSS não alcançou os resultados esperados. Enfraquecido no fronteconômico, isolado pela linha dura no PCUS e amargando a humilhação do desfecho dacrise cubana, Kruschev acaba afastado, inicialmente por uma
tróika
composta por Brejnev,Podgorny e Kossigyn, tornando-se o primeiro, posteriormente, o único detentor do poder. Na década de 70 enquanto o Kremlin implementava a
 Deténte
ou degelo – um prosseguimento da Coexistência sob outra denominação – a URSS seguiu ampliando suasforças militares convencionais e estratégicas, enquanto ia fincando pé em Angola,Moçambique, Etiópia e sul da África. Reforçou sua presença no Caribe, apoioumovimentos guerrilheiros na Nicarágua, El Salvador e Honduras, reforçou o contingentemilitar em Cuba, financiou a construção de um grande aeroporto de uso militar em Granadae flertou com o governo surinamês, bem como ocupou o Afeganistão e enquadrou seus“satélites” na Europa do leste.Por outro lado, os EUA enfrentavam um declínio militar após o fiasco no SudesteAsiático, e representado pela expulsão do Irã e a queda de aliados nas Filipinas e Nicarágua, além da crise econômica mundial decorrente dos choques do petróleo. A prioridade do governo Carter em favor dos direitos humanos foi vista como o abandono de“amigos” anticomunistas e uma oportunidade da URSS de aproveitar a falta de vontade dosEUA.A década seguinte foi marcada pela ascensão de Ronald Reagan e a retomada daGuerra Fria com uma nova e mais dispendiosa corrida armamentista. Proclamando ser aUnião Soviética o “império do mal”, a Casa Branca implementou um grande programa deinvestimentos em mísseis de médio alcance a serem posicionados na Europa (os Pershing),um novo tipo de arma nuclear – a bomba de Nêutrons -, novos aviões de bombardeioestratégico (o B-1), submarinos nucleares mais sofisticados, devastadores e silenciosos, etc,além do dispendioso programa denominado de
Guerra nas Estrelas
ou Iniciativa de DefesaEstratégica, que previa o desenvolvimento de sistemas de observação mais avançadoscomplementados com armas de raios instalados no espaço ou não e destinadas a destruir osmísseis inimigos antes de atingir o território dos EUA ou seus aliados.Estes programas representavam gastos de bilhões de dólares e compensariam, pelainclusão de tecnologia de ponta, a disparidade militar convencional do Pacto de Varsóvia. No Caribe/América Central, forneceram-se recursos militares, logísticos e financeiros paradeter as guerrilhas em El Salvador e Honduras e impedir os sandinistas nicaragüenses de seconsolidarem no poder, mediante apoio e estímulo aos denominados
Contras
numa guerracivil, além de invadir o Panamá e Granada. No Oriente Médio, com anuência e aval norte-americano, o Iraque de Saddam Hussein foi a guerra contra o Irã revolucionário islâmico,enviaram-se forças militares para o Líbano, confirmaram-se os vínculos com Israel e as

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