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Oficina de Paleografia II - (Tipos caligráficos séculos XVII-XVIII Tipos documentais óbitos, testamentos, inventários)

Oficina de Paleografia II - (Tipos caligráficos séculos XVII-XVIII Tipos documentais óbitos, testamentos, inventários)

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Published by: Roberto Carlos Mayrink Teixeira on Feb 24, 2013
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06/12/2013

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 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO – UFRRJPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA – PPHRPROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL – PET – HISTÓRIAOFICINA DE PALEOGRAFIA II(Tipos caligráficos: séculos XVII-XVIII / Tipos documentais: óbitos, testamentos, inventários)Prof. Ms. Nelson Henrique Moreira de OliveiraSeropédica, novembro de 2010
 
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Nelson Henrique Moreira de Oliveira
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 I. Tipos Caligráficos Utilizados na América Portuguesa nos Séculos XVII e XVIII: origens ecaracterísticas.
O alfabeto latino, originado do grego – assim como, em alguma medida também do etrusco
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 – e que se desenvolveu de diferentes formas nas diversas línguas escritas nacionais, sofreu inúmerastransformações ao longo dos séculos
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. Não só teve variações em termos de estilo, influenciado pelasdiversas culturas pelas quais foi utilizado e modificado, já em forma de idiomas próprios, comotambém e, principalmente, foi acometido de incontáveis degenerações. A crescente necessidade dassociedades antigas tardias e medievais em produzir um número sempre maior de registros das maisdiversas atividades políticas, econômicas, culturais e outras, juntamente com a velocidade com quese tinha de realizar tais registros desde a Antiguidade, provocou a corrupção da escrita em suasversões vernáculas. A escrita era antes grafada em bases mais rígidas (monumentos pétreos, placasde metais diversos, paredes e outros) e com instrumentos mais comuns ao uso de escultores – o quea tornava, dessa forma, muito mais duradoura. Com o correr dos séculos passou a ser registradacom instrumentos impressores menores, delicados e precisos, em bases leves, fáceis de transportar,manusear e guardar. No entanto, tornaram-se muito frágeis e suscetíveis à deterioração e perdadefinitiva, inclusive pela própria tinta utilizada e pelo instrumento de escrita, que vincava o papel,depois cortado pela corrosão causada pela tinta que se depositava nos sulcos. Além disso, a maiorliberdade que tais instrumentos permitiam aos escribas fez com que os mesmos inovassem, saindoda prática costumeira, criando degenerescências
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.Somado a tais fatores, junte-se o fato de que, também ao longo do tempo, a escrita, que foraantes dominada por poucos letrados, na sua maioria funcionários reais, nobres e membros daIgreja
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, passou gradativamente a ser conhecida e utilizada por outros indivíduos de diferentesestamentos sociais e qualidades, como mercadores, mestres e organizações de ofícios. Tais pessoas,por não terem tido a mesma formação dos primeiros e, portanto, sem dominar a língua e a escritaem sua plenitude, modificaram e ajudaram a corromper a grafia do idioma, tornando o registro deinformações e ideias muito mais rápido, porém, com o custo de terem produzido uma caligrafia na
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Mestre em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História – PPHR, da Universidade Federal Rural doRio de Janeiro – UFRRJ.
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Cf. BERWANGER, Ana Regina; Leal, João Eurípedes Franklin.
 Noções de paleografia e de diplomática
. 2. ed. SantaMaria: Ed. UFSM, 1995. p. 38.
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Cf. MENDES, Ubirajara Dolácio.
 Noções de Paleografia
. 2. ed. São Paulo: Arquivo Público do Estado de São Paulo,2008. p. 31.
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Cf. MENDES, idem. pp. 29-30.
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Segundo Berwanger e Leal, “O Cristianismo difundiu o alfabeto latino no Ocidente e, através da Biblia, fixou olatim.”, daí terem sido os religiosos os que em maior número e por mais tempo dominaram a escrita na Europa. Cf.BERWANGER, idem. p. 39.
 
 2maioria das vezes ininteligível e de má qualidade. A não existência de gramáticas em tempos maisremotos e a deterioração física dos suportes das escritas contribuíram para agravar este quadro.Há que se acrescentar, porém, que o próprio latim que deu origem às línguas nacionais, era já uma corrupção do latim clássico. Segundo Berwanger:
“A língua falada pela aristocracia [romana] e pelos intelectuais era o latim literário, erudito,diferente do latim vulgar, falado pelo povo, por pessoas incultas, pelas tropas do exército.Divulgado em todas as regiões ocupadas pelos romanos, o latim vulgar acabou dominandoas línguas locais e sofrendo influências destas. Esta adaptação vai fazer com que surjamnovos idiomas – os neolatinos. As principais línguas neolatinas são o português, o francês,o espanhol e o italiano. Do latim ainda se originaram o romeno (falado na Romênia), ocatalão (na Catalunha, região da Espanha), o rético (na Récia, ou seja, Suíça, Áustria eItália, o provençal (falado na Provença, região da França, e hoje transformado em dialeto),o sardo (na Sardenha) e o dalmático (falado na Dalmácia, antiga Iugoslávia e hoje línguamorta).”
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Ainda segundo a autora, cada região fazia uso de um diferente tipo de escrita cursiva e aadaptava, tendo ainda como base o latim. Assim, nasceram as escritas nacionais: merovíngia naGália (França) e, além desta, a carolíngia ou minúscula carolina; a lombárdica ou longobárdica naItália e, no sul desta, a escrita beneventana, a irlandesa na Irlanda, a anglo-saxã na Inglaterra e, naEspanha e em Portugal, a visigótica. A mais importante destas escritas nacionais foi a carolíngia,criada no mosteiro de Saint Martin, na cidade de Tour, na França, e que foi muito utilizada entre osséculos IX e XII, influenciando profundamente todas as outras escritas nacionais. A responsável porlevar esta escrita para Portugal foi a Ordem de Cluny. Foi utilizada até a invenção da imprensa etinha como características as letras minúsculas, arredondadas, hastes baixas, com formas regulares,simples, claras e sem rebuscamento
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.Grosso modo, de acordo com Berwanger, pode-se distinguir basicamente a escrita de umaforma geral, com relação à dimensão das mesmas, como “maiúscula” e “minúscula”, e quanto àexecução “redonda” (ou sentada; era traçada com capricho e lentidão para manuscritos litúrgicos,literários e científicos) e “cursiva” (traçada com rapidez e descuido)
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, como se pode perceber nosexemplos a seguir.
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BERWANGER, idem. p. 39.
7
Cf. BERWANGER, idem. pp. 46-47.
8
Cf. BERWANGER, idem. p. 43.

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