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A GIBITECA E O ESTÍMULO À LEITURANOGUEIRA, Natania(E. M. Judith Lintz Guedes Machado)natanianogueira@yahoo.com.br NOGUEIRA, Natania. A Gibiteca e o esmulo à leitura.
Encontro deLiteratura Infantil e Juvenil – Leitura e crítica
. Rio de Janeiro: Universidadefederal do Rio de janeiro, Faculdade de Letras, 2008.
Resumo
: A História em Quadrinho é uma mídia popular que há mais de 100anos está presente em nosso cotidiano, despertando em muitos o prazer pelaleitura e pela arte. Infelizmente, muitas crianças e jovens, notadamente os queresidem na zona rural nos bairros de periferia, não têm acesso a este recurso euma forma mais extensa. Partindo desta constatação, foi colocado em práticaum projeto de leitura, interdisciplinar, que se desenvolve a partir da instalaçãode uma gibiteca em uma escola pública, localizada em um bairro de periferia.Nesta apresentação iremos relatar resultados, fazer indagações e arriscar algumas previsões sobre as vantagens deste recurso na formação de jovensleitores.
Introdução
Embora ainda exista muita resistência em relação à introdução de mídiaspopulares nas escolas, aos poucos o cinema, os quadrinhos e oscomputadores – com seus jogos e programas interativos -, estão ocupando seuespaço. Estas mídias, em especial as Histórias em Quadrinhos, nos fornecemuma matéria-prima rica em possibilidades para se trabalhar questões queenvolvem a leitura de sinais, de imagens, de idéias. São instrumentos lúdicosque abrem caminho para um ensino interativo, envolvendo o desenvolvimentode habilidades, de competências necessárias para se efetuar uma leitura maiscrítica da realidade em que vivemos
 
Na presente comunicação iremos relatar o uso das histórias em quadrinhos(HQ’s) nas salas de aula e a possibilidade de se trabalhar com esta mídia nasmais diversas disciplinas. Ao mesmo tempo queremos refletir sobre asvantagens e dificuldades encontradas para se trabalhar de formainterdisciplinar, buscando entender a dinâmica da escola e o papel integrador que a leitura pode ter neste contexto. A experiência que desejamos apresentar gira em torno dos trabalhos realizados na
Escola Municipal Judith Lintz, dacidade de Leopoldina (MG)
, onde a criação de uma gibiteca surgiu comoalternativa para se enfrentar alguns dos problemas atuais da educãobrasileira, refletidos nos baixos índices de rendimento escolar e no poucoinvestimento real na formação continuada de professores.
1 – Por que as Histórias em Quadrinhos?
As Histórias em Quadrinhos possuem uma linguagem simples e de fácilcompreensão e são relacionadas a uma forma de entretenimento e lazer. Elespodem ser utilizados nas salas de aula como recurso para complementar oensino uma vez que prendem mais a atenção dos alunos pois permitem queocorra uma leitura simultânea da página, podendo o leitor captar a ação emtodos os seus tempos (CALAZANS, 2004).Segundo Moysés Alves (2001), o uso dos quadrinhos nas escolas pode ajudar a despertar nas crianças o gosto pela leitura, pois permite desenvolver nascriaas, por exemplo, o bito de “brincar sozinho”, desenvolvendo acriatividade da criança e ajudando a desenvolver seu raciocínio desde bemcedo, abrindo caminho para a exploração de textos mais complexos, sem que oato da leitura se torne algo cansativo.2
 
O estudante deve aprender a trabalhar as informações que adquire através daleitura. Uso os quadrinhos como uma forma de expreso do aluno que,desafiado a exercitar sua capacidade criativa, acaba por criar seu próprioconhecimento. As HQ’s ajudam os estudantes a compreender melhor oconteúdo estudado em sala de aula. Segundo Diamantino Silva (1979), ainformação quando transformada em História em quadrinhos é compreendidanuma velocidade maior, tento que é cada vez mais freqüente o uso de tirinhasou fragmentos de histórias em quadrinhos em livros didáticos.Uma das vantagens de se trabalhar com histórias em quadrinhos é que elasnão possuem uma faixa etária exata: há quadrinhos para todas as idades, daeducação infantil até a universidade. Na Europa, por exemplo, ensina-se latimusando-se Asterix. Infelizmente, no Brasil, existe ainda um certo preconceitoem relação aos quadrinhos, quer por parte dos alunos, quer por parte dosprofessores. Há uma tendência em se classificar os quadrinhos como umgênero narrativo inferior e inadequado para leitura em algumas idades. Damesma forma há, também, uma tendência de se rotular alguns destes gêneroscomo inadequados para “meninas”, tal como acontece com os quadrinhos deaventura e de super-heróis, considerados “coisa de menino”. Um dos desafiosde se trabalhar com quadrinhos é justamente vencer este tipo de postura emostrar que gosto literário independe de idade ou sexo.Segundo Nágila Caporlingua Giesta, vivemos em uma sociedade cada vezmais escrita, onde a leitura é uma atividade de integração. Sendo assim, asHQ’s são um recurso a mais na inserção das crianças no mundo das letras,dependendo do professor encontrar o caminho para introduzir o aluno nesteuniverso (GIESTA, 2006).
2 – A implantação do projeto
Nossa experiência com o uso dos quadrinhos nas escolas tomou corpo com acriação de uma Gibiteca Escolar, um projeto realizado a médio prazo e que3
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