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ESTADO DE SANTA CATARINAPODER JUDICIÁRIO
Foro de Blumenau3ª. Vara Cível e Feitos daFazendaClasse : Declaratória de Nulidade de Ato JurídicoOrdinárioValor : R$ 500,00Autor : Vargas Publicidade e Promoções LtdaAdvogado : Rubens GarciaRéu : KWA Produção e Comunicação LtdaOficial : Joao Maria de AbreuDistribuído por dependência ao 008.98.003429-6 em14/04/1998
AUD
 
IÊNCIA
Dia ___/___/___ às __________horas. 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA
CÍVEL DA COMARCA DE BLUMENAU – SANTA CATARINA
Distribuição por DependênciaApenso aos Autos da Ação CautelarDe Sustação de Protestos(Proc. no. 008.98.003429-6)
VARGAS PUBLICIDADE E PROMOÇÕES LTDA.,
pessoa jurídicade direito privado, com sede a Rua Petrópolis, no. 75, na cidade de Blumenau,estado de Santa Catarina, inscrita no CGC(MF) sob no. 80.442.205/0001-66, vem,respeitosamente, por seu procurador infra firmado, à presença de V.Exa. com basenos artigos 806 e segs. Do Código de Processo Civil, propor a presente
AÇÃO DE DESCONSTITUIÇÃO DE TÍTULO CAMBIÁRIO
contra
KWA Produção e Comunicação Ltda.,
pessoa jurídica de direito privado,com sede na Rua Deputado Antonio Edu Vieira, n
o
880, bairro Pantanal, na cidadede Florianópolis, estado de Santa Catarina, CEP 88040-001, pelos motivos quepassa a expor e finalmente requerer:A
requerente
foi surpreendida pela notificação emitida pelo cartório do 2
o
Tabelião de Notas e Protestos, Dra. Therezinha Pedrosa da Nóbrega, da comarca deBlumenau, para pagamento da duplicata n
o
322916-1, no valor de R$ 500,00(quinhentos reais), vencida em 27 de fevereiro de 1998, emitida pela
requerida
contra a
requerente
, apresentada pelo Banco Bradesco S.A.Fundamentada nas conseqüências ruinosas do ato notorial, especialmenteno mundo dos negócios, e asseverando o abuso e ilicitude do referido protesto,capaz de gerar fundado receio ou perigo de dano de difícil ou incerta separação,como medida preparatória postulou e obteve a sustação de protesto do título acimamencionado, por não corresponder à realidade, haja vista que a duplicata de n
o
 
322916-1 é totalmente ilegal, não possuindo a requerida qualquer documento quepossa embasar a emissão do presente título.Como é sabido, a duplicata é um título que exige uma provisão determinada,podendo ser emitida desde que corresponda a uma venda efetiva demercadorias, entregues ou remetidas ao comprador, ou servos realmenteprestados.No presente caso, não existe qualquer relação jurídica comercial entre a
requerente
e a
requerida
, tratando-se puramente de duplicata simulada, e queao final do deslinde restará provado.A
requerente
atua no ramo de agência de publicidade e para talencaminhou junto a
requerida
em nome de sua cliente, Tamisa eventos Ltda, aveiculação de publicidade para a Rede Barriga Verde, conforme documentosanexos.Ocorre que a
requerente
é somente agenciadora, sendo que o documentoanexo o foi assinado pela mesma. Depreende-se também que houve opagamento com cheque pré-datado para 12/09/97.Assim o existe qualquer relão judica entre a
requerente
e a
requerida
para que a mesma pudesse emitir o presente título. Título este que jáfoi levado anteriormente a cartório e foi solicitado baixa (documento anexo).A prática de emissão de duplicatas simuladas é muito comum, conformeassinala
CARLOS FULGÊNCIO DA CUNHA PEIXOTO (aut. Cit. Prática deProcessos e Jurisprudência, pag. 63, n
o
02 – duplicatas)
“que comerciantesdestituídos do mínimo zelo profissional aproveitando-se da credibilidadeque o tulo inspirava, passassem a expedi-la sem que decorasse devendas mercantis realmente efetuadas. Emitiam-na e aceitavam-na favor, e até entrecruzadamente. Era o comprador que algumas aceitavaexpedindo outras, por sua vez pelo pseudo vendedor, abarrotando as casasbancárias de títulos fictícios.” 
Diz também
ALBERTO JOÃO ZORTÉA,
 “A Duplicata Mercantil e Similaresno Direito Estrangeiro”, RJ, Forense, 1983. p. 30:
“A NECESSIDADE DE PROVISÃO. O art. 2
o
,
§ 1
o
 , inciso II, procurou no novotexto legal (Lei n
o
5.474, de 18.07.1968) formar o cerco à duplicata simulada ou “fria”, pois, pela lei anterior (Lei n
o
187/36), sem um maior rigor vinha se processando facilmente tal femeno prejudicial aodesconto desses papéis. A provisão, pelo atual texto, é da substância doato, ao fazer refencia ao mero da fatura e, “ipso facto”, com adiscriminação das mercadorias vendidas. A venda servirá de suporte fáticoà duplicata, como provisão, caso contrário constituirá crime de estelionato, previsto pelo art. 172 do digo Penal, além da multa aplicada nomontante de 20% sobre o valor da mesma.” 
A jurisprudência é pacifica quanto ao assunto, senão vejamos:
“Duplicata. tulo sem a correspondência de uma fatura, nos moldes preconizadas pela Lei n
o
5.474, de 18/07/68. Sentença reformada paradeclarar a nulidade do respectivo título. Inversão do ônus de sucumbência. A duplicata, para assim ser considerada, a teor da lei que a disciplina, devenecessariamente corresponder à emissão de uma fatura extraída pelovendedor, em contrato mercantil entre partes domiciliada no territóriobrasileiro, com prazo não inferior a trinta dias, para efeito de apresentaçãoao comprador. Sem tais pressupostos, a rtula, ainda que ostente a
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