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Direito Romano Familia

Direito Romano Familia

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Published by: Andreia Cristiane de Pinho Santos on Feb 22, 2009
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05/25/2014

 
CAPÍTULO
25
FAMÍLIA
A FAMÍLIA ROMANA: CONCEITO E HISTÓRICO
A organização familiar romana era fundamentalmentediferente da moderna. Suas instituições básicas, parentesco, pátrio poder, matrimónio e tutela, têm princípios muitas vezes diversosdos nossos.A palavra
 família,
no direito romano, tinha riossignificados: designava precipuamente o chefe da família e ogrupo de pessoas submetido ao poder dele, mas podia tambémsignificar património familiar ou determinados bens a este pertencentes. Aliás, etimologica-mente, família prende-se a
 jamulus,
escravo, que, em Roma, tinha obviamente valoeconómico.Interessa-nos, aqui, de modo especial, a família no sentidode conjunto de pessoas ligadas pelo vínculo direto. Na sua aceão original, família era evidentemente a
 família próprio iure,
isto é, o grupo de pessoas efetivamentesujeitas ao poder do
 paterfamilias: iure próprio familiam dicimus plures personas, quae sunt unius potesfate aut natura aut iure subiectae
(D. 50.16.195.2). Noutra acepção, mais lata e mais nova, famíliacompreendia todas as pessoas que estariam sujeitas ao mesmo
 paterfamilias,
se este não tivesse morrido: era a
 familia communiiure. Communi iure familiam dicimus omnium adgnatorum: nam... qui sub unius potes-iate fuerunt recte eiusdem familiaeappellabuntur, quia ex eadem domo et gente proditi sunt 
(D.50.16.195.2).Em ambos os conceitos de família, a base do liame são a pessoa e a autoridade do
 paterfamilias,
que congrega todos osmembros. A
 pátria potestas
 podia ser atual, como na
 familia próprio iure,
ou ter existido precedentemente, o que se verificavana
 familia communi iure.
153O liame ou vínculo que une os membros de uma família chama-se parentesco e ele era, no direito romano arcaico, puramente jurídico. Dependia, exclusivamente, do poder que o
 paterfamilias
tinha ou teve sobre os membros da família. Esse parentesco jurídico chama-se
adgnatio (Vocantur autem adgnatiqui legitima cognatione iuncti sunt. Legitima autem cognatio est ea, quae per virilis sexus personas coniungitur,
Gai. 3.10) e setransmitia só pela linha paterna, pois somente o varão podia ser 
 paterfamilias.
A
adgnatio
era chamada tamm de
cognatiovirilis,
Esse parentesco agnatício se contrapõe à
cognatio
(cognaçãoou parentesco consanguíneo), existente entre os pais e os filhos etodos os que m ascendentes comuns. Tal parentesco eraentendido como incluindo os liames pela linha materna:
at hi
qui per feminini sexus personas cognatione coniunguntur, non sunt adgnati, sed alias natu-rali iure cognati
(Gai. 1.156).O parentesco consanguíneo foi reconhecido pelo direitoromano desde os tempos mais remotos, acarretando impedimentomatrimonial e, também, gerando outras consequências jurídicas. Na evolução do direito romano, desde os tempos arcaicosaté a época do direito pós-clássico, pode-se notar a luta entre osdois princípios, o da agnação e o da cognação, verifícando-se a prevalência cada vez mais acentuada do princípio do parentescoconsanguíneo que, ao final, suplantou totalmente o da agnação.O cálculo do grau de parentesco fazia-se pelas gerações;
quot  generationes, toí gradus.
Assim, na linha reta, entre ascendentes,contava-se o número de gerações. Pai e filho, por conseguinte,eram parentes do 1.° grau, avô e neto do 2.° grau. Na linhatransversal, entre parentes colaterais, para o cálculo do grau de parentesco era preciso remontar ao ascendente comum e contar todas as gerações intermedrias. Assim, dois primos eram parentes em 4.° grau, porque há duas gerações entre o avô comume um dos primos e outras tantas gerações para chegar do avô aooutro primo. O parentesco não era reconhecido além do 7.° grau(D. 38.10.4 pr.)-O liame de parentesco existente entre um cônjuge e os parentes do outro chamava-se afinidade
adfines sunt viri et uxoriscognati
(D. 38.10.43). Ele se limitava, porém, ao cônjuge, não seestendendo dos parentes de um aos parentes do outro.
154
 
PÁTRIO PODER O caráter arcaico do poder que o
 paterfamilias
tinha sobreseus descendentes era revelado pela total, completa e duradourasujeição destes àquele, sujeição esta que tornava a situação dosdescendentes semelhante à dos escravos, enquanto o
 paterfamilias
vivesse.A organização familiar romana repousava na autoridadeincontestada do
 paterfamilias
em sua casa e na disciplina férreaque nela existia.Assim o
 paterfamilias
exercia um poder de vida e de mortesobre seus descendentes
(ius vitae ac necis),
o que já erareconhecido pelas XII Tábuas (450-451 a.C.). Esse poder vigorou em toda sua plenitude até Constantino (324-337 d.C.)(Codex Theodosianus, 4.8.6 pr.). O
 paterfamilias
 podia matar ofilho recém-nascido, expondo-o (abandono), até que umaconstituição dos imperadores Valentiniano I e Valêncio (em 374d.C.) proibisse tal prática (C. 8.51(52).2). A venda de filhoera também possível, O filho vendido encontrava-se nasituação especial de pessoa
in mandpio,
 pela qual eleconservava seus direitos públicos. Continuava cidadão romano.Quanto aos seus direitos privados, todavia, ele os perdia. Nodireito cssico tal venda se praticava para fins deemancipação ou para entregar à vítima o filho que cometera umdelito
(noxae datid).
Originariamente o
 paterfamilias
 podiacasar seus filhos, mesmo sem o consentimento destes. Nodireito clássico, pom, exigia-se o consentimento dosnubentes. Por outro lado, o pátrio poder, tão amplooriginariamente, incluía o direito de o pai desfazer o matrimóniode filhos a ele sujeitos. O imperador Antonino Pio (138-161d.C.) aboliu expressamente essa faculdade com relação àsfilhas. Para os filhos, o direito em questão desapareceu maiscedo (Pauli Sent. 2.19.2).Do ponto de vista patrimonial, o pátrio poder implicava acentralização de todos os direitos patrimoniais na pessoa do
 paterfamilias.
 No direito clássico, este era a única pessoa capazde ter direitos e obrigações. Às pessoas sujeitas ao pátrio poder o tinham plena capacidade jurídica de gozo; assim, não podiam ser os
alieni iuris
sujeitos de direito:
 filius nihil suumhabere potest 
(D. 41.1.10.1). Semelhantemente aos escravos, osfilhos, adquirindo qualquer direito, o adquiririam para o
 paterfamilias.
Pelos seus atos, porém, não o obrigavam. Se o
 filiusfamilias
cometesse um delito, de que decorresse uma obri-gação delitual, a responsabilidade seria do
 paterfamilias,
que poderia, ele mesmo, ressarcir o dano causado peto filho ou,então, se o prefe-
155
risse, entregar o filho ao ofendido. Era isto que se chamava de
noxae datio,
assunto de que já falamos. Quanto às obrigaçõescontratuais, eventualmente assumidas pelo
 filiusfamilias,
elas, em princípio e pelo direito quiritário, não obrigavam o
 paterfamilias.
 Nesse campo, porém, veio o pretor e alterou as regras rígidas dodireito quiritário, passando a admitir ações especiais dirigidascontra o
 paterfamitias.
Assim agia quando o
 filiusfamilias
fosse preposto do
 pater 
em empresa de navegão ou outroempreendimento dele
(actiones institoria, exercitaria)
ou quandoo filho agisse sob ordens expressas do pai
(adio quod iussu).
Também quando a vantagem correspondente à obrigação au-mentasse o património do pai
(actío de in rem verso)
ouquando o ato do filho fosse praticado na administração do pecúlio que o pai lhe entregava
(adio de pecúlio).
Essas ações pretorianas, visando à responsabilização do
 paterfamilias
 pelasobrigações assumidas pelo filho, chamavam-se
actiones adiectitiaequalitatis.
 Nesta altura temos que mencionar o
 senatusconsulíumMacedo-nianum,
da época do imperador Vespasiano (70 a 79d.C.), que proibiu aos
 filiifamilias,
de qualquer idade, tomar empréstimos de dinheiro. Com base nessa regra, o
 filiusfamilias
tinha um meio de defesa processual: a
exceptio senatusconsultiMacedoniani,
que paralisava a ação do credor. Essa defesa não seaplicava, porém, quando o
 filiusfamilias
contraía o empréstimoautorizado pelo pai ou em favor deste (D. 14.6.7.11).Por outro lado, a independência parcial, no campo.patrimonial, do
 filiusfamilias
começou a ser reconhecida desde aépoca de Augusto (31 a.C. - 14. d.C.), que considerou o patrimónioadquirido pelo
 filiusfamilias
durante o serviço militar 
(peculiumcastrense)
como pertencente exclusivamente a ele (D. 49.17.11).Esses bens, portanto, não mais pertenciam ao pai e o filho podiadeles dispor livremente. Mas se o filho falecesse sem deixatestamento, os bens passariam a pertencer ao
 paterfamilias
 
comose sempre a ele tivessem pertencido:
iure pecuíii
(D. 49.17.2).Depois do imperador Constantino (324 a 337 d.C.), esses princípios se estenderam ao património adquirido pelo filho noserviço público, o que os modernos chamam de
 peculium quasicastrense.
Outrossim, semelhante separação de património tevelugar com relação aos bens do
 filiusfamilias,
 provenientes de suae ou de ascendentes pela linha materna. Eram os bensdenominados
bona materna.
Assim, a independência patrimonial do filho foi cada vez se acentuando mais com o passar do tempo. Por fim, Justiniano quali-
156

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