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Uma viagem à história do rádio

Uma viagem à história do rádio

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Published by Gisele Sayeg
Este trabalho tem o objetivo de explorar e tecer algumas considerações a respeito da história do rádio, observando, entre outros pontos, sua implantação, percurso, desdobramentos e características. Parte do entendimento de que as análises sobre o rádio no Brasil requerem, invariavelmente, uma retomada da sua história, desde os primórdios do desenvolvimento tecnológico até as novas possibilidades traçadas pela digitalização. A análise sustenta-se, sobretudo, no pressuposto da estreita relação entre rádio, política e capital.
Este trabalho tem o objetivo de explorar e tecer algumas considerações a respeito da história do rádio, observando, entre outros pontos, sua implantação, percurso, desdobramentos e características. Parte do entendimento de que as análises sobre o rádio no Brasil requerem, invariavelmente, uma retomada da sua história, desde os primórdios do desenvolvimento tecnológico até as novas possibilidades traçadas pela digitalização. A análise sustenta-se, sobretudo, no pressuposto da estreita relação entre rádio, política e capital.

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Uma viagem à história do rádio
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Gisele Sayeg Nunes Ferreira
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Resumo
Este trabalho tem o objetivo de explorar e tecer algumas considerações a respeito dahistória do rádio, observando, entre outros pontos, sua implantação, percurso,desdobramentos e características. Parte do entendimento de que as análises sobre orádio no Brasil requerem, invariavelmente, uma retomada da sua história, desde os primórdios do desenvolvimento tecnológico até as novas possibilidades traçadas peladigitalização. A análise sustenta-se, sobretudo, no pressuposto da estreita relaçãoentre rádio, política e capital.
Palavras-chave:
Radiodifusão – história do rádio – política – capital – digitalização
1. Introdução
Apesar da importância do veículo para a vida nacional, o rádio figura,normalmente, como um
meio menor 
, sempre ameaçado pelos veículos que lhesucederam. Primeiro a televisão e, recentemente, a Internet: adventos de grandeimpacto que colaboraram para formação da imagem do rádio como um veículoobsoleto e ultrapassado. No entanto, ainda hoje, mais de 80 anos após as primeirastransmissões no Brasil, o rádio se mantém como o meio de comunicação de maior alcance e o que tem sido mais diretamente associado à formação da opinião pública, principalmente dos segmentos historicamente excluídos.A ingerência do veículo nos regimes totalitários e vice-versa valida aafirmação acima. Joseph Goebells, principal articulador da estrutura de propagandaideológica da Alemanha nazista, utilizou, sobremaneira, o rádio. Na mesma época,Orson Welles levava ao ar “A Guerra dos Mundos” (1938), aturdindo uma Américaque ainda não conhecia o poder real de inserção do veículo. Essa vocação do rádiodesde a sua mais tenra idade desenhou um quadro visivelmente emoldurado por 
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Este trabalho integra a dissertação de mestrado “
 Rádios Comunitárias e Poder local: estudo de casodas emissoras legalizadas da região Noroeste do Estado de São Paulo
”, defendida em abril de 2006 naEscola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Versão atualizada em julho de 2008.
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Jornalista e radialista, Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, doutoranda emComunicação e Semiótica pela PUC-SP, é professora do curso de Rádio e TV da UniversidadeAnhembi Morumbi (SP).
 
 2questões relativas ao controle e ao suposto poder de manipulação e persuasão. Taisnuances foram decisivas para delinear o campo de estudos da comunicação.Teremos como ponto de partida dessa nossa reflexão sobre a história doveículo a convivência estreita entre rádio, política e capital, ou seja, entre o veículo eo poder político-econômico. Não temos aqui qualquer pretensão de esgotar o assunto,mas apenas introduzir um debate que nos permita refletir sobre o veículo hoje.
2. Poder e controle do rádio: um diálogo com os fatos históricos
O surgimento do rádio insere-se num momento específico da história mundial,em que os acontecimentos decorrem das sucessivas “revoluções” dos séculos XVIII eXIX – acontecimentos que transformaram radicalmente a vida do homem. O rádiomarca a raiz dessa era tecnológica, calcada na velocidade, nos vínculostransfronteiriços, uma das marcas de expansão do capital. A tecnologia e ainformação, processados por um tempo mais ágil de produção, tinham, sob esse viés,o papel precípuo de gerar lucros. Informação gera capital, que gera poder. A partir desse momento, produzir informação de forma célere pode implicar não só geração decapital, mas também geração de poder.Uma nova configuração torna-se perceptível: a formação de “redes” – cujaexpansão é propiciada tanto pela revolução tecnológica quanto pela parceria entreEstado e capital privado, responsáveis por promoverem o intercâmbio entre pessoas,capital e idéias. A passagem abaixo esclarece:
Todas essas redes de comunicação, das vias férreas ao telefone, seentrecruzam e se apóiam umas nas outras, resultando na formaçãode grandes conglomerados que detém o monopólio dacomunicação. Aos poucos elas vão transformando a aparência domundo e a maneira como nele se vive. (C
OSTA
, 2002: 55).
O ritmo da informação impressa já não dava conta de atender às novasexigências: era preciso velocidade para diminuir as distâncias, permitindo atransmissão de informações pessoais ou de negócios, públicas ou privadas, regionais,nacionais ou internacionais.O rádio é resultado de uma trajetória, que, junto com o cinema e a televisão,colaborou para que a comunicação abandonasse “a hegemonia do texto escrito paraincorporar de forma significativa a imagem e o som”. (C
OSTA
, 2002: 55). Nomomento específico de seu surgimento, o rádio espelha o novo ritmo que marcará os
 
 3futuros caminhos da humanidade. E se velocidade e poder estão intrinsecamenteligados, o estudo da evolução do rádio por meio da história nos permite observar asrelações de força e poder que a partir dele são engendradas.
3. Captando as primeiras ondas: os pioneiros e a luta pelo controle do maisrecente veículo
Foi a descoberta da telegrafia sem fio que pavimentou o terreno para novasformas de comunicação, entre elas, o telefone e o rádio. Embora os registros oficiaisdêem a Guglielmo Marconi o mérito do invento, em 1896, quando ele patenteou, naInglaterra, a primeira emissão sem fio (ainda em Código Morse), um brasileiro, o padre Roberto Landell de Moura, já desenvolvia pesquisas de emissão e recepção deondas eletromagnéticas desde 1893, no sul do País, portanto, paralelamente aos feitosde Marconi. Aliás, o padre não foi o único a se interessar pelo assunto em terrastupiniquins: Eusébio de Queirós,
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por exemplo, visava ao mesmo objetivo desde1851.A primeira transmissão de voz por ondas eletromagnéticas teria ocorrido,ainda segundo a história oficial, no Natal de 1906, quando o canadense ReggieFasseden, utilizando um microfone adaptado, transmitiu sua própria voz e o som deum violino a operadores de telégrafos sem fio de navios na costa de Massachussets. O pioneirismo é contestado: o engenheiro croata Nikola Tesla teria transmitido sinaissonoros sem fio em 1893, também nos Estados Unidos.Em seus primórdios, no início do século XX, as primeiras emissõesradiofônicas eram vistas somente como um meio de comunicação aprimorado parauso militar, sobretudo da marinha, ou então como uma evolução do telégrafo. Poucosvislumbravam sua capacidade de veículo de comunicação de massa, idealizadasomente em 1916 pelo russo David Sarnoff, radicado nos Estados Unidos.Dos primeiros experimentos com telégrafos às transmissões radiofônicas,desprovidas, inicialmente, de um caráter massivo, foi um passo. Em poucos anos,aproximadamente um quarto de século, o rádio atingiu o ápice de seudesenvolvimento tecnológico e, portanto, se espraiou pelo mundo como um meio demassa, condicionado por fatores políticos e econômicos.
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Importante figura política do Segundo Império, Eusébio de Queiroz foi Ministro da Justiça entre 1849a 1852. Mesmo incorrendo no risco do lugar-comum, impossível não concluir pela relação entre orádio e o poder político desde os seus primórdios, no Brasil. Uma relação de intensa proximidade e,muitas vezes, conflitos de interesse, como veremos no desenvolver deste trabalho.

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