da Coréia e o início do conflito no Vietnã, também apontavam para uma espiral de conflitossempre em expansão.Mas na década de 50, a morte de Stálin e o início da desestalinização, aaproximação soviética com os EUA, o rompimento sino-soviético, o Sputnik, odesenvolvimento dos mísseis intercontinentais e o das armas nucleares para outro patamar – o advento das bombas de hidrogênio -, levaram a uma redefinição das relações entre assuperpotências: a Coexistência Pacífica.Mas ao contrário da expressão, a política de convergência de interesses continuouassociada com a persistência das crises: a revolução cubana, a descolonização afro-asiática,as guerras árabe-israelenses, etc. Por sinal, a crise dos mísseis de 1962 colocou o mundo à beira da guerra nuclear, embora terminasse com o recuo soviético.Internamente a URSS não alcançou os resultados esperados. Enfraquecido no fronteconômico, isolado pela linha dura no PCUS e amargando a humilhação do desfecho dacrise cubana, Kruschev acaba afastado, inicialmente por uma
tróika
composta por Brejnev,Podgorny e Kossigyn, tornando-se o primeiro, posteriormente, o único detentor do poder. Na década de 70 enquanto o Kremlin implementava a
Deténte
ou degelo – um prosseguimento da Coexistência sob outra denominação – a URSS seguiu ampliando suasforças militares convencionais e estratégicas, enquanto ia fincando pé em Angola,Moçambique, Etiópia e sul da África. Reforçou sua presença no Caribe, apoioumovimentos guerrilheiros na Nicarágua, El Salvador e Honduras, reforçou o contingentemilitar em Cuba, financiou a construção de um grande aeroporto de uso militar em Granadae flertou com o governo surinamês, bem como ocupou o Afeganistão e enquadrou seus“satélites” na Europa do leste.Por outro lado, os EUA enfrentavam um declínio militar após o fiasco no SudesteAsiático, e representado pela expulsão do Irã e a queda de aliados nas Filipinas e Nicarágua, além da crise econômica mundial decorrente dos choques do petróleo. A prioridade do governo Carter em favor dos direitos humanos foi vista como o abandono de“amigos” anticomunistas e uma oportunidade da URSS de aproveitar a falta de vontade dosEUA.A década seguinte foi marcada pela ascensão de Ronald Reagan e a retomada daGuerra Fria com uma nova e mais dispendiosa corrida armamentista. Proclamando ser aUnião Soviética o “império do mal”, a Casa Branca implementou um grande programa deinvestimentos em mísseis de médio alcance a serem posicionados na Europa (os Pershing),um novo tipo de arma nuclear – a bomba de Nêutrons -, novos aviões de bombardeioestratégico (o B-1), submarinos nucleares mais sofisticados, devastadores e silenciosos, etc,além do dispendioso programa denominado de
Guerra nas Estrelas
ou Iniciativa de DefesaEstratégica, que previa o desenvolvimento de sistemas de observação mais avançadoscomplementados com armas de raios instalados no espaço ou não e destinadas a destruir osmísseis inimigos antes de atingir o território dos EUA ou seus aliados.Estes programas representavam gastos de bilhões de dólares e compensariam, pelainclusão de tecnologia de ponta, a disparidade militar convencional do Pacto de Varsóvia. No Caribe/América Central, forneceram-se recursos militares, logísticos e financeiros paradeter as guerrilhas em El Salvador e Honduras e impedir os sandinistas nicaragüenses de seconsolidarem no poder, mediante apoio e estímulo aos denominados
Contras
numa guerracivil, além de invadir o Panamá e Granada. No Oriente Médio, com anuência e aval norte-americano, o Iraque de Saddam Hussein foi a guerra contra o Irã revolucionário islâmico,enviaram-se forças militares para o Líbano, confirmaram-se os vínculos com Israel e as