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Reflexoes Sobre Cotidiano Na Sala de Aula

Reflexoes Sobre Cotidiano Na Sala de Aula

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artigo de lino de macedo
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      C     a     p     a
Lino de Macedo
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Reflexões sobreo cotidianona sala de aula
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dministrar o cotidiano na sala de aula tornou-seum grande problema para professores e alunos.Indisciplina, dispersão, inconveniência, confu- sões, dificuldades de todo tipo perturbam a realizaçãodas propostas ou das tarefas pedagógicas. O sentimen- to é de perda de tempo, caos espacial e descuido comobjetos escolares, falta de sentido das tarefas e relaçõesentre pessoas marcadas pela indiferença ou pela negativi- dade. O sentimento é de incompetência, insuficiência edesânimo. Penso que uma das razões para isso é queainda estamos marcados pela imagem de uma escola ide- al, sonho de realização de todos nós, em que alunos,dóceis e gratos aos seus professores, vão lá para apren- der e serem felizes. Graças a isso, os professores podemdedicar-se preferencialmente ao ensino das matérias e àavaliação do que foi aprendido pelos alunos. Pensamosque tudo isso foi talvez possível um dia e ainda se realizahoje em algumas escolas. Porém, para tanto, o preço aser pago pelos alunos é o de conviver e aprender na es- cola de um modo condicionado: se não obedecem àsregras, se não aprendem o mínimo, se não aceitam acultura da escola, então são excluídos e reprovados.E se a escola tornar-se incondicional, necessária paratodas as crianças? Ou seja, essa imposição é impossívelem uma escola compulsória, que se quer para todas ascrianças e que não pode mais selecionar e garantir apermanência usando a exclusão e a repetência comoestratégias de controle de sua qualidade. No entanto,como garantir o acesso à escola e um percurso nos anosde escolarização básica de modo contínuo e, se possí-  vel, significativo? Sabemos que, se o acesso escolar estácada vez mais garantido, o cotidiano em sala de aulamostra o quanto ainda estamos distantes das outras ex- pectativas (percurso até o final, convivência e aprendiza- gem significativas).Nossa hipótese é de que dar ao cotidiano na sala deaula o mesmo tratamento disciplinar que temos dadoou devemos dar ao ensino e à aprendizagem de lín- guas, matemática, ciências e artes pode ser um cami- nho para a boa realização dessa escola, agora para to- 
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Dar ao cotidiano na sala de aula o mesmo tratamento disciplinar que temos dado ou devemos dar ao ensino e à aprendizagem de línguas, matemática, ciências e artes pode ser um caminho para a boa realização da escola para todos.Para isso, é necessário desenvolvermos competências e habilidades relacionadas às categorias e aos modos de ser do real em sua expressão diária.
dos. Para isso, é necessário desenvolvermos competên- cias e habilidades relacionadas às categorias e aos mo- dos de ser do real em sua expressão diária. Por essa ra- zão, pretendemos neste artigo refletir sobre a importân- cia do desenvolvimento de um conjunto de habilidadessobre três pares fundamentais para uma vida cotidianaescolar bem-sucedida: espaço e tempo, objetos e tare- fas, bem como nós mesmos e as outras pessoas.No espaço e no tempo, estão os objetos com os quaisrealizamos as tarefas escolares e o meio onde convive- mos e vivemos, quaisquer que sejam as formas e os sen- tidos dessas realizações. Para lidar bem com o espaço,temos que desenvolver habilidades, ou seja, coordenarnossas ações de modo significativo e funcionalmentebem-sucedido. Tais ações podem ser as seguintes: guar- dar, encontrar, devolver, dispor, localizar, esquecer. Ondeguardar os objetos (coisas, pensamentos, palavras, de- senhos, sentimentos)? Como se organizar no espaço doscadernos, das carteiras, das mochilas, de nosso corpo epensamento, de nossa sala de aula ou escola? Ondeencontrá-los e devolvê-los depois de usados? Como epor que dispor o espaço de distintas maneiras, direçõesou sentidos? Como tratá-lo como “caixas” pequenas ougrandes que contêm os objetos e, ao mesmo tempo,como campo aberto, livre, reversível, infinito e disponí-  vel para todas as possibilidades? Como “esquecer” o queestá fora do espaço durante um certo acontecimento eocupar-se, de modo concentrado e paciente, com aqui- lo que interessa no momento? Como tratar o espaçocomo o que está entre as coisas e, portanto, como um vazio que as separa e as localiza dentro, fora, perto, dis- tante, em cima, embaixo?Para lidar bem com o tempo, temos que desenvolverhabilidades, hoje mais do que nunca fundamentais:agendar, estimar, antecipar, selecionar ou dar priorida- de, lembrar. As ações graças às quais realizamos tarefasduram um tempo e sucedem-se em uma certa ordem,isto é, compõem narrativas. Porém, para sermos bem- sucedidos nesses acontecimentos, temos que reservar,dispor, organizar um tempo para eles. Tempo que ne- cessita ser calculado, querido. Se o espaço é reversível,se nele podemos ir e vir de muitos modos, o tempo éirreversível, expressa um fluxo contínuo, sem volta oudevolução. Como decidir e antecipar coisas que valem apena? Como não desperdiçar o tempo? Como se orga- nizar e se relacionar com o tempo das máquinas, dacidade, das tarefas com prazo marcado? Se o tempo não volta, como selecionar ou dar prioridade ao que mereceser feito? Como não esquecer, isto é, lembrar, atualizaras coisas que foram feitas ou que devem ser feitas? Comose organizar, respeitando a presença eterna e contínuado tempo, mas dividindo-o como se pudesse ser tratadoem termos de hoje, amanhã ou ontem? Como usar otempo das máquinas (do relógio, por exemplo) ou danatureza para regular nossas ações? Como realizar a vidacomo projetos, produtos ou bens que, por querermosdepois, definem e organizam nosso aqui e agora?
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 As habilidades relacionadas ao espaço e ao tempo,antes mencionadas, complementam-se indissociavelmen- te com as habilidades que se referem às tarefas ou àsações que realizamos com objetos. Livro, caderno, lápis,quadro-negro, giz, computador, vídeo, calculadora, jo- gos, pincel, tinta, bola, mochila, banheiro, cadeira, mesa,sala, pátio são objetos escolares. Com eles praticamos aleitura, a escrita, o desenho, as contas, a pintura, a músi- ca, o esporte, lavamos as mãos, bebemos, urinamos, bri- gamos, rimos, vivemos nossa vida, aprendemos na esco- la, convivemos com nossos colegas e nos relacionamoscom nossos professores. Os objetos são as tecnologiasdesenvolvidas pela ciência e oferecidas pelas empresasao mercado educacional. Cuidar, preservar, classificar, re- cuperar, escolher, utilizar, limpar, abrir, fechar, guardarsão habilidades fundamentais, pois presidem as relaçõesentre objetos, tarefas e pessoas. Depois de usados, tor- nados obsoletos ou insuficientes, o que fazemos comesses objetos? Temos sido pouco reflexivos e irresponsá-  veis com os recursos e os objetos escolares. Não vemossentido nas tarefas escolares que realizamos por seu in- termédio. A atitude do professor para com os objetos es- colares é fundamental, pois ele é uma referência para osalunos. Como ser cuidadoso, habilidoso e gentil com osobjetos escolares? Não basta poder usar os objetos ourecursos pedagógicos, é necessário querer e saber usá-losbem. Como reivindicar objetos de melhor qualidade e emquantidade suficiente para a realização das tarefas?Os objetos escolares são alguns dos meios ou recur- sos que utilizamos para realizar as tarefas. O que são astarefas escolares? Como restituir seu sentido? Como de- senvolver habilidades para a boa realização de uma tare- fa? Pensamos que algumas dessas habilidades são asseguintes: valorizar, ser responsável, planejar, definir, de- senvolver estratégias ou esquemas de procedimento parasua boa realização, envolver-se, comprometer-se, tornar- se autônomo, compreender sua razão. Hoje, o grandedesafio no cotidiano da sala de aula é saber propor tare- fas significativas, desafiadoras, realizáveis. Tarefas nasquais a superação dos obstáculos implica aprendizagemdiferenciada e avaliação formativa. Tarefas que requeremobservação, regulação, e que desenvolvem sentimentode domínio e participação. Tarefas compartilhadas, cole- tivas e, ao mesmo tempo, singulares e diversificadas. Ta- refas que comunicam sentido e expressam interesses co- muns, que solicitam tomadas de decisão e argumenta- ção em favor de sua proposição e realização. Tarefas quecolocam situações-problema, cuja execução exala sabore saber. Tarefas que valem a pena.Para concluir, falta-nos algum comentário sobre o úl- timo par que dá sentido ao cotidiano escolar. Ele se refe- re ao relacionamento que, no dia-a-dia, mantemos comnós mesmos e com as outras pessoas. Como são as rela- ções no miúdo de cada gesto entre crianças, professorese alunos ou colegas? O que elas promovem ou dificul- tam em nossas relações com os aspectos já menciona- dos? Como respeitar e possibilitar que alunos e professores possam ter voz, dizer e assumir suas hipóteses, seuspensamentos e seus sentimentos? Como recuperar nos- sa auto-estima, a importância sociocultural de nossa pro- fissão e conquistar melhores condições de trabalho? To- das as crianças agora podem e devem estudar na esco- la. Mas isso só terá sentido se elas desejarem aprender,se não forem indiferentes ou negativas com as pessoasde sua classe. Indisciplina, dispersão e preguiça pertur- bam a realização de tarefas escolares. Inconveniência,desrespeito e maledicência perturbam as relações comas pessoas. Como nos tornarmos mais convenientes ecuidadosos? Como cultivarmos virtudes que nos tornamdignos de nós mesmos e das outras pessoas? Respeitar,compartilhar, cooperar, reconhecer, conviver e cuidar sãohabilidades fundamentais. São elas que qualificam e dãosentido ao nosso cotidiano relacional. Hoje, na escola éonde passamos muitos anos de nossa vida, onde passa- mos uma parte importante de nosso dia. As pessoas denossa escola, além das pessoas de nossa família, de nos- so bairro ou trabalho, são talvez as mais significativas denossa vida. É o pequeno e aparentemente insignificantede cada gesto, palavra ou sentimento que tece as basespara uma relação mais amorosa ou odiosa. Como o pro- fessor organiza e favorece diferentes relações em sala deaula? Como distribui as crianças em uma atividade de
Se o tempo não volta, comoselecionar ou dar prioridadeao que merece ser feito?
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