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INVESTIGAÇÃO PARTICIPATIVA, UM GÉNERO MENOR?

INVESTIGAÇÃO PARTICIPATIVA, UM GÉNERO MENOR?

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Esta comunicação procura situar géneros de investigação considerados menores, denominados de investigação participativa ou investigação-acção, dentro da corrente tradicional da ciência e analisa a validade epistemológica da pesquisa feita por professores sob registros das próprias classes, sob condição de que estes registros sejam contextualizados em apoios teóricos e objectivados pela crítica dos pares. É proposto que este tipo de pesquisa servirá a produção de conhecimento sobre desenvolvimento profissional de professores e eficiência do ensino. A reflexão apoia-se em exemplos de autores reconhecidos e referencia dois estudos de investigação participativa, um sobre aplicação de método de Paulo Freire, pensado para alfabetização de adultos, a uma turma de crianças com dificuldades de aprendizagem da leitura, sob orientação da investigadora, e um segundo estudo sobre as críticas dos jovens à escola actual, realizado pelo investigador na escola em que trabalhava na época. Sugere-se que esta reflexão sobre a investigação acerca da própria actividade de terreno do investigador interessará também a outros profissionais do campo social que queiram problematizar e estudar a sua própria actividade profissional.
Esta comunicação procura situar géneros de investigação considerados menores, denominados de investigação participativa ou investigação-acção, dentro da corrente tradicional da ciência e analisa a validade epistemológica da pesquisa feita por professores sob registros das próprias classes, sob condição de que estes registros sejam contextualizados em apoios teóricos e objectivados pela crítica dos pares. É proposto que este tipo de pesquisa servirá a produção de conhecimento sobre desenvolvimento profissional de professores e eficiência do ensino. A reflexão apoia-se em exemplos de autores reconhecidos e referencia dois estudos de investigação participativa, um sobre aplicação de método de Paulo Freire, pensado para alfabetização de adultos, a uma turma de crianças com dificuldades de aprendizagem da leitura, sob orientação da investigadora, e um segundo estudo sobre as críticas dos jovens à escola actual, realizado pelo investigador na escola em que trabalhava na época. Sugere-se que esta reflexão sobre a investigação acerca da própria actividade de terreno do investigador interessará também a outros profissionais do campo social que queiram problematizar e estudar a sua própria actividade profissional.

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Published by: Unicidade do Conhecimento on Feb 20, 2009
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07/17/2011

 
 
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de Popper, mais conhecido pela sua atenção às ciências físico‐naturais, uminteresse por problemáticas muito próximas das propostas pelos seguidores dainvestigação‐acção, pois este epistemólogo aí afirma:
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Tal problemática tem clara analogia com a apresentada por Reason e Bradburynum conhecido manual sobre investigação‐acção (2001) quando referem, comodimensão política dessa investigação, a de “afirmar a importância de libertação dasvozes emudecidas dos oprimidos pelas estruturas de classe e pelo neo‐colonialismo, pela pobreza, sexismo, racismo e homofobia” (p.9). Os autoresdeclaram ainda que a investigação‐acção “procura colocar em conjunto a acção e areflexão, a teoria e a prática, em participação com outros, na procura de soluçõespráticas para problemas de natureza premente para as pessoas e maisgenericamente da prosperidade das pessoas individualmente e das suascomunidades” (p1).Como vimos, Popper aceita a investigação de problemas práticos ao lado dosproblemas teóricos, mas, quanto à acção e reflexão, alguns autores insistem em quehaverá grandes diferenças da investigação‐acção em relação à ciência clássica,argumentando que a investigação‐acção funciona em processos cíclicos, onde amudança e a compreensão podem ser procuradas ao mesmo tempo, com a acção ea reflexão crítica a tomarem lugar alternadamente, pois a reflexão deve rever aacção anterior e planificar a acção seguinte.Ora a ciência em geral não parece muito diferente na visão de Popper quedeclara: “O método das ciências naturais é a procura conscienciosa de erros e suacorrecção através de críticas conscienciosas” (1992, p.39). E conclui: “Idealmentetais críticas devem ser impessoais e dirigidas somente para as teorias ou hipótesesem questão”. Assim essa reflexão e as inflexões em qualquer momento da pesquisadevem ser confrontadas com novas hipóteses locais mas enquadrando‐se emperspectivas teóricas mais vastas – o que parece aplicar‐se também à investigação‐acção na descrição evocada atrás com base nas propostas dos seus teorizadores.Mas parece‐me fundamental a dimensão participativa como caracterizaçãodeste tipo de pesquisa, dimensão acima sublinhada por Reason e Bradbury, eadiante incluirei razões por que parece preferível a designação de
investigação
 
 participativa
. Entre essas razões vejamos a apresentada por Falls‐Borda ao proporque, nessa investigação (participatory research, no original), tanto osinvestigadores como as pessoas investigadas são consideradas, não apenas clientesou objectos, mas como “pessoas. que‐.pensam‐e‐sentem (
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diversas visões sobre a experiência partilhada da vida devem ser juntamentetomadas em conta” (2001. p.30). Como apoio, o autor evoca o Congresso Mundialde Investigação Acção realizado em 1977 na Colômbia: “a investigaçãoparticipativa foi então definida como uma
vivência
necessária à realização doprogresso e da democracia, um complexo de atitudes e valores que dariam sentidoà nossa praxis no terreno” (p.31)
I
NVESTIGAÇÃO E PRÁTICA REFLEXIVA
 
Ao discutir a integração da pesquisa participativa na grande corrente dainvestigação, a presente comunicação procura particularmente analisar a validadeepistemológica da pesquisa feita pelos professores sobre o registo das própriasaulas (ou de outros profissionais, sobre as suas práticas), ao serviço da suaidentidade e profissionalidade e, também, da produção de saberes.Ora um autor ligado à epistemologia da “prática reflexiva”, Schön, diz que “não ésuficiente perguntar aos professores o que fazem, porque entre as acções e aspalavras há por vezes grandes divergências” (1992, p.90). E conclui: “Temos dechegar ao que os professores fazem através da observação directa e registada”.Mas outro autor ligado também à corrente da “prática reflexiva”, Zeichner,menciona vários movimentos envolvendo professores do ensino elementar esecundário no estudo da sua prática e também uma crescente tradição de “estudopessoal” (self‐study) em instituições de ensino superior (2001, p.276). Estesestudos focam assim o “domínio imediato da aula” e incluem, entre outras, asseguintes perguntas: Como posso eu promover melhores discussões na sala deaula e ter um ensino mais centrado no aluno”? (...) Oriento as minhas aulas demodo a que os estudantes se sintam livres para exprimir opiniões diferentes emesmo discordar de mim? (p.277).Sublinhe‐se que esses estudos representam nos termos de Zeichner “a rejeiçãode um modo de desenvolvimento curricular baseado em normas ou objectivos” emfavor de “uma mudança curricular como um processo dependente das capacidadesde reflexão dos professores”, ou seja não uma mera “aplicação da teoria”, mas “umageração de teoria com base nas tentativas para mudar a prática curricular nasescolas” (p.275). O autor indica como motivação geral destes estudos: “entendermelhor e melhorar o ensino de cada um e os contextos em que o ensino éenquadrado” mas uma outra motivação é a de “produzir conhecimento que seráútil a outros”. O que nos leva à seguinte reflexão.
Observação
 
participante
 
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observação
 
participada
 
A observação de aulas de outros professores permite um “natural”distanciamento dos fenómenos, necessário à análise. Mas a reflexão sobre aspróprias aulas, com base em mediações ou registos adequados, contém em maior

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