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45153492 Violencia Domestica

45153492 Violencia Domestica

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02/15/2013

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Resumo
Este artigo analisa a dinâmica da violência domésticaa partir do discurso da mulher agredida e do parceiroautor da agressão. Foi elaborado a partir de uma pesqui-sa descritivo-exploratória com abordagem qualitativa,entre outubro de 2006 e janeiro de 2007, com trintacasais cujas mulheres haviam registrado na Delega-cia da Mulher de Florianópolis (Santa Catarina) duasou mais queixas por agressão contra o parceiro. Emcomparação com as mulheres, os homens tenderama negar a ocorrência e a diminuir a requência dasagressões. Os motivos das agressões mais apontadoscomo intererentes na dinâmica do casal oram o ciú-me, o homem ser contrariado, a ingestão de álcool e asuspeita de traição. O estudo revela as característicasdas agressões percebidas pelos membros do casal e aorma de eles entenderem os atores que repercutemna dinâmica de violência doméstica, não atribuindosomente à mulher o papel de porta-voz.
Palavras-chave:
 Violência doméstica; Violência contraa mulher; Maus-tratos conjugais.
Leila Platt Deeke
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde Públicae membro do Grupo de Pesquisa em Políticas de Saúde / SaúdeMental. Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal deSanta Catarina, Florianópolis.Endereço: Rua Santo Amaro, 279, Balneário, CEP 88075-510, Flo-rianópolis, SC, Brasil.E-mail: leiladeeke@gmail.com
Antonio Fernando Boing
Mestre em Saúde Pública. Doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciências Odontológicas da Universidade de SãoPaulo (USP).Endereço: Universidade Federal de Santa Catarina, Departamentode Saúde Pública, Campus Universitário, Trindade, CEP 88040-970,Florianópolis, SC, Brasil.E-mail: boing@ccs.ufsc.br
Walter Ferreira de Oliveira
Professor do Programa de Pós-graduação. Centro de Ciências daSaúde, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Líderdo Grupo de Pesquisa em Políticas de Saúde / Saúde Mental.Endereço: Universidade Federal de Santa Catarina, Centro deCiências da Saúde, Departamento de Saúde Pública, CampusUniversitário, Trindade, Caixa-Postal: 476, CEP 88040-900, Flo-rianópolis, SC, Brasil.E-mail: walter@ccs.ufsc.br
Elza Berger Salema Coelho
Professora do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública. Cen-tro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Santa Catarina,Florianópolis. Orientadora de mestrado da primeira autora.Endereço: Universidade Federal de Santa Catarina, Centro deCiências da Saúde, Departamento de Saúde Pública, Trindade,CEP 88040-970, Florianópolis, SC, Brasil.E-mail: elzacoelho@gmail.com1 Artigo apresentado como requisito para obtenção do título demestre, ao Programa de Pós-Graduação, Centro de Ciências daSaúde, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,em agosto de 2007.
A Dinâmica da Violência Doméstica: umaanálise a partir dos discursos da mulheragredida e de seu parceiro
Dynamics o Domestic Violence: an analysis rom theperspective o the attacked woman and her partner’sdiscourses
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 Saúde Soc. São Paulo, v.18, n.2, p.248-258, 2009
 
Abstract
This article analyzes the dynamics o domestic violen-ce rom the perspective o both the attacked woman’sand her partner´s speeches, the husband being theperpetrator. It was designed as a descriptive-explo-ratory research study with a qualitative approach,interviewing thirty couples in which the women hadregistered two or more complaints or aggressionagainst the partner in the Woman’s Police Station inFlorianópolis (Santa Catarina), between October 2006and January 2007. Contrary to many other studies,the majority o interviewees was active in the labormarket. Men, compared with women, were more proneto deny the occurrence or to diminish the requencyo aggression episodes. According to the categoriesestablished by data analysis, the main reasons or ag-gressive behavior interering in the couples’ dynamicswere jealousy, the man being contradicted, alcoholingestion and “love cheating”. The study discloses thecharacteristics o the aggressive behavior perceivedby both members o the couple and the way the coupleunderstands the actors that inuence the dynamics odomestic violence, not attributing only to the womanthe spokesperson role.
Keywords:
 
Domestic Violence; Violence Against Wo-men; Spouse Abuse.
Introdução
 A violência nas relações entre parceiros expressa di-nâmicas de aeto e poder e denunciam a presença derelações de subordinação e dominação. Essa dinâmicarelacional pode ser propiciada na medida em que a divi-são interna de papéis admite uma distribuição desigualde privilégios, direitos e deveres dentro do ambiente do-méstico, setor em que se defnem assimetrias de podercalcadas em dierenças de gênero. A herança culturaldo regime patriarcal, típico das sociedades ocidentaisde inuência judaico-cristã, media o convívio dentrodo espaço privado dos casais, confgurando o relacio-namento cotidiano como gerador de uma complexatrama de emoções, em que a sexualidade, a reproduçãoe a socialização constituem eseras potencialmentecriadoras de relações ao mesmo tempo prazerosas econitivas (Azevedo e Guerra, 2000). As agressões perpetradas pelo parceiro íntimo sãomundialmente reconhecidas como uma das ormasmais comuns de violência contra a mulher (Watts eZimmerman, 2002), que apresenta maior risco de seragredida ísica e sexualmente por quem convive inti-mamente com ela do que por qualquer outra pessoa(Garcia-Moreno e col., 2006). Do ponto de vista legisla-tivo, no Brasil a Lei n
o
11.340, sancionada em agosto de2006, estabeleceu como violência doméstica e amiliarcontra a mulher qualquer ação ou omissão baseada nogênero, que lhe cause morte, lesão, sorimento ísico,sexual, psicológico e dano moral ou patrimonial no âm-bito da unidade doméstica, da amília ou em qualquerrelação íntima de aeto na qual o agressor conviva outenha convivido com a oendida, independentementede coabitação. Ao revisar 48 pesquisas realizadas com populaçõesde todo o mundo, Heise e colaboradores (1999) identif-caram que de 10% a 50% das mulheres relatam teremsido maltratadas ou espancadas por seus parceirosem algum momento de suas vidas. A violência ísicaem relacionamentos íntimos é quase sempre acompa-nhada de violência psicológica; e de um terço à metadedos casos envolve violência sexual (Koss e col., 1994;Ellsberg e col., 2000). No Brasil, estudo realizado com749 homens de aixa etária entre 15 e 60 anos na ci-dade do Rio de Janeiro revelou que a violência ísica epsicológica oi usada, respectivamente, por 25% e 40%dos homens contra a parceira pelo menos uma vez na vida (Acosta e Barker, 2003).
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 As publicações sobre violência doméstica tendocomo sujeito de pesquisa o casal envolvido no eventonão possuem, na América Latina, a mesma amplitudeidentiicada nas investigações ocadas na mulheragredida. Castro e Riquer (2003)
 
enatizaram que aresistência dos homens em verbalizar sobre a violênciaculmina na centralização das investigações em tornodas mulheres agredidas, consideradas mais acessíveispara alar sobre o tema e também porque, azendoparte do grupo agredido, sentem-se mais inclinadas adeender a vigência de seus direitos. Assim, não temsido dada a oportunidade aos homens de verbalizaçãosobre as maniestações da agressão no contexto do lar.Esses atos propiciaram este estudo, que contemplao caráter relacional que contextualiza a violência noambiente doméstico. Assim, este artigo objetiva, ao apresentar umaanálise da dinâmica da violência doméstica a partir dodiscurso da mulher agredida e de seu parceiro autor daagressão, contribuir para o avanço do conhecimento,trazendo aportes ainda não extensamente explora-dos para a compreensão da dinâmica dos casais emconito.
Material e Métodos
Realizou-se uma pesquisa descritivo-exploratória comabordagem qualitativa, entrevistando-se 30 casaisde homens e mulheres que registraram episódio de violência doméstica entre outubro de 2006 e janeirode 2007. O critério de inclusão dos casais no estudooi a notifcação, por parte da mulher, à Delegacia deProteção à Mulher, à Criança e ao Adolescente de Flo-rianópolis (Santa Catarina), de ao menos dois boletinsde ocorrência contra seus parceiros por agressão. As entrevistas oram realizadas individualmentee em espaço reservado na delegacia quando da ida deambos para a consulta com o psicólogo. As conversasoram gravadas, garantindo-se a privacidade e o sigilodas inormações. Foram obtidos dados demográfcossobre os sujeitos da pesquisa, ormas de maniestaçãoda violência, concepções de violência por parte dos en-trevistados e motivo de o casal permanecer na relaçãotendo em vista o contexto de violência.Para a sistematização dos dados colhidos nas en-trevistas, utilizou-se a análise de conteúdo, conormea metodologia proposta por Bardin (1979). Nessa aná-lise, defniram-se as seguintes categorias descritivasdos motivos do comportamento violento no ambientedoméstico: c
iúme 
,
ser contrariado
,
ingestão de álcool 
e
traição.
Essas categorias constituíram o
corpus
deanálise. O perfl sociodemográfco dos entrevistadose os dados quantitativos sobre a violência praticadaoram registrados no programa EpiData 3.0 e para aobtenção das requências e médias de determinadas variáveis utilizou-se o programa Stata 9.No intuito de garantir o anonimato dos sujeitosda pesquisa oram utilizados nomes fctícios para ocasal, como: Paula/Paulo e Maria/Mário. A pesquisaoi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa daUniversidade Federal de Santa Catarina, sob o parecernº 246/06, atendendo à Resolução 196/96 do ConselhoNacional de Saúde.
Resultados e Discussão
Os sujeitos envolvidos
O tempo médio da relação conjugal entre os parceirosentrevistados oi de 11 anos, com mínimo de um ano emáximo de 32 anos. A idade média das mulheres queapresentaram queixas oi de 36 anos e dos homens de-nunciados de 40 anos. Quanto à escolaridade, 33,3% dasmulheres possuíam ensino undamental incompletoe 10,0% completo; também 10,0% iniciaram o ensinomédio, porém não o terminaram, e 26,7% conseguiramconcluir essa etapa de ensino. Um total de 20% dasmulheres tinha como grau máximo de escolaridade oensino superior. Dentre os homens, 40% apresentavamensino undamental incompleto e 10,0% completo.Por fm, 13,3%, 26,7% e 10,0% apresentavam, respec-tivamente, ensino médio incompleto, ensino médiocompleto e ensino superior. Apesar de se tratar de umaamostra de conveniência, o que impede a generalizaçãodos achados, esses valores sobre escolaridade dieremde outros estudos que apontam a baixa escolaridadecomo majoritária da mulher agredida pelo parceiro(Meneghel e col., 2000; Mota e col., 2007). A escolarida-de dos homens também dieriu do estudo de Menezes(2003), que evidenciou a menor escolaridade (ensinoprimário) como característica de homens envolvidosem situação de violência doméstica.Identiicaram-se 79,9% das mulheres inseridasno mercado de trabalho e, dessas, somente 16,7% nainormalidade. Chama-nos a atenção a alta proporção
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 Saúde Soc. São Paulo, v.18, n.2, p.248-258, 2009

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