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Trabalho Redacao

Trabalho Redacao

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Published by Artur Araujo

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06/27/2013

 
 
Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br)site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ftp: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/Página1de5 
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO
O Trabalho na Redação
ERBOLATO, Mário L. Técnicas de codificação em jornalismo.Petrópolis : Vozes, 1978, p. 193-198Uma empresa jornalística não vende um produto qualquer. Vende um produto bemespecífico e em que se busca, mais que em qualquer outro, o valor intrínseco. Vende-se opinião, vende-se coerência - se é que cabe ainda o uso do verbo vender.Júlio de Mesquita Neto
 As NOTÍCIAS CHEGAM ININTERRUPTAMENTE À REDAÇÃO E DEVEM SER TRATADAS - Ainformação adiantada (sob embargo) e a retardada por motivos de segurança - Osdados sobre o lançamento da primeira bomba atômica em Hiroxima foram fornecidosaos jornalistas 24 horas depois - A barriga constitui a notícia falsa - O recurso dosegundo clichê.
NA Redação dos jornais, a atividade é sempre das mais intensas, com notícias quechegam ininterruptamente. Os encarregados de recebê-las (Produção ou Recepção) asencaminham aos redatores, para que possam ser tratadas, de acordo com aimportância de que se revestem.Cada Editor (responsável por um dos setores ou assuntos) faz a previsão das matériasque deverão ser publicadas no dia seguinte, calculando Inclusive o espaço total de quenecessitará. Diariamente, há reunião dos Editores, com o Editor Geral, depois de aAdministração informar o número de páginas da edição e o total dos anúncios. Aí,então, é feita a distribuição do número de colunas para as diversas Editorias.De posse de um texto, o encarregado de analisá-lo poderá solicitar, por intermédio darespectiva chefia, informações complementares, que serão pedidas à reportagem local,às sucursais, aos correspondentes, às agências e ao arquivo.Elaborados os textos definitivos, com a colaboração ou não do
copydesk 
e de acordocom o que foi diagramado, as matérias descem para as Oficinas, a fim de seremcompostas e paginadas.
A notícia adiantada (sob embargo)
É comum que os jornais recebam alguma notícia antecipadamente, a qual permanecesob embargo, até determinada hora. Discursos do Presidente da República ou íntegrasde acordos internacionais são entregues com antecedência, para facilitar o trabalhodas Redações, mas não podem nem mesmo resumidamente, ser divulgados pelo rádioou televisão.Recomenda-se que, no caso de pronunciamentos oficiais, um repórter seja destacadopara acompanhar o discurso, ouvindo-o in loco ou pelo rádio a fim de conferi-lo com ooriginal fornecido antes. Os oradores, em muitas ocasiões, acrescentam frases ou assuprimem. Os Editores devem ainda permanecer atentos aos despachos vindos portelex ou teletipo, pois alguns deles fazem referência aos anteriores, anulando-os oualterando-os (Ver Capítulo 1O).
 
 
Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br)site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ftp: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/Página2de5 
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO
R. Fraser Bond afirma que “o jornal tem seus planejadores, seu produto manufaturadode notícias, variedades e anúncios convertidos nos exemplares impressos” 
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. O mesmoautor cita Philip Gibbs, em frase que publicou em
 Adventures in Journalism
: “Um jornalé um organismo vivo, impregnado da vida dos que nele trabalham, inspirados por seuespírito, animados pelos seus ideais e pensamentos, o veículo vivo da sua própriaaventura cotidiana”.Júlio de Mesquita Neto, ao falar no encerramento da Semana de Comunicações de1976, promovida pelo Diretório Acadêmico 5 de maio, do Curso de ComunicaçõesCulturais da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, acentuou: “Uma empresa jornalística não vende um produto qualquer. Vende um produto bem específico e emque se busca, mais que em qualquer outro, o valor intrínseco. Vende-se opinião,vende-se coerência – se é que cabe ainda o uso do verbo vender”. Lembrou ainda que “o público quer um jornal que exprima o que ele apenas consegue pressentir”.
A informação retardada
As atividades dos jornalistas nem sempre podem ser exercias com rapidez e liberdade.Durante as guerras, há a censura, voluntária ou estabelecida oficialmente, a fim deque a divulgação de determinados fatos não prejudique a segurança. Assim, muitasnotícias ou despachos telegráficos são retardados por horas ou dias, para liberaçãoquando já não possam prejudicar o andamento das operações bélicas ou diplomáticas.A assinatura do Acordo de Cooperação Nuclear entre o Brasil e a Alemanha Ocidentalfoi mantida em sigilo pelos jornais durante a fase de entendimentos. Em sua edição de27 de junho de 1975, O Estado de S. Paulo publicou a seguinte notícia, procedente deBonn e transmitida pelo seu enviado especial, Caio Pinheiro: “Quinze dias antes daassinatura do acordo Brasil-Alemanha, o ministro da Pesquisa Hans Matthofer reuniuos editores dos principais jornais alemães e forneceu-lhes todo o back-ground dasnegociações entre os dois países. Em troca, impôs um rigoroso acordo de silêncio emtorno do problema, aconselhando apenas o uso esporádico de algumas dasinformações, até o dia da formalização oficial do documento”.John Hohenberg
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conta que os jornalistas sabiam, em confiança, sobre as missões doGeneral Dwight Eisenhower, relacionadas com o Dia D (invasão da França, em 6 de junho de 1944), bem como a respeito da viagem do Presidente Roosevelt, paraencontrar-se com os representantes da Inglaterra e da Rússia.O lançamento da bomba atômica pela primeira vez, em Hiroxima, considerado como “aexplosão que terminou com a Segunda Guerra Mundial”, somente foi conhecido doisdias depois, quando o Presidente Harry Truman, dos Estados Unidos, convocou os jornalistas para lhes dar a notícia. John Hightower, da Associated Press, divulgou,então, o despacho seguinte
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que milhares de jornais de vários países publicaram na
1
R. Fraser Bond. Introdução ao jornalismo. Rio, Livraria AGIR Editora.
2
John Hohenberg. Manual de Jornalismo. Rio, Editora Fundo de Cultura.
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Luiz Moreno Gómez e Victor Arroyo.
Cinco siglos tras la noticia
. 18º Cuaderno,Caracas, Universidad Central de Venezuela
 
 
Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br)site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ftp: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/Página3de5 
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO
primeira página, a 7 de agosto de 1945 (Hiroxima fora destruída no dia 5 daquelemês):
WASHINGTON, agosto, 6, 1945 (AP) - Por John Hightower - A força destruidora maisterrível que já foi dominada pelo homem, a energia atômica, está sendo lançada agoracontra as ilhas do Japão, pelos bombardeiros estadunidenses. O Japão enfrenta aameaça de uma destruição total e completa, ou a sua capitulação, que não podedemorar muito. A existência da nova arma foi anunciada pessoalmente pelo PresidenteTruman, em uma declaração divulgada pela Casa Branca, às onze da manhã, hora deguerra do Este. Disse que a primeira bomba atômica, inventada e aperfeiçoada pelosEstados Unidos, havia sido jogada na base do exército japonês em Hiroxima, dezesseishoras antes de sua declaração. Uma só bomba leva mais poder que dois mil aparelhosB-29 em um só ataque contra o Japão. O Secretário da Guerra, Stimson, informou quea explosão havia levantado nuvens de fumaça e poeira tão densas, que se tornouimpossível a observação pormenorizada dos efeitos. O poder da bomba, segundoStimson, era suficiente para fazer superar a imaginação. Assegurou, ainda, que seriauma enorme ajuda para o término da guerra contra o Japão.Stimson relembrou que o Japão poderá ser colocado fora de combate apenas porataques aéreos, sem necessidade de ser invadido. Truman frisou que os japoneseshaviam rechaçado o
ultimatum
de rendição dos Três Grandes, reunidos em Potsdam, eque tinha por finalidade evitar a “completa destruição dos nipônicos”. Disse ainda queagora, com a nova bomba, os japoneses poderiam esperar “uma chuva de destruiçãopelo ar, como jamais se viu na Terra”.A informação também proclamava a vitória anglo-americana ao custo de dois milhõesde dólares, em uma das mais terríveis batalhas da guerra: a batalha dos laboratórios,com o fim de revelar os segredos do átomo e aplicar a sua energia para fins militares.Os alemães tentaram desesperadamente sair vitoriosos nesta luta, nos últimos mesesda guerra. Os cientistas estão de acordo que se aproxima uma nova era para a paz e aguerra. Se bem que há muito para se experimentar a nova energia, indubitavelmenteela poderá ser usada para propulsionar aviões, barcos e trens, para fins tantoconstrutivos, como de destruição.Truman disse que a nova bomba obtém a sua energia na mesma fonte do sol e quetinha maior poder que vinte mil toneladas de TNT. Como um B-29 pode lançar cerca dedez toneladas de bombas sobre um objetivo, isso significa que dois mil desses aviõesserão necessários para conseguir com o TNT a destruição que um só aparelho alcançacom uma só das novas bombas. Truman declarou que o novo poder “domina as basesdo universo”. Estas palavras parecem ter grandes possibilidades como propagandacontra os japoneses. Agora se pode dizer que o próprio sol contribui para destruí-los.Todavia, o segredo envolve muitas das características da nova bomba atômica,sabendo-se apenas que o tamanho da carga explosiva é pequeno”.
Hightower, correspondente da Associated Press, não se contentou em fornecerpormenores sobre o lançamento da bomba e de seus efeitos imediatos, mas preferiuinterpretar o acontecimento, desconhecido para a humanidade, e fazer conjecturassobre o emprego da energia atômica.Dois dias antes da divulgação desse telegrama, um cidadão, em trajes esportivos, abordo do Augusta em águas encarpeladas do Atlântico, lia o seguinte despacho: “Grande bomba lançada em Hiroxima 5 agosto 7,45 hora Washington ponto Primeirosinformes indicam total exito”. Esse homem, que era Harry Truman, Presidente dosEstados Unidos, saltou da cadeira em que se encontrava e correu à procura do capitão

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