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RAE
• v. 40 • n. 1 • Jan./Mar. 2000
Organização, Recursos Humanos e Planejamento
nidos, nem precisam ser consistentes ou realizadosnuma seqüência particular (Morris e Brandon, 1994).Muitas vezes e por diversos motivos, é mais interes-sante organizar os processos por etapas. É o caso,por exemplo, dos processos de modernização empre-sarial ou de diversificação de negócios e de projetosde consultoria empresarial. Muitos autores, na ver-dade, entendem que as atividades de diversos pro-cessos empresariais são apenas inter-relacionadas eque a essência dos processos é a coordenação dasatividades (Graham e LeBaron, 1994). É o caso deprocessos de sucessão empresarial, desenvolvimen-to de tecnologia e negociação salarial.Observamos, também, que os passos de certos pro-cessos organizacionais não precisam ser cuidadosa-mente definidos nem consistentes ou realizados numaseqüência particular (Morris e Brandon, 1994).Outros processos organizacionais correspondem aum grupo de atividades que ocorrem ao longo do tem-po, como, por exemplo, o processo de amadurecimentode uma pessoa, o processo de modernização da in-dústria bancária ou o processo de estruturação de umarede de lojas ao longo de 25 anos.Processo empresarial também pode ser definidocomo qualquer trabalho que seja recorrente, afete al-gum aspecto da capacitação da empresa (
organizationalcapability
), possa ser realizado de várias maneiras dis-tintas com resultados diferentes em termos da contri-buição que pode gerar com relação a custo, valor, ser-viço ou qualidade e envolva a coordenação de esfor-ços para a sua realização (Keen, 1997).Em função da interdisciplinaridade característicada Administração de Empresas, é importante reconhe-cer o emprego da palavra “processo” em outras áreasdo conhecimento. Encontramos a palavra sendo em-pregada na Sociologia, na Psicologia, na Biologia, naArquitetura, na Engenharia e na Política, sempre comacepções semelhantes, embora tratando de assuntosmuito diferentes.
OS PROCESSOS NÃO FABRIS NASEMPRESAS
A intensa utilização do conceito de processo namodernização das empresas provavelmente tem ori-gem na tentativa de aplicação no ambiente de escri-tório das técnicas de aperfeiçoamento do trabalho queforam desenvolvidas para o ambiente industrial (Gon-çalves, 1990).Os processos na área fabril são fáceis de seobservar, tanto nos períodos de bom funcionamentocomo na ocorrência de problemas. O desperdício e oretrabalho são claramente identificáveis, e o fluxodo material é tão importante que os equipa-mentos e equipes de trabalho são dispostosao longo dele. Toda uma ciência de aperfei-çoamento dos processos industriais foi de-senvolvida ao longo de décadas, chegando,inclusive, a ser aplicada a situações de tra-balho nos escritórios.Atualmente, no entanto, o trabalho nos es-critórios segue um fluxo conduzido pelos ca-bos da rede informatizada, e o deslocamentodo trabalho não é tão facilmente observável.Muitas vezes, o funcionamento das empre-sas exige a organização de processos provi-sórios, de duração limitada. Geralmente, es-ses processos provisórios são horizontais, embora al-guns times horizontais sejam bastante duradouros, es-pecialmente aqueles ligados a atendimento de pedi-dos, treinamento de pessoal-chave, geração de novosnegócios e inovação (Lipnack e Stamps, 1997).Olhando de outra maneira, os processos empresa-riais são atividades coordenadas que envolvem pes-soas, procedimentos e tecnologia. Na verdade, os pro-cessos em geral, e em particular, de negócio repre-sentam uma nova abordagem à coordenação de ativi-dades ao longo da empresa (Malhorta, 1998). Pensarnos processos em termos de coordenação em vez defluxos de trabalho ou fluxos físicos de materiais ouprodutos, como tem sido a abordagem predominantena reengenharia e no TQM (
Total Quality Management
) (Keen, 1997), é importante para poderidentificar e tratar processos não industriais comoimportantes ativos de negócio e para poder analisarqualquer tipo de processo.Num sentido mais amplo, chamamos de processode trabalho a maneira particular de realizar um deter-minado conjunto de tarefas, sob o ponto de vista dosespecialistas em análise do trabalho humano (Cameronet al., 1995). Dessa forma, a definição inclui não ape-nas as tarefas a serem executadas mas também o nú-mero de operadores, a distribuição do trabalho entre
Todo trabalho importante realizadonas empresas faz parte de algumprocesso. Não existe um produto ou umserviço oferecido por uma empresa sem um processo empresarial.
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