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revista13_artigo6

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número 13setembro de 2005
revista da
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TEIXEIRA, Lúcia Helena Pereira. Coros de empresa: desafios do contexto para a formação e a atuação de regentes corais.
Revista da ABEM 
, Porto Alegre, V. 13, 57-64, set. 2005.
Coros de empresa: desafios do contexto para a formação e a atuação de regentes corais 
Lúcia Helena Pereira Teixeira
IPA – Centro Universitário Metodistalhpteixeira@yahoo.com.br 
Resumo.
Este artigo apresenta uma síntese dos resultados da dissertação de mestrado intitulada
Coros de Empresa como Desafio para a Formação e a Atuação de Regentes Corais: Dois Estudos de Caso 
, concluída em maio de 2005, sob a orientação da professora doutora Jusamara Souza,realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio Grandedo Sul (UFRGS). A pesquisa teve como objetivo geral investigar a formação e a atuação de regentescorais junto a coros de empresa na cidade de Porto Alegre. A investigação procurou responder àsseguintes questões: que concepções os regentes têm sobre a prática do canto coral na empresa?Como atuam nesses ambientes? Na opinião dos regentes, que formação e que competências sãonecessárias para atuarem nesses contextos? Foram realizados dois estudos de caso, tendo comoparticipantes dois regentes de coros de empresa. As técnicas de pesquisa utilizadas foram aentrevista guiada ou focalizada e a observação participada. O referencial teórico fundamenta-senos conceitos de formação profissional: Le Boterf (2003), Ramalho, Nuñez e Gauthier (2004) e delazer: Parker (1978), Elias (1992), Dumazedier (1994, 1999) e Marcellino (2003). O método depesquisa empregado foi o estudo multicaso, com abordagem qualitativa.
Palavras-chave:
educação musical extra-escolar, canto coral, formação profissional, lazer.
Abstract.
This paper presents a summary of the results from my Master’s Dissertation, carried outat the Federal University of Rio Grande do Sul, entitled
Enterprise Choirs as a Challenge to Choral Conductors’ Professional Formation and Acting: Two Case Studies 
, supervised by the Professor Jusamara Souza. The general purpose of this study was to investigate choral conductors’ formationand action when working with enterprise choirs in Porto Alegre, RS, in southern Brazil. This studytried to answer some questions concerning this action, such as: what conceptions do the conductorshave about choral singing at enterprises? How do they act in such contexts? In their opinion, whatkind of formation and competencies are necessary to act in such contexts? The two cases studiedin this work had as participants two enterprise choral conductors. The research techniques usedwere focused interviews and also local observation. The theories referred in this research arebased on concepts of professional formation: Le Boterf (2003) and Ramalho, Nuñez and Gauthier (2004) and also on the concepts of leisure: Parker (1978), Elias (1992), Dumazedier (1994, 1999)and Marcellino (2003). The research method chosen to carry out the investigation was the multicasestudy with a qualitative approach.
Keywords:
extra school music education, choral singing, professional formation, leisure.
Introdução
Os coros de empresa representam uma par-cela significativa do mercado de trabalho para regen-tes. Uma consulta à Federação de Coros do Rio Gran-de do Sul (Fecors) revelou a existência de nove corosde empresa da cidade de Porto Alegre a ela filiadosem 2003, mas pode-se estimar, a partir do contatoinformal com profissionais da área, que o número decoros não filiados seja expressivo.
 
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Nesse contexto, o coro pode servir tanto comopeça de
marketing 
externo da empresa, ou seja,servindo para aproximar instituição e clientes em suasapresentações, quanto como elemento de
marketing 
interno, tendo a função de elevar o envolvimento dosfuncionários para com a missão da empresa, moti-vando-os a construir “relacionamentos comprometi-dos com o sucesso geral” (Schwartz, 2003, p. 144).Dentro dessa segunda categoria, a atividade coral édisponibilizada como parte da estratégia do departa-mento de Recursos Humanos (RH) das empresasque, visando a promoção do crescimento pessoalde seus funcionários, busca oferecer-lhes atividadesrelacionadas à saúde, ao esporte e ao lazer. O can-to coral é geralmente inserido pelas empresas nes-sa última categoria.Na maioria das vezes, os funcionários que sedispõem a cantar no coro da empresa nunca partici-param de qualquer atividade dessa espécie, ou se-quer estiveram envolvidos em algum processo siste-mático de educação musical. Acolhendo no grupocoral todos os empregados interessados nessa prá-tica, independentemente de seu estágio de percep-ção musical, o regente passa a ter de equacionar oobjetivo de lazer da atividade com o objetivo artísti-co. Torna-se, dessa forma, um mediador entre asexpectativas da empresa em relação ao produto fi-nal alcançado pelo coro e a necessidade de, aomesmo tempo, realizar um trabalho de educaçãomusical com seus cantores.Partindo desse quadro e da minha própria tra- jetória profissional, a pesquisa teve como objetivogeral investigar a formação e a atuação de regentescorais junto a coros de empresa na cidade de Porto Alegre, e procurou responder às seguintes questões:que concepções os regentes têm sobre a prática docanto coral na empresa? Como atuam nesses ambi-entes? Na opinião dos regentes, que formação e quecompetências são necessárias para atuarem nes-ses contextos?
Revisão de literatura
Vários trabalhos acadêmicos referem-se a di-ferentes aspectos do canto coral. Pelo fato de a ca-tegoria coro de empresa estar inserida na subáreacoro adulto, tornou-se relevante verificar, também, aliteratura disponível sobre essa faixa etária. Foramencontrados estudos que enfocam problemas técni-cos da regência, aspectos gerais da formação doregente, metodologias de ensaio coral e repertório.Dentro da categoria coro adulto também há pesqui-sas sobre coro cênico e coro sacro.Trago, a seguir, algumas pesquisas de mestra-do realizadas, no Brasil, sobre o canto coral:Figueiredo (1990) enfocou o ensaio coral como ummomento de ensino e aprendizagem musicais;Bellochio (1994) abordou o canto coral como instru-mento mediador ao desenvolvimento sócio-cognitivoda criança em idade escolar; Oliveira, V. (1996) in-vestigou o desenvolvimento vocal do adolescente esuas implicações no coro juvenil
a cappella 
; Olivei-ra, S. (1999) pesquisou o coro cênico como renova-ção da linguagem coral no Brasil; Morelenbaum(1999) tratou sobre o coral de empresa como instru-mento de Qualidade Total; Campelo (1999) abordouo coro como fator musicalizador na Igreja Presbite-riana; Santos (2000) investigou a expressão musicala partir do ritmo musical como um caminho para ainterpretação na música coral; e Andrade (2001) es-tudou critérios utilizados por regentes de grupos co-rais escolares na avaliação em execução musical.No entanto, ainda são escassos os estudosque examinam a formação e a atuação do educador musical/regente inserido em diferentes espaços e,mais especificamente, nas empresas.Dos trabalhos consultados na literatura brasi-leira, ressalto que o único localizado sobre coro deempresa foi o de Morelenbaum (1999). O autor reali-za um estudo de caso no qual relaciona os princípi-os da Qualidade Total nas empresas com a ativida-de de canto coral que ocorre ou pode ocorrer dentrodelas. Sugere que a criação de um coro pode funci-onar como ferramenta para a socialização e saúdedos funcionários, bem como peça de
marketing 
. Otrabalho, no entanto, não enfoca diretamente a atua-ção profissional do regente nesse contexto.
Referencial teórico
Tomando como foco da pesquisa a formaçãoe a atuação de regentes com coros de empresa, osconceitos de formação profissional e de lazer se tor-nam adequados como ferramentas teóricas. O con-ceito de formação profissional é útil para o entendi-mento das inadequações relatadas pelos regentesem relação à sua formação inicial e à realidade doambiente de trabalho da empresa. Os autoresadotados como referência para discutir a formaçãosão: Ramalho, Nuñez e Gauthier (2004) e Le Boterf (2003). Os primeiros autores foram escolhidos por abordarem a formação profissional a partir daprofissionalização do ensino. O segundo, por pro-porcionar uma visão mais ampla sobre formação pro-fissional, transcendendo a formação inicial.Diferentes autores, tais como Perrenoud (2000),Schön (2000) e Rios (2002), vêm sendo utilizados nocampo educacional para analisar o tema das compe-tências; no entanto, a opção por Ramalho, Nuñez eGauthier (2004) ocorreu em razão de seu estudo enfocar 
 
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o desenvolvimento de competências como apoio à pro-moção da formação inicial. Já as idéias de Le Boterf (2003) foram preferidas porque o autor trata do desen-volvimento de competências de uma maneira maisampla, com um enfoque profissional mais próximo dosprofissionais que atuam em empresas.Ramalho, Nuñez e Gauthier (2004) trabalhamcom o conceito de formação associado à necessi-dade do desenvolvimento de competências profissi-onais. Assim, segundo esses autores, formação pro-fissional é “o processo permanente de aquisição,estruturação e reestruturação de condutas, saberes,habilidades, ética, hábitos inerentes ao desenvolvi-mento de competências para o desempenho de umadeterminada função profissional” (Ramalho; Nuñez;Gauthier, 2004, p. 84). A formação inicial deve ser o ponto de partidapara a construção de competências. Para os auto-res, competências são ações contextualizadas,
onde o conjunto de pressões reais está presente notrabalho ou na solução da tarefa profissional. Assim, éfundamental compreender a situação em que sedesenvolve o trabalho profissional, ou seja, o objeto deestudo da profissão, nos contextos do exercício daprofissão. Os conteúdos devem ser contextualizados.(Ramalho; Nuñez; Gauthier, 2004, p. 75).
Já para Le Boterf (2003, p. 168), “as situa-ções de trabalho podem ser tratadas de tal modoque se tornem igualmente oportunidades deprofissionalização”, não reduzindo esta última à for-mação inicial. Dessa forma, o profissional deve ser capaz de aproveitar situações de trabalho comple-xas tratando-as como oportunidades de crescimen-to profissional. Nesse sentido, o autor apresenta oconceito de “navegação profissional”:
Já que o planejamento das carreiras falhou, e aformação contínua mostrou sua importância, mastambém seus limites, pode-se afirmar que aprofissionalização não se reduz à formação. É precisocriar, portanto, um maior número de novos
espaços de profissionalização 
e reunir as condições necessáriaspara que cada um possa neles navegar. […] Torna-seurgente saber tomar direções, traçar percursos, fazer desvios, encontrar escalas, precisar a situação, tomar bifurcações. (Le Boterf, 2003, p. 13, grifo do autor).
Nessa visão, o profissional deve aprender a“navegar” em determinado contexto sabendo admi-nistrar situações e utilizar os conhecimentos técni-cos pertinentes à sua formação específica. Aqueleque busca a navegação profissional “dá sentido aseu percurso, à historicidade de seu itinerário pes-soal. Ele não é somente ator, mas autor ou co-autor de seu percurso.” (Le Boterf, 2003, p. 169-170).Por sua vez, as definições de lazer ajudam nacompreensão da função da atividade coral inseridaem ambiente de empresa. Para tanto, foram utiliza-dos os conceitos de Parker (1978), Elias (1992),Dumazedier (1994, 1999) e Marcellino (2003). A atividade coral na empresa pode ser com-preendida no limite entre o trabalho e o lazer. Paracompreendê-la a partir dessa visão, são apresenta-dos alguns autores que discutem os significados efunções das diferentes atividades de lazer presen-tes, atualmente, na sociedade ocidental.Segundo Parker (1978, p. 19), para que sejacompreendido em toda a sua acepção, o lazer deveser considerado na sua dimensão temporal e tam-bém quanto ao tipo de atividade desenvolvida.Dumazedier (1999, p. 91) define lazer comosendo o tempo destinado à realização da pessoacomo fim último: “Este tempo é outorgado ao indiví-duo pela sociedade quando este se desempenhou,segundo as normas sociais do momento, de suasobrigações profissionais, familiais, sócio-espirituaise sócio-políticas.”Enquanto Parker (1978), Elias (1992) eDumazedier (1994, 1999) discutem sobre o lazer,seus tipos e funções a partir de uma visão sociológi-ca mais abrangente, Marcellino (2003) aborda o lazer a partir da visão da empresa, conectando as ativida-des proporcionadas aos funcionários, nessa área,às necessidades de qualificação de pessoal para otrabalho. Relaciona o lazer dos empregados com apossibilidade de desenvolvimento de algumas habili-dades necessárias a um melhor desempenho desuas tarefas laborais. Dessa forma, o autor discutea necessidade de conexão entre as atividades delazer nas empresas e a possibilidade de desenvolvi-mento de seus recursos humanos.
Metodologia
O método adotado na investigação foi o estu-do multicaso, dentro de uma abordagem qualitativa.Como unidades de caso foram escolhidos dois re-gentes corais que atuam em Porto Alegre. SegundoMerriam (1998, p. 40, tradução minha), estudomulticaso é um dos termos que podem ser utiliza-dos “quando pesquisadores conduzem um estudousando mais de um caso”. Bogdan e Biklen (1994,p. 97) adotam o termo “estudos de caso múltiplos”ao caracterizarem o estudo de “dois ou mais assun-tos, ambientes ou base de dados”. Embora existamdiferenças entre os autores quanto à terminologiaempregada, o estudo de caso e o estudo multicasopossuem as mesmas características e princípios. A escolha de duas unidades de caso ocorreupor considerar dois estudos uma investigação pos-

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