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BOLETIM D.ANTÓNIO IV

BOLETIM D.ANTÓNIO IV

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Fundador: Pe. António F. CardosoDesign: Filipa Craveiro | Alberto CraveiroImpressão: Escola Tipográfica das Missões - Cucujães - tel. 256 899 340 | Depósito legal n.º 92978/95 | Tiragem 2.500 exs. | Registo ICS n.º 116.839
Director: Amadeu Gomes de Araújo, Vice-PostuladorPropriedade: Associação
"Grupo dos Amigos de D. António Barroso".
NIPC 508 401 852Administração e Redacção: Rua Luís de Camões, n.º 632, Arneiro | 2775-518 Carcavelos Tlm.: 934 285 048 – E-mail: vicepostulador.antoniobarroso@gmail.comPublicação trimestral | Assinatura anual: 5,00
 €
Boletim de
 
D. António Barroso
III Série . Ano II . N.º 4 . Janeiro / Março de 2012
O BISPO ESMOLER
Era assim que a imprensada época se referia, por ve-zes, a D. António Barroso. Eo povo anónimo ao vê-lo pas-sar na rua chamava-lhe o “Paidos pobres”.São inúmeros os teste-munhos de que era este otratamento dado por muitosportuenses ao seu bispo. E D.António de Castro Meireles,que lhe veio a suceder no go-verno da diocese (1929-1942),confirma: «A sua bondade erao traço mais saliente de todaa sua vida... Dos pobres e doshumildes fez os seus amigosde todos os dias». «Por issopôde dizer, quase à hora damorte: “Nasci pobre e pobrequero morrer”».Anos depois, em 1954, es-creveu o fundador da Obra doGaiato, o Pe. Américo: «A suagrande loucura está no amoraos Pobres (...) Um cordão quea mãe lhe dera gastava-se aosbocadinhos, quando não haviadinheiro». 
 A. G. A.
EM TEMPO DE CRISE
SENSIBILIDADE AOS PROBLEMAS SOCIAIS
A Europa dos nossos dias vive atordoada sob os efeitos de um rolo com-pressor manobrado na sombra por mercados sem rosto. No nosso país multi-plicam-se as situações de pobreza extrema. Aos dramas humanos que abundamna sociedade portuguesa, tem sido sensível a Igreja, nomeadamente D. CarlosAzevedo. Quando responsável pela Pastoral Social, este bispo corajoso abordouas questões sociais com clareza, como fazia D. António Barroso, figura que muitoadmira e sobre quem escreveu recentemente uma biografia, pondo em relevoa grande sensibilidade que este missionário bispo sempre manifestou para lidarcom os problemas sociais.De facto, D. António Barroso enfrentou, por várias vezes, questões de or-dem social. Logo no início chamou a atenção dos seus diocesanos para a cria-ção da
 Assistência Nacional de Tuberculosos
. Em Provisão de 6 de Fevereiro de1900 reflectiu sobre a propagação da doença, que prejudicava sobretudo osmais pobres. Pedia encarecidamente aos párocos que colaborassem com a
Co-missão de Propaganda de Assistência Nacional 
, angariando sócios em cada freguesia.Esclarecia sobre as finalidades: «centralizar os meios de combate, suspender amarcha do terrível mal, procurar a cura ou ao menos diminuir o sofrimento dasvítimas». Impulsionava as Escolas agrícolas, com Provisão de 22-10-1905. Perante«temeroso abalo de terra que cobria de luto e desolação os nossos irmãos doRibatejo», em 23 de Abril de 1909, dirigiu ao clero uma circular pedindo ajuda.
Pobreza no Porto. Associação de Protecção à Infância,fundada por D. António Barroso, em 03/08/1903.Largo 1.º de Dezembro, Porto
 
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episcopal do bispo que é canalizadopara esta finalidade.Todas as múltiplas instituições deserviço social existentes na dioceselembram os gestos concretos do seuBispo. Hospitais, Asilos, Associaçõesreceberam atenções e protecção deBarroso. Em Dezembro de 1914 pu-blica uma Provisão relativa à Liga daBoa Imprensa dos Pobres, incentivan-do o seu desenvolvimento. Dá claroimpulso na fundação da Associaçãodos Médicos Católicos Portugue-ses e patrocina círculos católicos deestudo e Associações de JuventudeCatólica, a Obra da Santa Infância ea Associação de Protecção à Infân-cia. Esta foi fundada em 3 de Agostode 1903, por iniciativa de D. AntónioBarroso para se dedicar à educaçãomoral e intelectual de crianças. Aindafunciona.Intervém urgindo atitudesconcretas e estabelecendo critériospermanentes.Lança, pela Provisão de 11 de Maiode 1917, um peditório a favor da Li-tuânia. A subscrição, que rendeu umasoma considerável, demonstra que asua visão atenta e preocupação socialultrapassam os limites do territórionacional.
Boletim de
 
D. António Barroso
A diocese deu «prova eloquentede fraternidade cristã», como dissena altura de agradecer. Mas ainda nãorefeitos os ânimos, novas calamidadesassolaram o país, particularmente oPorto. Foram as inundações de De-zembro de 1909: «Este meu tão que-rido e amigo Douro... transborda...arrasta para os abismos do oceanotudo o que encontra na sua passagemdevastadora.»Na Pastoral da Quaresma de 1910D. António Barroso tratou do papelsocial da Igreja. Defendeu ligaçõesíntimas entre religião e sociedade.Enumerou alguns contributos da re-ligião cristã para a transformação so-cial. Lembrou que foram «princípiosfraternais que levedaram e amadure-ceram lentamente ao sol de séculos,provocaram a abolição do monstruo-so escândalo da escravatura». Ao cris-tianismo se deve «a transformação daservidão, o poder das corporaçõesoperárias e tem preparado esse mo-vimento, que apesar de desvarios, quedevemos lamentar e condenar, im-pulsionam os homens para situaçõesmelhores, mais firmes».Salientou a missão de promovera ordem e a paz entre os homens,o cuidado de os unir em laços defraternidade, de fazer de todos umafamília, ser exemplo e fonte de leiscivis. «Antes da sociedade civil» de-fender a dignidade humana, a Igrejatinha-o praticado na sua vida e or-ganização.A mesma atenção às causas so-ciais prosseguiu após o exílio. Já antesdo exílio tinha acarinhado as Oficinasde São José, o Asilo de Vilar, o Reco-lhimento das Meninas desamparadas,o Recolhimento do Ferro, as Irmãzi-nhas dos Pobres. O Círculo Católicode Operários, reduzido a um montãode escombros pela fúria anticlerical,renasce em 1916, devido ao jubileu
Illustração Portugueza,de 28 de Março de 1910
A mais extensa pastoral sobretemática especificamente social datade 25 de Abril de 1918, quatro mesesanterior à sua morte. Cheio de solici-tude pastoral enfrenta a questão dassubsistências, como «reflexo da Gran-de Guerra e resultante da nossa velhaimprevidência»: os preços aumentamdia-a-dia. Começa-se por sacrificar ovestuário, o agasalho, a educação dosfilhos, o decoro da família. Propagam--se as doenças agravadas pela misé-ria. A exploração espreita a miséria eleva à perda da honra. Para enfrentaras consequências da guerra como afome e as doenças preconiza cuida-dos a prestar à agricultura e à higiene.D. António Barroso sente-se unidoaos diocesanos, com desvelo paternal,em nome dos pobres.Faz um apeloaos agricultores para que aumentemnas suas terras a produção cerealífe-ra. Aumentar a produção é «grandedever social». São sábias as palavras:«A agricultura é a vida das outras in-dústrias e a resistência dos povos».Admira a heroicidade da agriculturaportuguesa e cita como exemplo adar o caso das terras sobranceiras aoDouro. Para a crise que se vive aponta:cultura intensiva com adubos quími-cos, melhor aproveitamento das apti-dões dos terrenos pelo arroteamen-to de algum bravio. Depois dos apelosvem a denúncia. Denuncia a ganânciade lucros excessivos na venda deprodutos agrícolas. Considera-a «ex-ploração monstruosa, sem entranhase sem pudor». Aborda a questão dosalário e pede aos patrões que obe-deçam com fidelidade aos ditames de justiça e recomenda aos párocos queintervenham com a sua autoridade einfluência para conseguir que os ope-rários ganhem o indispensável às suasnecessidades.Tão actuais as suas palavras! 
 A. G. A.
 
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Boletim de
 
D. António Barroso
D. ANTÓNIO BARROSO, MISSIONÁRIO DA BOA NOVA
Padre Albino dos Anjos *
D. António Barroso foi sacerdotemissionário do Colégio das Missõesde Cernache do Bonjardim onde en-trou em 1873, vindo de Barcelos, com19 anos de idade. Ali se formou e seordenou sacerdote, à maneira dossacerdotes diocesanos, mas para amissionação em todo o mundo, fina-lidade do Colégio. Foi de Cernachedo Bonjardim que partiu, em 1880,como sacerdote missionário, paraAngola e Congo. Voltou à Europa aofim de nove anos e foi novamentedo Colégio das Missões Ultramari-nas de Cernache do Bonjardim quepartiu, como bispo, para Moçambi-que e depois para a Índia, pois os 317sacerdotes e bispos formados nessainstituição procediam das diocesesportuguesas da sua origem e viviamo seu sacerdócio ao serviço das dio-ceses da África e da Ásia para ondeeram enviados.O Colégio das Mis-sões Ultramarinas abriu com estenome em Cernache do Bonjardim,em 1855, para formar sacerdotesmissionários sem pertencerem a or-dens ou congregações religiosas. Nasua história, passou por várias fasese foi vítima das vicissitudes políticasde Portugal que o laicizaram de 1910a 1927. Em 1930, o Papa Pio XI, parasuperar a dispersão dos seus mis-sionários e lhes dar melhor coorde-nação, ordenou que o Colégio, e osoutros dois que dele haviam brotadoem Tomar e Cucujães, fossem trans-formados numa sociedade missioná-ria de vida comum, tal como orde-nou que fizessem essa transformaçãotodos os outros seminários seme-lhantes de formação de missionárioem diversos países da Europa e daAmérica. A Sociedade começou porter o nome de Sociedade Portuguesadas Missões Católicas e ajuntaram-lhedepois o adjectivo Ultramarinas, para
O Padre António Barroso, no Colégio deCernache do Bonjardim, à partida paraas missões de Angola (1880).
tornar claro que incorporava a inspi-ração, a tradição e o património doColégio das Missões Ultramarinas. Onome mudou depois para SociedadeMissionária Portuguesa, e, na últimaactualização, ordenada pelo concílioVaticano II, passou a chamar-se Socie-dade Missionária da Boa Nova. É umainstituição de elos sucessivos, desde1855, que tem como primeira fase, oColégio das Missões Ultramarinas deCernache do Bonjardim.D. António Barroso é o quartodos oito bispos missionários saídosdo Colégio das Missões Ultrama-rinas, primeira fase da SociedadeMissionária da Boa Nova. E foi ele oinspirador que propôs publicamentea necessidade de a instituição passarda primeira fase para a segunda, istoé, de instituição de formação de mis-sionários dispersos, para uma socie-dade organizada, dedicada à missio-nação por toda a vida. Ele pertenceuà primeira fase dos Missionários daBoa Nova, mas advogou fortementea passagem para a segunda fase. Pro-pôs essa transformação numa famo-sa conferência em Lisboa, em 1889,depois da sua experiência de noveanos no Congo, no norte de Ango-la. Voltou a advogar a transformaçãocomo bispo de Moçambique, e em1907, já bispo do Porto, fez parteduma comissão nomeada pelo gover-no para estudar e propor as bases datransformação, conjuntamente como Superior do Colégio das Missões,Cónego António José Boavida, quetambém vinha propondo e advogan-do, repetidamente, junto do rei e dogoverno essa transformação desdeo início do seu mandato em1885. Atransformação não chegou a efec-tuar-se nessa altura devido ao cli-ma político. Por irrisão dos factos,o governo provisório da República,em 1911, removeu D. António Bar-roso da diocese do Porto e exilou-o,nada mais nada menos, do que parao Colégio das Missões Ultramarinasde Cernache do Bonjardim, dondeteve de sair para a sua terra natalde Remelhe um mês depois, por ospolíticos terem provocado e criadoambiente de laicização e dessacrali-zação no Colégio.Entre os Missioná-rios da Boa Nova, D. António Barrosofoi sempre considerado como irmãomais velho, imitado como modelo demissionários, e venerado como san-to. Do Superior geral da SociedadeMissionária e dum fiel e activo devo-to da sua terra natal de Remelhe, emBarcelos, partiu, em 1991, a campanhapara sua canonização.
* Superior Geral daSociedade Missionária da Boa Nova

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