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Retorno a Gramsci para uma crítica das teorias contemporâneas da sociedade civil

Retorno a Gramsci para uma crítica das teorias contemporâneas da sociedade civil

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XII CONGRESSO NACIONAL DOS SOCIÓLOGOS
GT POLÍTICA E PODER: TEORIA POLÍTICA
Alvaro Bianchi
 
Professor da Universidade Metodista de São Paulo
Retorno a Gramsci: para uma crítica dasteorias contemporâneas da sociedade civil
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
Curitiba – 1º a 4 de abril 2002
 
 
 2Resumo: As últimas décadas do século XX presenciaram a emergência de novosmovimentos sociais e de um renovado associativismo. A análise desse processo temmotivado interpretações que, em grande medida tem convergido para a idéia de umarevitalização da sociedade civil, o que provocou uma revalorização da capacidadeexplicativa de tal conceito. Tornou-se, assim, cada vez mais comum a referência a uma“sociedade civil organizada”, capaz de opor-se tanto ao Estado como ao mercado. A partir de uma recuperação do conceito de sociedade civil, tal qual aparece na obra deAntonio Gramsci, procuraremos demonstrar a artificialidade dessa separação entre astrês esferas e a necessidade de construir um conceito de Estado, que unificandosociedade política e sociedade civil, seja capaz de ir além da dicotomia Estado/mercado.As últimas décadas do século XX presenciaram a emergência de novosmovimentos sociais e de um renovado associativismo. Vinculado ao vigoroso ascensodos movimentos sociais no final da década de 1960, à luta pela expansão dos direitosfundamentais e à afirmação da identidade de atores sociais até então marginalizados,esse processo renovou as formas tradicionais de participação política introduzindonovas táticas de mobilização popular e novas formas organizativas.Os contextos nacionais do surgimento desses novos movimentos e organizaçõescertamente são por demais variados. Nos Estados Unidos ele esteve associado principalmente à mobilização contra a guerra do Vietnã, à afirmação da identidade denegros e mulheres e à expansão de seus direitos. Na Europa Ocidental as energiasliberadas pelas manifestações estudantis de 1968 e pelas mobilizações operáriasalimentaram processo semelhante. No Leste europeu e na América Latina, a luta contraregimes políticos autoritários forneceu o contexto no qual esses movimentos surgiram.De maneira genérica, podemos apontar três processos que se desenvolveram a partir do final dos anos 1960 e formataram o contexto no qual esses novos movimentose organizações tiveram lugar:1. Crise/Crítica das formas tradicionais de organização políticaconsubstanciadas nos partidos comunistas e social-democratas e nossindicatos tradicionais.2. Crise/Crítica do Estado de bem-estar social e do seu potencial de controlee passivização das classes subalternas.3. Crise/Crítica dos regimes antidemocráticos da América Latina e do Lesteeuropeu.Tais processos, combinados de maneira desigual, deram origem a formas deassociação e participação política que, rompendo com antigas instituições inauguraramum novo ciclo de organização popular, introduzindo práticas sociais inovadoras, criandonovos espaços de participação social, reinventando a solidariedade e produzindo formasoriginais de organização social e política.
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 A análise desse processo tem motivado um grande número de interpretaçõesque, em grande medida tem convergido para a idéia de uma revitalização da sociedadecivil, o que provocou uma revalorização da capacidade explicativa de tal conceito.Tomando como ponto de partida Hegel, Marx e Gramsci, e distanciando-se dessereferencial, tornou-se cada vez mais comum a referência a uma “sociedade civilorganizada”, capaz de opor-se tanto à ação do Estado como à do mercado.
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Diferentes versões para a revalorização do conceito de sociedade civil podem ser encontradas em Cohene Arato (2000, p. 53-112) e Keane (1988, 1-30).
 
 3Se o ponto de partida é a negação das teorias de Hegel-Marx-Gramsci, oreferencial conceitual que deu base a grande número de teorias da sociedade civil é ateoria do agir comunicativo de Jürgen Habermas (1987). Identificando uma oposiçãoentre o mundo da vida, por um lado, e a política e o mercado, por outro, Habermas teriaidentificado nesse mundo da vida o lugar no qual se realizariam a relação intersubjetivados cidadãos, a participação, a solidariedade e os potenciais emancipatórios dasociedade.Lembremos que para Habermas a racionalidade é dimensão intrínseca àmodernidade. Mas, alerta ele, é possível identificar, duas possibilidades daracionalidade. A primeira delas diz respeito à orientação das relações dos homens com omundo dos objetos e tem um caráter 
instrumental 
ordenando a lógica do poder, própriado subsistema administrativo, e a lógica do lucro, própria do subsistema econômico. Asegunda possibilidade remete ao mudo da vida, às relações interpessoais e à
interação
,aqui a racionalidade tem um caráter 
comunicativo
, próprio da participação, da opinião pública e da família.Analisando as experiências dos novos movimentos sociais e inspirando-se noHabermas de
Teoria do agir comunicativo
, Jean Cohen e Andrew Arato (2000)avançam uma formulação na qual a sociedade civil encontra-se no nível institucional domundo da vida.
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A sociedade civil é, assim, entendida “como uma esfera de interaçãosocial entre a economia e o Estado, composta em primeiro lugar pela esfera íntima(particularmente a família), a esfera das associações (particularmente as associaçõesvoluntárias), os movimentos sociais e as formas de comunicação pública.” (Cohen eArato, 2000, p. 8.) Temos então um conceito de sociedade civil que “incluiria todas asinstituições e formas associativas que requerem a interação comunicativa para suareprodução e que dependem principalmente dos processos de integração social paracoordenar a ação dentro de suas fronteiras.” (Cohen e Arato, 2000, p. 483).Criada através de formas de automobilização e auto-organização, a sociedadecivil moderna encontraria sua estabilidade institucionalizando-se e generalizado-seatravés de leis e direitos que permitiriam a reprodução cultural (liberdades de pensamento, imprensa, comunicação e expressão); a integração social (liberdade deassociação e reunião); e socialização (proteção à vida privada, à intimidade e àinviolabilidade da pessoa). Muito embora o Estado seja agência de legalização dessesdireitos, eles nasceram externamente a ele sob a forma de demandas das esferas públicae privada do mundo da vida. Os direitos fundamentais seriam, assim, “
o principioorganizador de uma sociedade civil moderna”
. (Cohen e Arato, 2000, p. 495) Neste desenho societal, tanto a sociedade política como a econômica surgiriam,em grande medida da sociedade civil e funcionariam como canais mediadores decontrole e influência sobre os subsistemas. Tais canais de mediação, é preciso destacar,não se encontrariam completamente submetidos à razão comunicativa própria dasociedade civil. Os atores da sociedade política e da sociedade econômica permaneceriam orientados por uma racionalidade instrumental própria dos negócios públicos e privados, do estado e do mercado. Mas a sua própria existência retiraria dossubsistemas a autonomia plena e permitiria uma atuação da sociedade civil mais eficaz,assumindo um caráter ofensivo.Assim como em Habermas, a sociedade civil aparece aqui como independentedo Estado e do mercado. Cohen e Arato identificam nela um terceiro setor, um domínioautônomo capaz de constituir-se em
locus
da expansão autolimitada da democracia.Autolimitada porque, tendo por objetivo não a ruptura com o mercado e o Estado e sim
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Para a relação das formulações de Cohen e Arato com a teoria habermasiana do agir comunicativo, ver Avritzer (1993).

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