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Arsenal Contra o Alcoolismo Definitivo

Arsenal Contra o Alcoolismo Definitivo

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Published by: Fernando Vieira Filho on Feb 13, 2013
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 ARSENAL CONTRA O ALCOOLISMOPor Fernando Vieira Filho (1)
Mães e esposas aflitas muitas vezes me procuram solicitando apoio profissional para seusfilhos e maridos alcoólatras, e grande parte vem ao meu consultório desacompanhada dofamiliar doente. Pergunto o porquê da ausência do marido ou filho em questão. Elasrespondem que eles não estão interessados ou não quiseram vir. Então, digo a elas quenão posso fazer nada por eles, pois para tratar o alcoolismo é preciso que o próprio doentese compro
meta e queira sair do “pântano sedutor” da autopiedade, da autocomiseração. É
necessário que ele aceite iniciar uma luta para o resto de sua vida, que se responsabilize100% por seu próprio destino. O que faço com essas mães e esposas é ensiná-las a lidarcom o doente, orientando-as no sentido de estimulá-lo, de forma bem sutil, na decisão debuscar seu próprio tratamento.Em minha vivência profissional percebo que a maioria dos alcoóis-dependentes não quer
deixar o vício, pois estão “viciados” nos ganho
s secundários que advêm da doença, comoatenção e cuidados de parentes e amigos. Por exemplo, quando uma mãe ou esposa se
refere ao filho ou marido alcoólatra dizendo: “Meu filho é muito bonzinho, coitado, sofreumuita decepção na vida”; “Meu filho, ‘tadinho’, não deixo faltar nada para ele, dou comida,lavo as roupas e se for preciso dou até banho. Eu o trato com carinho; “Meu marido bebe
todo dia, mas é trabalhador, é bonzinho com a família, o coitado sofreu muito e não sabe
falar ‘não’ para os amigos.”;
e por aí vai, eu afirmo o seguinte: enquanto as mães e
esposas e, também, os amigos continuarem a “passar a mão na cabeça” do dependentealcoólico, ele dificilmente tomará a decisão de sair desta “zona de conforto.” É sempre
bom lembrar que o amor tem que ser exigente.Infelizmente, até hoje, é expressivo o número de pessoas que desconhecem a existência demedicamentos seguros e eficientes e, bem antigos, que são de grande valor no tratamentodo alcoolismo. Então, vamos falar de dois deles:
 
O
clordiazepóxido,
que no Brasil é conhecido como Psicosedin, foi o primeiro
benzodiazepínico 
(ansiolítico) sintetizado no mundo, em 1957, e, três anos depois,começou a ser comercializado nos Estados Unidos e Europa com o nome comercial Librium.Com o tempo se revelou uma medicação de primeira linha para interromper o uso dabebida alcoólica. No caso do alcoólatra, sabemos que não se deve interromper, de supetão,o uso contínuo de álcool, assim o Psicosedin (
clordiazepóxido 
) é uma ótima escolha para asubstituição do álcool. A interrupção do álcool sem nenhum suporte de medicamentopsicotrópico pode trazer mais problemas do que a continuidade do vício, por causa dasíndrome de abstinência. Esta medicação
 –
o Psicosedin - deve ser mantida pelo tempoque for necessário até que se constate o término do período de abstinência alcoólica. Asíndrome de abstinência constitui-se no conjunto de sinais e sintomas observado naspessoas que interrompem o uso de álcool, de uma só vez, após longo e intenso uso. Asformas mais leves de síndrome de abstinência se apresentam com tremores, aumento dasudorese, aceleração do pulso, insônia, náuseas e vômitos, ansiedade depois de 6 a 48horas desde a última bebida, e, na forma mais violenta, o
Delirium Tremens 
.Em 1920 foi descoberto, o
dissulfiram 
que é comercializado com o nome de Antietanol(Brasil), Antabuse (USA) e Antabus (Europa). É outro medicamento para ser usado notratamento do alcoolismo, que atua de forma a provocar desagradáveis efeitos colateraisquando na presença de álcool. O
dissulfiram,
uma substância sem atividade psicotrópica,inibe uma das enzimas de metabolização do álcool, provocando acúmulo desse metabólitono organismo e consequentemente forte mal estar mesmo para doses pequenas de álcool.O
dissulfiram 
deve ser usado junto a um apoio psicoterapêutico.Temos outros medicamentos mais modernos como a
naltrexone 
, conhecida como Revia, eo
acamprosato 
(evita a recaída alcoólica), conhecido como Campral, que podem serassociados aos mais antigos.
Enfim, existe um verdadeiro “arsenal” medic
amentoso para ajudar o álcool-dependente na
 “guerra” que irá empreender contra o
vício-doença. O doente vai precisar do apoio dafamília, do médico psiquiatra (totalmente necessário) e do psicoterapeuta. E a religiosidadedeve ser estimulada por amigos e familiares, pois é de grande valia no fortalecimento da fé,bem como é importante frequentar as reuniões dos Alcoólicos Anônimos (A.A.
 –
 www.alcoolicosanonimos.org.br)No meu trabalho psicoterapêutico, depois do comprometimento do doente alcoólico com oseu tratamento, inicio com uma investigação das possíveis causas emocionais, muitasinconscientes, que o levaram a buscar na bebida uma forma de se autopunir. A autopunição- de forma absolutamente inconsciente - é uma consequência do remorso que advém daculpa. Mas o que o levou a sentir culpa? A mágoa (ódio) por si mesmo ou por alguém? Porter, tempos atrás, julgado, criticado, humilhado algum parente, amigo, um pai ou mãealcoólatra? Aos poucos, o doente começa a entender e a se conscientizar das causas que o levaram ase submeter à droga. A partir daí, a pessoa adquire o controle sobre si mesma e, então, a

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