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 Gestão do Conhecimento no Setor Público:um depoimento pessoal
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Frederico Sotero
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Neste depoimento optei por não tratar de uma experiência específica deimplantação de projeto de gestão do conhecimento e governo eletrônico, poracreditar que um relato da minha trajetória profissional poderia melhorcompartilhar as lições aprendidas e os conhecimentos criados nos vários projetosque participei, além de facilitar a socialização das visões de futuro.Iniciei a carreira profissional, no decorrer da graduação em relações internacionaiscomo supervisor de pesquisas de avaliação de políticas públicas no Instituto dePesquisa da PUC-MG. Durante o tempo em que estive nesta função, bem como nasatividades exercidas posteriormente em ONGs e empresas de consultoria, onde
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Este depoimento faz parte de livro
 “
Gestão do Conhecimento e E-learning na Prática 
” 
organizado porJosé Cláudio Terra e publicado pela Editora Campus/Negócios.
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Frederico Sotero (fredericosotero@participativa.net) é consultor em planejamento estratégico e gestãopública, cursou relações Internacionais (PUCMinas), administração (UFLA) e desenvolvimento local(International Training Center ILO-ONU), ocupou diversos cargos na administração municipal e estadual,atualmente realiza consultoria em gestão participativa através da empresa Participativa.net, além de presidir oInstituto Gravatá (www.institutogravata.org.br).
 
 
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coordenei pesquisas e projetos, tive a oportunidade de avaliar políticas das maisdiferentes áreas e níveis de governo. As pesquisas de avaliação, normalmente previstas nos projetos e programasgovernamentais, geralmente são
ex-post 
. Assim, não contemplam o processo deformulação e execução dos projetos, o que do ponto de vista da gestão doconhecimento é questionável na medida que muito do conhecimento criado noprojeto não pode ser extraído do produto final avaliado. Portanto, a avaliação, quenormalmente é o principal momento de sistematização e análise nestes projetos,não consegue captar a riqueza do processo e principalmente definir mudanças derumo que evitassem os resultados insatisfatórios das políticas. Apesar darelevância das avaliações realizadas, é lamentável que o conhecimento criado apartir delas pouco tenha representado em termos de mudança, uma vez que seusresultados, materializados na forma de relatórios, quase sempre apenas cumpriramsua função formal e eram empilhados nos arquivos da burocracia.Nesta conversa, pretendo relatar alguns fatos conhecidos no exercício da avaliaçãoe implementação de projetos, quando me deparei com várias situações curiosas e
pessoas intrigantes. Os casos aqui relatados contam o “milagre”, mas não revelamo “santo”, que pode ser um dos mais de 5.500 municípios brasileiros ou algumas
das inúmeras secretarias ou ministérios ou órgãos públicos. Faço assim, por nãoacreditar que seria ético da minha parte, como consultor que estabeleceu laços deconfiança com clientes, expô-los relatando situações profissionais nas quais seenvolveram, até porque, trata-se do meu ponto de vista, minha avaliação pessoal,em relação ao trabalho deles, que pode até estar equivocada.Mas o principal na experiência de avaliar políticas públicas, vai muito além doscasos curiosos, na medida que proporcionou a identificação de determinadosproblemas que ainda são recorrentes, configurando um diagnóstico que poderiaser generalizado para o conjunto das políticas públicas. Apesar de considerá-lo um
 
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tanto óbvio, gostaria de compartilha-lo. Antes de argumentar, direi que, em linhasgerais, o problema essencial do Estado é sua dificuldade em fazer gestão doconhecimento, o que entendo como: capacidade de uma organização se estruturarpara criar as condições favoráveis à realização de todo potencial dedesenvolvimento humano e profissional das pessoas que dela participam, atravésdo fomento de uma cultura participativa e colaborativa, prática da autonomia e dacomunicação efetiva, baseando-se em valores éticos, sendo socioambientalmenteresponsável, combinando as tecnologias disponíveis na melhor relação custo-benefício, criando conhecimentos que lhe permita inovar continuamente paraapresentar os melhores resultados, em particular, aos stakeholders e a sociedadeem geral.
Diagnóstico
Quando se analisa o conjunto das políticas públicas percebe-se facilmente que, demaneira geral, não existe complementaridade, simultaneidade e continuidade entreas ações governamentais. Você deve estar se perguntando: o que exatamente éisso e como interfere na sociedade? Antes de responder a essas questões, faremosuma descrição em linhas gerais e analisaremos, criticamente, o modelo burocráticode organização do Estado, buscando evidenciar o quão nocivo ele pode ser para agestão do conhecimento no âmbito estatal.O modelo burocrático tem algumas características das quais decorrem uma sériede disfunções, que na gestão pública tornam-se bastante evidentes, na medidaque impactam fortemente a capacidade do Estado fazer gestão do conhecimento.Entre estas características podemos citar: a especialização dos departamentos efunções, a padronização das ações, a hierarquia por cargos, a centralização dopoder, as relações impessoais e o excesso de regras.

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