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OS TRÊS CABELOS DE OURO DO DIABO

OS TRÊS CABELOS DE OURO DO DIABO

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02/09/2013

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 OS TRÊS CABELOS DE OURO DO DIABOHá muitos e muitos anos, numa casinha pobre, nasceu um menino bonito e forte, masque ao contrário de todas as outras crianças, nasceu com todos os dentes na boca. Os pais,assim que o viram, ficaram muito assustados, pensando tratar-se de alguma bruxaria. Asvizinhas, entretanto, tranquilizaram-nos, dizendo que nascer com dentes era sinal de boasorte. E uma delas, que era considerada feiticeira, profetizou que o menino, ao completarquinze anos, se casaria com a filha do rei do país.Um dia, quando o menino ainda era pequenino, o rei passou casualmente pela vila eouviu contar a história da criança, que se chamava "Filho da Sorte". Indignado com apossibilidade de ver a sua filha casada com um tipo qualquer, pobre e de origem humilde, o reiresolveu impedir que a profecia se cumprisse.Dizendo-se um rico comerciante, apresentou-se na casa onde vivia o Filho da Sorte.Tomou a criança nos braços e, fingindo estar encantado com a sua beleza, disse aos pais queera muito rico e não tinha ninguém a quem deixar a sua herança. Por isso, gostaria muito depoder levar o bebé e criá-lo como se fosse seu filho. O casal, no início, não aceitou a proposta,mas o rei foi tão hábil e convincente que os fez acreditar que daria ao menino uma vida muitomelhor do que a que ele teria naquela casa pobre.Assim, o perverso rei levou consigo o pequeno Filho da Sorte e, logo que se viu sozinho,fora da cidade, colocou-o numa caixa e atirou-a ao rio, com a certeza de que esta se afundaria,matando a criança.Mas o menino parecia merecer mesmo o nome de Filho da Sorte, pois a caixa, em vez deafundar, saiu a flutuar rio abaixo, indo parar no açude de um moinho.Um velho moleiro que ali trabalhava, pensando ter encontrado um tesouro, foi a corrertirar a caixa da água. Quando a abriu, ficou comovido por ver uma criança tão linda e espertadeixada ali para morrer. Como não tinha filhos, levou o bebé para casa. A mulher do moleiroficou muito feliz, e o Filho da Sorte cresceu ali, rodeado pelo carinho dos pais adotivos.O tempo passou e, um dia, alguns meses depois de o menino haver completado quinzeanos, o rei e a sua comitiva, viajavam pela região quando caiu uma tempestade muito forte.Como não havia nada por perto a não ser o moinho, o rei foi obrigado a pedir abrigo na casado velho moleiro.O casal de velhos recebeu-o muito bem. Para que o tempo passasse mais depressa,ficaram conversando com o rei. Não demorou para que a beleza e a vivacidade do Filho daSorte chamassem a atenção do monarca, que perguntou ao moleiro se o menino era seu filho.A mulher, inocentemente, respondeu-lhe que não, e acabou contando a história de comohaviam encontrado a criança.Quando ela acabou de falar, os olhos do rei ficaram vermelhos de ódio, pois logo seapercebeu de quem era o rapaz. Furioso por ele ainda estar vivo, começou imediatamente apensar numa maneira de liquidar o rapaz.Como estava no meio de uma grande viagem e demoraria muitos meses para voltar aopalácio, o rei ficou com medo de que a profecia se concretizasse durante a sua ausência.Assim, resolveu agir rapidamente e, dando algumas moedas aos velhos, pediu-lhes quedeixassem o rapaz levar uma mensagem à rainha, que habitava no palácio real.
 
Em seguida, mandou-o à sua mulher, ordenando na carta que ele levava escrita, que ela omandasse executar imediatamente.No dia seguinte, bem cedinho, lá se foi o Filho da Sorte na direcção da capital do reino,sem saber que levava nas mãos a sua própria sentença de morte.Andou o dia inteiro, sem descanso, pois queria chegar rapidamente ao palácio. Noentanto, como nunca havia deixado a vila em que morava, o rapaz desviou-se do caminhocerto e acabou por perder-se no meio da floresta.Quando já estava anoitecendo, o Filho da Sorte viu, numa clareira, uma cabana, onderesolveu pedir ajuda. Bateu à porta e uma velhinha muito bondosa veio atender. A mulheracolheu-o com simpatia e, depois de ouvir a sua história, deu-lhe de comer e de beber, masavisou-o que seria melhor ele não dormir ali, pois aquela cabana servia de esconderijo aperigosos ladrões, que certamente o matariam quando o encontrassem. O rapaz, entretanto,não teve medo e insistiu tanto que a boa senhora arranjou-lhe um canto da cabana ondepudesse dormir naquela noite.De madrugada, quando o Filho da Sorte dormia a sono solto, chegaram os ladrões. Avelhota, temendo pela vida de seu hóspede, avisou aos malfeitores que havia alguém nacabana, mas que se tratava apenas do filho de um moleiro que estava a caminho da capitalpara levar uma carta do imperador à mulher.O chefe dos bandidos ficou muito curioso para saber o conteúdo da carta e abriu-a paraler. Ao ver a maldade que estava fazendo com o pobre rapaz, ficou indignado e resolveupregar uma partida no malvado soberano. Imitando a letra do imperador, escreveu uma novamensagem à rainha, ordenando que ela casasse imediatamente a princesa com o portadordaquela carta. Em seguida, queimou a carta verdadeira e colocou a outra no seu lugar.Na manhã seguinte, o Filho da Sorte, sem saber de nada, partiu. Orientado pelo própriochefe dos ladrões, encontrou facilmente o caminho certo para a capital e horas depoisapresentava-se no palácio.A rainha, ao ler a mensagem que julgava ser do seu marido, preparou tudo para ocasamento, que se realizou naquela mesma tarde, na capela do palácio.Meses depois o rei voltou de sua viagem e, vendo a sua filha casada com o filho domoleiro, ficou furioso com a mulher. A rainha sem entender por que razão o seu marido estavatão furioso, mostrou-lhe a carta que havia recebido. Como não havia mais remédio para asituação, o rei decidiu não castigar nem a mulher nem o genro, para a felicidade da princesa,que gostava muito do marido. Por outro lado, era impossível aceitar que a princesa vivessecasada com um tipo qualquer, sem eira nem beira, como aquele; por isso o rei chamou o genroe disse-lhe:
Para eu consentir que você e a minha filha continuem vivendo juntos, é preciso quevocê se torne digno de ser um príncipe, realizando alguma façanha. Por isso, eu dou-lhe umatarefa para cumprir: quero que vá até o inferno e traga de lá três cabelos de ouro do Diabo. Seconseguir realizar esse feito, quando voltar eu o farei nobre.O Filho da Sorte, esperto e valente como era, partiu sem demora rumo ao inferno.Caminhou durante muitos dias, até chegar à porta de uma grande cidade, onde umasentinela lhe perguntou que problemas ele sabia resolver.
Todos!
respondeu o rapaz.
 
 
Todos?!
disse o guarda.
Então faça-me o favor de dizer por que a fonte do nossomercado, que antes jorrava um vinho delicioso, agora está tão seca que não solta nem umagota?
Não posso responder agora
ele respondeu
, mas, se me deixar passar, eu lhe trareia resposta na vinda.A sentinela, confiando na palavra do rapaz, abriu as portas da cidade para que elepassasse. O Filho da Sorte seguiu seu caminho e alguns dias depois chegou à porta de umaoutra cidade, onde havia outra sentinela que também lhe perguntou que problemas ele sabiaresolver.
Todos!
respondeu ele mais uma vez.
Ah, é?
disse a sentinela.
Então responda-me por que é que a árvore grande dos jardins do nosso rei, que antes dava frutos de ouro, agora está tão seca que não tem nenhumafolha?
Não posso responder agora
disse o rapaz
, mas, se me deixar passar, eu lhe trareia resposta na vinda!O guarda também acreditou na sua palavra e deixou-o seguir o seu caminho.Alguns dias depois, o filho do moleiro chegou a um grande rio que precisava de atravessarpara chegar ao inferno. Ali só havia um barqueiro que, ao vê-lo, perguntou a mesma coisa queas duas sentinelas. Quando ouviu o rapaz dizer que sabia resolver todos os problemas, obarqueiro, interessado, disse-lhe:
Meu jovem, se você sabe mesmo tudo, então explique-me qual a razão por que precisode ficar a vida inteira, sendo barqueiro, atravessando gente de um lado para outro do rio, semnunca encontrar uma alma boa que me venha substituir neste trabalho?
Não sei explicar o motivo
disse o Filho da Sorte
, mas, se me levar à outramargem, prometo que na volta eu trarei a resposta à sua pergunta!O barqueiro também acreditou na palavra do Filho da Sorte e levou-o para o outro ladodo rio.Bem perto dali ficava a porta do inferno. O rapaz bateu fortemente e esperou. Algumtempo depois, apareceu à porta a avó do Diabo, dizendo que o seu neto não estava. Como elaparecia ser uma boa pessoa, o moço contou-lhe sua história, e a velha, condoendo-se da suasituação, resolveu ajudá-lo.
Mas se o meu neto o encontrar aqui
disse ela
, vai ficar tão furioso que vai querermatá-lo e comê-lo assado para o jantar. Por isso preciso escondê-lo.Assim, a velha transformou o Filho da Sorte numa formiguinha e escondeu-o numa dasdobras de sua saia. Minutos depois, chegou a casa o Diabo, bastante faminto, pois tinhasentido o cheiro de carne humana, que era o seu prato preferido. Farejou por todos os cantosdo inferno, mas, como nada encontrasse, a velha lhe disse:
Tu andas com a mania de sentir o cheiro de pessoas! Vem comer que eu matei umfrango novo especialmente para o teu jantar!O Diabo comeu até se fartar e, depois, como era seu costume, deitou-se no colo da avópara que ela lhe fizesse festinhas na cabeça. Dali a pouco, dormia profundamente e a velhinhaaproveitou-se disso para arrancar o primeiro fio de ouro de sua cabeça.
Ai!
gritou Satanás.
O que é que você está fazendo avozinha?
Nada
respondeu a velhota.
É que tive um sonho mau e acordei agarrada aos seuscabelos!

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