322916-1 é totalmente ilegal, não possuindo a requerida qualquer documento quepossa embasar a emissão do presente título.Como é sabido, a duplicata é um título que exige uma provisão determinada,só podendo ser emitida desde que corresponda a uma venda efetiva demercadorias, entregues ou remetidas ao comprador, ou serviços realmenteprestados.No presente caso, não existe qualquer relação jurídica comercial entre a
requerente
e a
requerida
, tratando-se puramente de duplicata simulada, e queao final do deslinde restará provado.A
requerente
atua no ramo de agência de publicidade e para talencaminhou junto a
requerida
em nome de sua cliente, Tamisa eventos Ltda, aveiculação de publicidade para a Rede Barriga Verde, conforme documentosanexos.Ocorre que a
requerente
é somente agenciadora, sendo que o documentoanexo não foi assinado pela mesma. Depreende-se também que houve opagamento com cheque pré-datado para 12/09/97.Assim não existe qualquer relação jurídica entre a
requerente
e a
requerida
para que a mesma pudesse emitir o presente título. Título este que jáfoi levado anteriormente a cartório e foi solicitado baixa (documento anexo).A prática de emissão de duplicatas simuladas é muito comum, conformeassinala
CARLOS FULGÊNCIO DA CUNHA PEIXOTO (aut. Cit. Prática deProcessos e Jurisprudência, pag. 63, n
o
02 – duplicatas)
“que comerciantesdestituídos do mínimo zelo profissional aproveitando-se da credibilidadeque o título inspirava, passassem a expedi-la sem que decorasse devendas mercantis realmente efetuadas. Emitiam-na e aceitavam-na pófavor, e até entrecruzadamente. Era o comprador que algumas aceitavaexpedindo outras, por sua vez pelo pseudo vendedor, abarrotando as casasbancárias de títulos fictícios.”
Diz também
ALBERTO JOÃO ZORTÉA,
“A Duplicata Mercantil e Similaresno Direito Estrangeiro”, RJ, Forense, 1983. p. 30:
“A NECESSIDADE DE PROVISÃO. O art. 2
o
,
§ 1
o
, inciso II, procurou no novotexto legal (Lei n
o
5.474, de 18.07.1968) formar o cerco à duplicata simulada ou “fria”, pois, pela lei anterior (Lei n
o
187/36), sem um maior rigor vinha se processando facilmente tal fenômeno prejudicial aodesconto desses papéis. A provisão, pelo atual texto, é da substância doato, ao fazer referência ao número da fatura e, “ipso facto”, com adiscriminação das mercadorias vendidas. A venda servirá de suporte fáticoà duplicata, como provisão, caso contrário constituirá crime de estelionato, previsto pelo art. 172 do Código Penal, além da multa aplicada nomontante de 20% sobre o valor da mesma.”
A jurisprudência é pacifica quanto ao assunto, senão vejamos:
“Duplicata. Título sem a correspondência de uma fatura, nos moldes preconizadas pela Lei n
o
5.474, de 18/07/68. Sentença reformada paradeclarar a nulidade do respectivo título. Inversão do ônus de sucumbência. A duplicata, para assim ser considerada, a teor da lei que a disciplina, devenecessariamente corresponder à emissão de uma fatura extraída pelovendedor, em contrato mercantil entre partes domiciliada no territóriobrasileiro, com prazo não inferior a trinta dias, para efeito de apresentaçãoao comprador. Sem tais pressupostos, a cártula, ainda que ostente a
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