• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • CommentGo Back
Download
 
QUADRINHOS E EDUCAÇÃO: ENSINO DA HISTÓRIA COM CRIATIVIDADE
 Natania NogueiraRede Municipal de Educação de Leopoldina
Escola Municipal Judith Lintz Guedes Machado(texto publicado nos anais do XIV Encontro Regional da ANPUH-MG)
 Nos últimos anos, as
 Histórias em Quadrinhos
têm sido utilizadas como recurso didático por muitos professores das diversas disciplinas que compõem o currículo escolar. Elas oferecemuma gama variada de possibilidades de uso pelos professores. Na sala de aula, sua produçãoajuda os estudantes a compreenderem temas complexos da História, que normalmente estãoafastados da sua experiência diária de vida. Seu uso como recurso didático, no entanto, aindaé tema pouco discutido no meio acadêmico. Nosso desafio, na presente exposição, éapresentar possibilidades de utilização das Histórias em Quadrinhos como forma de reforçar o processo de ensino e aprendizagem, além de expôr experiências e resultados deste trabalhocom alunos do Ensino Fundamental.A arte seqüencial – como é classificada a História em Quadrinhos -, é muito valorizada,especialmente em países europeus, como a França e a Bélgica, onde editoras especializaram-se na sua publicação, na forma de álbuns cartonados, alguns com encadernações de luxo. Comgêneros variados, as estórias atingem a públicos de todas as idades. As histórias emquadrinhos com temas históricos, por exemplo, são um grande sucesso. Elas são ambientadasnos mais variados contextos, desde a antigüidade (como Alix, Asterix e Papyrus), passando pela Revolução Francesa (Dampierre), apenas para citar alguns exemplos. Os temasabordados também envolvem questões sociais atuais, como discriminação racial, pobreza edesigualdade, além de política e organização econômica. Na Argentina, temos a consagrada produção de
Quino
1
 ,
 publicada no Brasil pela EditoraMartins Fontes, criador de
Mafalda
– uma menina precoce e questionadora – e seus amigos, personagens que possuem uma incrível carga de crítica político-social. As tirinhas de Mafaldasão uma referência a problemas atuais e são exploradas na composição de questões de
1
Joaquim Salvador Lavado criou Mafalda em 1964. Em 1970, a personagem começou a circular na Espanha,Portugal, França, Suécia, Alemanha Ocidental e Finlândia. Nas Palavras de Humberto Eco, “Mafalda não ésomente uma nova personagem dos quadrinhos; é provavelmente a personagem dos anos 70”.In:
GOIDA
.
 Enciclopédia dos quadrinhos
. – Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 294-294).
 
vestibular, nas universidades brasileiras – as charges também servem freqüentemente a este propósito.Existe no mercado editorial brasileiro uma quantidade considerável de álbuns produzidos comfinalidade pedagógica. Vamos nos ater, no caso específico, aos volumes dedicados ao ensinoda História ou que podem ser referenciados como tal. Esse tipo de iniciativa não é exatamenteuma novidade. A Editora Brasil-América (EBAL), fundada em 1945 por 
 Adolfo Aizen
, foi umdos pioneiros na produção e edição de histórias em quadrinhos dedicadas a temas históricos,abrindo espaço para desenhistas nacionais, numa época em que os quadrinhos eram colocadoscomo responsáveis pela delinqüência juvenil.Ele lançou as séries
 Edições Maravilhosas, Grandes Figuras do Brasil 
(lançado pela primeiravez em 20 volumes, entre 1957 e 1958),
 História do Brasil 
e
Epopéia
. A finalidade destesempreendimentos, segundo
o professor Alexandre Valença Alves Barbosa
, era reverter ostatus cultural dos quadrinhos e afastar do Brasil o fantasma da censura aos quadrinhos –  praticada na década de 50 nos Estados Unidos, na forma do macartismo, liderado pelosenador Joseph McCarthy, o mais famoso caçador de bruxas, no cinema, jornalismo, literaturae televisão -, colocando-os como parte importante da formação cultural Brasileira.
2
 Para tanto,Aizen procurou se aproximar das autoridades brasileiras da época, como o Ministro ClóvisSalgado.A produção de Histórias em Quadrinhos da EBAL possuía características positivistas. Eramálbuns ilustrados por desenhistas brasileiros e organizados por historiadores, que privilegiama narrativa e apresentavam os temas de forma romanceada, enaltecendo a figura do herói. Atítulo de ilustração, podemos citar a edição comemorativa dos 500 anos do nascimento dePedro Álvares Cabral, lançada pela EBAL em l968. Outro exemplo é a História do Brasil emQuadrinhos, que narra em duas edições a História do Brasil (de 1500 a 1967). Os dois álbuns possuem um caráter enciclopédico, prevalecendo a narrativa dos fatos, que são ilustrados emquadrinhos, sem destaque para nenhum personagem em especial.
2
 
BARBOSA
, Alexandre Valença Alves
. Quadrinho Histórico Brasileiro no final da década de 50
. 1
o
Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho, Mídia Brasileira: 2 séculos de História. – São Paulo, 2003.
 
A redemocratização trouxe ao mercado nacional novas abordagens de temas de nossaHistória, como é o caso do álbum produzido pelo cartunista Angeli e pela historiadora LiliaMoritz Schwarcz,
“Cai o Império! República vou ver!”.
Com bom humor e descontração, osautores contam a transição do Império para a República. Este álbum faz parte da coleçãoRedescobrindo o Brasil – um nome bem sugestivo - e exemplifica uma transformação na linhaeditorial brasileira, que rompeu com a rigidez e o oficialismo característicos da produçãonacional até então. No campo da ficção, temos a obra de Flavio Colin
3
e Wellington Srbek, “
 Estórias Gerais
(2001), que traz influências literárias, mescladas com a História, ao retratar o banditismo nonorte de Minas Gerais. Uma mistura de Guimarães Rosa, Monteiro Lobato e tantos outrosautores regionalistas, retratando de forma singular a vida e as dificuldades do povo brasileiro,seu folclore, seu misticismo, seus valores e suas angústias, ao explorar o tema do banditismo edo coronelismo no norte de Minas Gerais.Temos também o álbum “
Caatinga
”, escrito pelo belga Hermann, que, segundo as palavras dohistoriador Frederico Pernambuco de Mello, soube retratar 
“o sentido de vastidão de imagem,a grandiosidade mineral, a flora retorcida e espinhenta, a secura de ambientes e pessoas, a fauna adaptada milenarmente, o valor conferido ao divertimento rarefeito, a estrutura dedominação social, com seus componentes civil, militar e religioso, tudo da caatinga, oudesenvolvido nesta, o autor parece ter captado de maneira surpreendentemente hábil,dispondo para tanto de domínio plástico capaz de aliciar até mesmo públicos estranhos àrealidade brasileira”.
4
 
Cabe citar também o mineiro Henfil, um dos cartunistas brasileiros de maior influência sobrea juventude durante a ditadura militar. Seus personagens da caatinga, como a Graúna,Zeferino e Bode Orelana, foram presenças diárias nos jornais, não esquecendo ainda doUrubu; Ubaldo, o paraico; e do Orelo. Atras deles, Henfil extravasou seu
3
Colin começou a trabalhar em 1956, no Rio Gráfica e Editora. Nos anos oitenta, Colin produziu álbuns eedições especiais como A História de Curitiba, A Guerra dos Farrapos, O Continente do Rio Grande, Mulher Diaba no Rastro de Lampião (1994, em parceria com o roteirista Ataíde Braz) e O Boi das Aspas de Ouro (fonte:http://www.gibindex.com/enciclopedia/br/f/442).
4
Citação feita na capa do álbum.
HERMANN
.
Caatinga
. – São Paulo; Editora Globo, 1998.
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...
You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...