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O CONHECIMENTO BIOLÓGICO E AS CONSTRUÇÕES SOCIAIS DO “SER HUMANO”

O CONHECIMENTO BIOLÓGICO E AS CONSTRUÇÕES SOCIAIS DO “SER HUMANO”

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A Teoria das Representações Sociais de Moscovici e colaboradores tem defendido que o conhecimento repousa em um conjunto de símbolos possibilitadores do pensamento e da comunicação social. Este saber prático explicita, nos sentidos e significados que carrega, o processo coletivo que o estabelece, pois resulta de um conflito de interesses; opiniões, atitudes e ações de um grupo. Assim, atualiza e defende uma identidade social, promove a dupla construção da ipseidade/alteridade deste conjunto frente a outros. Busca-se discutir se a constituição do conceito “ser humano”, para a sociedade contemporânea, segue padrões análogos frente a fenômenos e organismos não-humanos. Para isto, pretende-se apresentar argumentos que fundamentam esta questão, bem como a possibilidade do uso da Teoria das Representações Sociais em trabalhos empíricos que identifiquem e investiguem essa possível relação. Primeiramente, pretende-se entender este processo na formação de professores de Biologia, pois os currículos dos cursos de licenciatura em Ciências Biológicas apresentam possibilidades intensas de reflexão sobre tal questão, principalmente pelo confronto entre teorias evolucionistas e saberes cotidianos acerca das origens, identidade e futuro dos grupos humanos. Acredita-se que o conhecimento científico e os produtos tecnológicos tenham participado de boa parte da constante (re)formulação do que se representa como identidade humana, seja pela naturalização do artificial, por exemplo à manipulação da vida, ou pelo confronto entre o que se sabe sobre o homem e os demais organismos vivos. Esta discussão pode ser frutífera no sentido de evidenciar relações dinâmicas entre os pensamentos biológico e cotidiano, bem como pensar o ensino de ciências sob um enfoque multicultural que valorize e promova o diálogo entre ambos.
A Teoria das Representações Sociais de Moscovici e colaboradores tem defendido que o conhecimento repousa em um conjunto de símbolos possibilitadores do pensamento e da comunicação social. Este saber prático explicita, nos sentidos e significados que carrega, o processo coletivo que o estabelece, pois resulta de um conflito de interesses; opiniões, atitudes e ações de um grupo. Assim, atualiza e defende uma identidade social, promove a dupla construção da ipseidade/alteridade deste conjunto frente a outros. Busca-se discutir se a constituição do conceito “ser humano”, para a sociedade contemporânea, segue padrões análogos frente a fenômenos e organismos não-humanos. Para isto, pretende-se apresentar argumentos que fundamentam esta questão, bem como a possibilidade do uso da Teoria das Representações Sociais em trabalhos empíricos que identifiquem e investiguem essa possível relação. Primeiramente, pretende-se entender este processo na formação de professores de Biologia, pois os currículos dos cursos de licenciatura em Ciências Biológicas apresentam possibilidades intensas de reflexão sobre tal questão, principalmente pelo confronto entre teorias evolucionistas e saberes cotidianos acerca das origens, identidade e futuro dos grupos humanos. Acredita-se que o conhecimento científico e os produtos tecnológicos tenham participado de boa parte da constante (re)formulação do que se representa como identidade humana, seja pela naturalização do artificial, por exemplo à manipulação da vida, ou pelo confronto entre o que se sabe sobre o homem e os demais organismos vivos. Esta discussão pode ser frutífera no sentido de evidenciar relações dinâmicas entre os pensamentos biológico e cotidiano, bem como pensar o ensino de ciências sob um enfoque multicultural que valorize e promova o diálogo entre ambos.

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09/08/2012

 
 
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Tal discussão sobre o duplo processo de definição dos espaços daalteridade/ipseidade, pouco interessou à psicologia social, que tratavaprincipalmente das formas concretas de sua exposição, como as relações raciais.Esta postura foi insuficiente para compreender a alteridade como produto eprocesso psicossocial. Contudo, a abordagem empregada pela Teoria dasRepresentações Sociais permitiu um melhor entendimento da influência simbólicasobre a construção/exclusão social que é subjacente à esta noção (JODELET, 1998).A Teoria das Representações Sociais, inaugurada por Moscovici, mostra que aconstrução simbólica coletiva propicia a manutenção de uma identidade social,consequentemente, de critérios para definição de um outro.Moscovici (1978, p. 41), percebeu que as pessoas organizam suas açõescotidianas partindo de opiniões elaboradas segundo experiências empíricas suas edos que estão diretamente relacionados consigo. Estas experiências são difundidaspela comunicação intersubjetiva ou por mecanismos de comunicação em massa,tais como, a tv, o rádio, os livros, as revistas, e atuam na formação de “entidadesquase tangíveis que [...] cruzam‐se e se cristalizam incessantemente através deuma fala, um gesto, um encontro em nosso universo cotidiano” – As representaçõessociais.Segundo ele, o conhecimento é constituído pelo pensamento simbólico, quesignifica a possibilidade de representar um objeto através de outro, bem como umobjeto significar vários outros.Este pensamento teria sua gênese na comunicação social. Os símbolos recémintroduzidos, ou edificados no grupo, são agrupados a outros, que oscontextualizam, que explicitam seus sentidos. Uns, mais arraigados a valores dogrupo, servem de base para ancoragem dos novos. Este esquema de concatenaçãode símbolos define um grupo de conceitos.A fixação de um conceito é reflexo de um conflito de interesses que se estabeleceno interior do grupo. Promove o debate e a demarcação das prioridades doconjunto, do que há em comum aos seus membros. No processo de comunicação econstrução simbólica, os grupos afirmam ou re‐elaboram os próprios contornos. Eo processo de pensamento reflete, portanto, uma organização social.Moscovici (1978, p. 41) afirma que “as representações sociais correspondem,por um lado, à substância simbólica que entra na elaboração e, por outro, à práticaque produz a dita substância, tal como a ciência ou os mitos correspondem a umaprática científica ou mítica”.
 
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1978,
 
 p.
 
 26).
 
Este saber prático explicita, nos sentidos e significados que carrega, o processocoletivo que o estabelece, pois resulta de um conflito de interesses; opiniões,atitudes e ações de um grupo. Assim, atualiza e defende uma identidade social,promove a dupla construção da ipseidade/alteridade deste conjunto frente aoutros. Neste sentido, constituição do conceito “ser humano”, para a sociedadecontemporânea ocidental, seguiria padrões análogos frente a fenômenos eorganismos não‐humanos?Acredita‐se que o conhecimento científico e os produtos tecnológicos tenhamparticipado de boa parte da constante (re)formulação do que se representa comoidentidade humana, seja pela naturalização do artificial, por exemplo àmanipulação da vida, ou pelo confronto entre o que se sabe sobre o homem e osdemais organismos vivos. Esta discussão pode ser frutífera no sentido deevidenciar relações dinâmicas entre os pensamentos biológico e cotidiano, bemcomo pensar o ensino de ciências sob um enfoque multicultural que valorize epromova o diálogo entre ambos.
O
CONHECIMENTO BIOLÓGICO E O
SER
 – 
HUMANO
Ainda na pré‐história, o homem conhecia inúmeros organismos vivos,imortalizados na arte rupestre, usados na obtenção de instrumentos de exploração,ou alimento. Desde as primeiras incursões no entendimento do meio ambiente,com a tomada de consciência da própria identidade, ele começa a traçar os seusprimeiros passos como naturalista. Principia‐se uma cisão. Ao tornar‐se naturalistao humano, passo a passo, distancia‐se da sua condição natural.Paulatinamente, a sociedade, sob o argumento, dentre outros, dos “bonsmodos”, parte de uma ruptura entre o animal e o humano. Este, que se distancia dadesordem, do invariável, torna‐se imperfeito, ao contrário dos animais, tão bemadaptados ao seu meio. Por outro lado, o homem se aperfeiçoa, se desenvolveusando de próteses sociais, em busca da sua perfeição. “Aperfeiçoar o homem, eis amissão da sociedade e do conhecimento” (MOSCOVICI, 1974).Há uma luta da sociedade contra a natureza. Um inimigo, ligado ao ambienteexterno e outro ao interno ao humano, que deve ser analisado, compreendido e

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