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Discurso sobre a crise nas Santas Casas

Discurso sobre a crise nas Santas Casas

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Plenário do Senado, fevereiro de 2013

Plenário do Senado, fevereiro de 2013

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Published by: Aloysio Nunes Ferreira on Feb 22, 2013
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09/17/2013

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SENADO FEDERAL
 
SF
- 201
SECRETARIA-GERAL DA MESA
 
SECRETARIA DE TAQUIGRAFIA
 
C:\Users\LucianaMoherdaui\Downloads\22-02 Santas Casas de Misericordia.doc 22/02/13 18:54
 
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA
(Bloco/PSDB – SP.Pronuncia o seguinte discurso.) – Muito obrigado, Sr. Presidente.Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, usualmente venho àtribuna cumprindo o meu dever de senador da oposição para tratar detemas políticos onde geralmente me contraponho à posição do governo.Essa é a função da oposição, V. Exª sabe disso.Mas hoje gostaria de tratar de tema para o qual acho queseria preciso uma enorme convergência de opiniões e de ações doSenado.V. Exª sugeriu, na esteira da decisão da Mesa Diretora, quenós escolhêssemos temas de interesse geral, temas complexos, paradebatermos sobre eles entre nós em busca de soluçõesJá queria colocar na pauta um desses temas que é talvezmais perto da vida concreta dos cidadãos do que as grandes questõesinstitucionais, mas é problema gravíssimo do que está acontecendo noBrasil hoje.Refiro-me a crise financeira profunda em que estãomergulhadas as santas casas de misericórdia e os hospitais filantrópicosdo nosso País, e afeta de uma maneira dramática a população que aeles recorre para o atendimento médico, e especialmente o atendimentoambulatorial de média complexidade.V. Exª sabe – foi prefeito, foi governador, dos bons, e seuirmão foi Senador, é governador, seu pai foi Deputado Federal – que aConstituição da República de 1988 afirma que a saúde é direito de todos.E, na esteira dessa afirmação, criou-se o Sistema Único de Saúde. OsConstituintes reconheceram que, para atender a saúde do povo brasileiroem todas as suas regiões, em todos os graus de complexidade, o Estadobrasileiro, o setor público estatal não teria condições de cumprir essamissão tão generosa que consta da nossa Constituição.Daí por que, na própria Constituição, chamam àcoparticipação nesse atendimento as instituições filantrópicas sem finslucrativos.O fato, Sr. Presidente, é que, promulgada a Constituição, foicrescendo a participação dessas instituições no atendimento à saúde.Hoje as santas casas e hospitais filantrópicos do Brasil sãoresponsáveis por 57% da assistência pelo Sistema Único de Saúde noPaís, o SUS, segundo dados do Ministério da Saúde.Em mais de mil Municípios brasileiros, a santa casa é o únicoponto para o qual se convergem aqueles em busca de tratamento. Não
 
 
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há outro. É a santa casa. Em mais de mil Municípios do nosso País,repito.Mais de dois mil Municípios de até 30 mil habitantes têm nasanta casa, digamos assim, o fundamento, a base insubstituível doatendimento à saúde.Nós temos, no Brasil, grandes santas casas de misericórdia.Há a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, uma das mais antigas, ade Santos, a mais antiga do Brasil; a Santa Casa de Misericórdia de RioBranco; a de Belém; a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. E háainda pequeninas instituições espalhadas pelo Brasil, instituiçõesantigas, que herdamos dos portugueses, como lembrava ainda há poucoem conversa comigo o nosso querido colega Senador Ruben Figueiró.Pois bem. Esse atendimento hoje está sob ameaça. O jornal
O Estado de S.Paulo 
publica, no dia 18 de fevereiro último, um editorialcujo nome diz tudo: “Santas casas asfixiadas”.
O Globo 
também publicouextensa reportagem a esse respeito.Faça V. Exª experiência de andar pelo seu Estado, qualquerum de nós: ao chegar a uma cidade do interior, invariavelmente seapresenta diante de nós com um ofício o provedor da santa casa,alguém que representa a instituição naquele lugar. E sempre – sempre,invariavelmente, nos últimos anos com cada vez maior recorrência – otema é a ameaça financeira à existência dessas instituições. A ameaçavem de vários lados, mas, na origem de tudo, está a defasagem databela do SUS, que precisa de reajuste já. Para ontem. De cada R$100despendidos pelos hospitais filantrópicos no atendimento aos pacientesdo SUS, apenas R$65 são ressarcidos pelo Sistema Único de Saúde.Isso vai gerando, Sr. Presidente, um acúmulo de déficits que seconvertem em dívidas irresgatáveis apresentando a situação de penúriaatual.No ano de 2011, os dados para todos os estados – e euestou me referindo a dados absolutamente incontroversos – apontampara déficit de R$5 bilhões nos contratos, nos convênios, mantidos como SUS. Ou seja, de um custo total pelos atendimentos da ordem deR$15 bilhões, apenas cerca de R$10 bilhões foram remunerados. E essadefasagem, repito, está, sobretudo, concentrada na baixa e médiacomplexidade, que é realmente o tipo de atendimento a que o povorecorre, na imensa maioria dos casos que afetam a saúde das pessoas.E aí a dívida aumenta, evidentemente. A insolvência bate às portas.A dívida dessas instituições, Sr. Presidente, era de R$1,8bilhão, em 2005. No ano de 2012, a dívida já ultrapassou a casa dos
 
 
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R$11 bilhões. E o perfil dessa dívida também é tão preocupante quantoo seu volume, porque 44%, R$5 bilhões mais ou menos, é dívida debanco, setor financeiro; 25% são fornecedores, que, se não são pagosem dia, deixam de fornecer; e 25%, impostos e contribuições nãorecolhidas, resultando inadimplência junto a órgãos federais, que, porsua vez, vêem a impossibilidade de receber recursos e transferênciasvoluntárias, por meio de convênios, objeto de tantas emendasparlamentares. Pessoalmente todas minhas emendas parlamentares,são dirigidas ao setor de saúde, com ênfase nas santas casas demisericórdia.Então, Sr. Presidente, este é o problema: déficit constante,dívida que se acumula, resultante de uma defasagem que precisa sercorrigida já.É claro, nós temos problemas de gestão? Temos. E sãobem-vindos os programas do Governo Federal de qualificação, mesmode contratualização. Só que a contratualização que está sendo oferecidanão pode ser feita com base numa situação já, de partida, deteriorada.Oferecem-se recursos do BNDES? Ótimo. Acontece que esses recursosvêm, às vezes, socorrer a necessidade de investimentos ou mesmo decusteio no curto prazo, mas, se não houver correção estrutural dascausas dessa situação, não adianta. É um mero paliativo. Alivia hoje,mas, amanhã e, no máximo, até depois de amanhã, a situação voltou aoestado de calamidade que hoje vivem essas instituições.É, por isso, Sr. Presidente, que, no ano passado, reuniu-sena cidade do meu Estado, Votuporanga, um grupo muito grande deSantas Casas do Estado de São Paulo e também de outros Estados doPaís – a Santa Casa de Rio Branco esteve representada nesse encontro – e formularam a Carta de Votuporanga. Votuporanga que tem umaSanta Casa, aliás, exemplar – exemplar. Vale a pena conhecer a SantaCasa de Votuporanga. Ela foi assumida pela comunidade e trouxeparcerias importantes com o Governo do Estado de São Paulo. OGovernador José Serra instalou ali um modelo pioneiro de atendimentoambulatorial. Foi tão bem sucedida a administração da Santa Casa deVotuporanga que um empresário da cidade que se destacou na gestãocomo trabalhador voluntário para reerguer a Santa Casa e tornou-sePrefeito da cidade, um jovem Prefeito, Júnior Marão, reeleito agora com94% dos votos – nem Saddam Hussein, nos bons momentos, teve umavotação dessa ordem –, em grande parte pelo renome que ele adquiriu epelo talento administrativo também na gestão da Santa Casa, que é umorgulho da cidade, uma referência.

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