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PLANEJAMENTO URBANO E O DIREITO A VIDA - Sérgio Botton Barcellos

PLANEJAMENTO URBANO E O DIREITO A VIDA - Sérgio Botton Barcellos

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Published by: Sérgio Botton Barcellos on Feb 27, 2013
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04/29/2014

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PLANEJAMENTO URBANO E O DIREITO A VIDA:Algumas provocações para o debate
Sérgio Botton BarcellosO debate sobre o planejamento urbano no Brasile a questão dos planos diretores ao longo e a relação com a gestão das cidades configura-se como uma das expressões do ciclo capitalista em relação aquestões políticas, econômicas e socioambientais. No atual momento histórico e de desenvolvimento docapitalismo no Brasil, o debate sobre planejamento urbano e dos planos diretores está presente em muitascapitais estaduais e regiões metropolitanas, em grande medida devido muitas sediarem jogos da copa domundo em 2014 e pelo conjunto de obras sendo feitas para atender as exigências da FIFA
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.Outra questão que está chamando a atenção no debate público sobre planejamento urbano é emrelação à mobilidade e o trânsito nas cidades, devido às ruas e rodovias estarem a cada dia que passa commais e mais automóveis, com uma persistente condição de precariedade do transporte público, pelainsuficiência de veículos coletivos, pelos preços altos das tarifas, trajetos em condições consideradasinadequadas e a falta de estímulo para políticas públicas efetivas nesse tema.Além desses dois aspectos que são temas correntes de debate em muitas cidades do Brasil, há odebate socioambiental motivado sazonalmente em diferentes regiões do Brasil devido, por exemplo, asenchentes no Rio de Janeiro e São Paulo e pela falta de abastecimento de água nas cidades do semiáridocom as secas.No caso do Rio de Janeiro, no início do ano fortes chuvas, enchentes, deslizamentos de encostas emorros com perdas materiais e de vidas são recorrentes. As cidades mais afetadas nos recentes anos estãolocalizadas na Região Serrana do estado com cerca de 35 mil pessoas desalojadas e centenas de vítimasfatais entre 2010 até esse ano, sendo que em 31 municípios do estado estima-se a possibilidade dodeslizamento de 7.383 casas que estão construídas em locais considerados de risco.No semiárido nordestino o estado com cidades mais acometidas pela falta de água é a Bahia comcerca de 260 municípios atingidos. Municípios de Alagoas e Piauí também estão há meses sem chuvas.Segundodados divulgados periodicamentepelo Ministério da Agricultura (MAPA), 08 municípios da Zonada Mata em Pernambuco estão em situação de emergência devido à estiagem. No Maranhão, a estiagemchegou a municípios do litoral, como o de Barreirinhas nos Lençóis Maranhenses. No Norte de MinasGerais, 125 municípios estão em situação de emergência devido à seca, inclusive com a seca de barragens.11 Lembrando que cerca de 170 mil famílias estão ameaçadas de despejo e já ocorreu a remoção de maisde 8 mil famílias, afetando diretamente 24 comunidades em todo o país.
 
Diante desse contexto, cabe considerar que vivencia-se um momento de expansão e maiordisponibilidade de subsídios públicos ao crédito para a produção habitacional no país, associado aocrescimento quantitativo da economia, o que têm estimulado um dos maiores ciclos de crescimento eespeculação no ramo do setor imobiliário. Com esse crescimento, estima-se que cerca de 27 milhões demoradias terão que ser construídas no Brasil até 2023. Odéficit atualrequer a produção de 7,5 milhões dehabitações.A Região Sudeste, a mais populosa do Brasil, concentra 36,9% do total do deficit habitacional doPaís, seguida pela Região Nordeste com o segundo maior déficit com 35,1% do total. Comparada às demaisregiões, a Região Norte apresenta o maior percentual em termos relativos, o déficit de 557 mil unidadeshabitacionais corresponde a 13,9% dos domicílios da região. Considera-se que 88% da concentração defavelas, sem as condições adequadas e necessárias para a uma vida digna ocorreram, estão nas regiõesmetropolitanas do Brasil. Apenas nas cidades e regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro eBelém estão reunidas 44% da população que vivem em favelas no Brasil.Dentre tantos aspectos que podem ser mencionados, quando se pensa planejamento urbano é opolítica para abertura de estabelecimentos comerciais e as condições necessárias para a sua manutenção,no qual não pode-se desconsiderar nisso a questão das relações políticas e econômicas entre os órgãospúblicos, governantes e a iniciativa privada. Esse debate veio com força na arena pública recentementemotivada pelo trágico incêndio em uma Boate na cidade de Santa Maria – RS, que estava aberta emsituação irregular e sem as condições adequadas de segurança, no qual 249 jovens foram mortos (as) e comcentenas de feridos (as) em estado grave.São muitos elementos que compõem o conjunto de debates relativos ao Planejamento urbano,contudo percebe-se que muitos precisam ser desnaturalizados e pensados além de medidas paliativas esoluções de curto prazo para situações imediatas. A necessidade de elaborar um planejamento de Estadode longo prazo para a questão urbana e das cidades configura-se como uma das prioridades para odesenvolvimento sustentável do país associado aos debates da reforma agrária, da desigualdade social, dodireito as cidades e ao seu território. Junto a isso parece ser necessário debater em sociedade a grandemudança geracional e demográfica com o envelhecimento da população nos próximos 20 a 30 anos, o quevai influenciar diretamente na dinâmica espacial de mobilidade, a acessibilidade a serviços e as políticas deassistência social em todo Brasil.Algumas dessas questões e temas, no tão vasto debate sobre planejamento urbano não estãocontidos na agenda de Estado e da grande maioria dos governos, bem como da nossa grande mídiaconservadora. A renúncia e a omissão em realizar uma discussão ampla e aberta junto com a sociedade,sobre o planejamento urbano no Brasil e o impacto dos grandes eventos, está sendo gerido pelo próprioEstado no Brasil, ao que tudo indica, e a favor de interesses dos grupos privados que almejam lucrar eespecular nos espaços urbanos nesse atual estágio do capitalismo no mundo. 
 
Participação política e a questão do planejamento urbano e da desigualdade social
“a escravidão/a cidade esquece/purga e cala” Suíte Senzala -
 Serraria & RedençãoCabe resgatar que o processo histórico de urbanização brasileiro apoiou-se em larga escala noprocesso de êxodo rural a partir de uma estrutura fundiária concentradora, tanto na cidade, como no meiorural e com a concentração da maioria da população em áreas e regiões consideradas desprestigiadas esem infraestrutura. Atualmente, mesmo com oEstatuto da Cidade, os Planos Diretores e a criação doMinistério das Cidades, bem como a aprovação daPolítica Nacional de Habitação - PNH
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em 2004, quepropôs uma suposta concepção de ampliação e integração das questões de desenvolvimento urbano nascidades, a falta de planejamento urbano, ou, aliás, a existência de um planejamento que não contempla emlinhas gerais a maioria da sua população. A criação de aparatos normativos, institucionais e políticaspúbicas, diante desse modelo de urbanidade, parece estar distante de que possa vir a ser um projeto dedesenvolvimento urbano e comunitário para as cidades com direito a vida e a participação política concretado conjunto da sociedade.Percebe-se que esse modelo urbano no Brasil beneficia poucos segmentos da sociedade e não estásendo capaz de prover as condições adequadas e necessárias de renda, moradia, mobilidade e saneamentopara uma grande parcela da população brasileira que está situada em sua maioria à margem dos mercadosde habitação, infraestrutura e produtos de bens e consumo. Com este modelo vigente, há uma tendênciaem configurar-se no concreto e simbolicamente a privatização das cidades, com o gerenciamento doEstado, por meio das suas prefeituras, juntamente com as alianças de poder político e econômico, e amanutenção desse
status quo
social. No espaço urbano a questão da desigualdade social pode seranalisada, por exemplo, de forma mais evidente desde a própria paisagem urbana, que expressa e permitevisualizar a divisão social do trabalho e da renda no território urbano. Este tipo de ação ocorrida em váriascidades europeias, por exemplo, é conhecido como “gentrificação” que a grosso modo pode ser entendidacomo a elitização de determinadas localidades a partir da expulsão dos moradores de menor rendaresidentes anteriormente.O Estado medeia à negociação entre o capital e o trabalho (a concertação social) e transforma osrecursos financeiros que lhe advêm da tributação, contudo percebe-se um alto grau de intervencionismo2
2 A Política Nacional de Habitação é viabilizada por meio do Sistema Nacional da Habitação, pelo Plano Nacional daHabitação – PLANAB e pela regulamentação do Estatuto das Cidades. Os programas do Sistema de Habitação deInteresse Social contemplam ações de urbanização de favelas, realocação de famílias em áreas de risco, alagados,cortiços, etc..

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