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Reis- Das Indus Cult a Indus Criativas

Reis- Das Indus Cult a Indus Criativas

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192
 DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS À ECONOMIA CRIATIVA
Base da estratégia de política pública transversal em diversos países da Europa, Ásia, Oceania e América do Norte, a economia criativa tem despertado atenção por seu potencial de união daeconomia e da cultura em prol do desenvolvimento sustentável. As oportunidades são imensas.Mas, para aproveitá-las de fato, é preciso encontrar uma definição e um modo de implementaçãoque atendam às características distintivas de cada país, aproveitem seus talentos e lancem asfundações de um caminho próprio. É a isso que se dedica este capítulo. Partiremos de um debateacerca das indústrias culturais e veremos como esse conceito acaba sendo incorporado,rediscutido e expandido pela economia criativa.
1) Indústrias Culturais
“Cabe destacar que, entre os dois componentes principais dessas indústrias – econômico e cultural ou tangível e intangível –, a importância maior das mesmas não pode ser medida tanto por sua dimensão econômica ou pela maior ou menor participação de capitais nacionais na propriedade do setor – tema que alguns empresários locais acentuam – mas pelo que elas trazem, ou podem trazer, à melhoria do espaço público nacional e regional. Ou seja, a informação, a educação, a cultura e o conhecimento, atendendo às suas necessidades de desenvolvimento eqüitativo e democrático. Essa característica distintiva no conjunto das indústrias e setores econômicos é quoutorga às indústrias culturais um valor estratégico. Valor duplamente potencializado, se junto com sua capacidade para incidir socioculturalmente nos imaginários coletivos agregarmos sua crescente importância na economia, no emprego e nos intercâmbios comerciais.” Octavio Getino 
334 
 
1.1) DefiniçãoRolos de fumaça expelidos por caldeiras escaldantes. Funcionários trajando uniformes de corestristes e dedicando-se horas a fio a processos padronizados. Produtos pasteurizados e empilhadosanonimamente em um armazém qualquer, antes de serem distribuídos em um mercado no qualsua falta de identidade mescla-se à de uma avalanche de produtos substitutos. À primeira vista a inclusão da cultura como protagonista desse quadro pouco atraente, entitulado “indústria cultural”, só pode causar estranheza. Estranheza proposital, porém, posto que o termotraz em seu bojo a crítica da Escola de Frankfurt e em especial de Theodor Adorno
335
àmassificação da produção cultural (em seus conteúdos e processos) e à padronização de sua
334
GETINO, Octavio, “Las Industrias culturales en Mercosur: aproximación a un proyecto de política de Estado”,
in
Álvarez, Gabriel O. (Org.),
op.cit.,
p.193.
335
Vide quadro na páginaXXX.
 
193
distribuição através da mídia promotora da apatia social, que entretém sem informar.
336
Conformedestaca Teixeira Coelho, “A indústria cultural, cujo início simbólico é a invenção dos tipos móveisde imprensa por Gutemberg, no século XV, caracteriza-se, sugere seu nome, como fenômeno daindustrialização tal como esta começou a desenvolver-se a partir do século XVIII. Seus princípiossão os mesmos da produção econômica geral: uso crescente da máquina, submissão do ritmohumano ao ritmo da máquina, divisão do trabalho, alienação do trabalho. Sua matéria-prima, acultura, não é mais vista como instrumento da livre expressão e do conhecimento mas comoproduto permutável por dinheiro e consumível como qualquer outro produto.” 
337
  A partir da década de 1930 a pecha na imagem das indústrias criativas foi sendo relativizada,beneficiada por argumentos positivos de popularização do acesso à cultura e valorização doentretenimento. Conforme salienta García Canclini, “Paradoxalmente, esse fluxo contínuo a quesomos submetidos não reflete as apreensões iniciais da Escola de Frankfurt sobre a massificaçãoproduzida pelas indústrias culturais. O modelo fordista, pensado a partir da produção em série deum grande número de mercadorias similares e distribuídas a contingentes de consumidorespassivos, deu lugar a um mercado segmentado, no qual se multiplica a oferta de produtos paraum público cada vez mais personalizado. Surgiram novos jornais, multiplicaram-se os títulos derevistas, a conversão digital levou à reedição de obras de numerosos artistas já desaparecidos, onúmero de novos autores cresceu e o número de sinais de TV nos serviços por assinatura dobrou. As ameaças de homogeneização deram lugar a um cenário de crescente heterogeneização.” 
338
 Nem vilãs, nem mocinhas. Neste mundo maniqueísta, as indústrias culturais representam em igualmedida as oportunidades que a circulação de informações, a liberdade de escolhas e a capacidadede reflexão proporcionam ao desenvolvimento individual e social – e os riscos de negligenciar aidentidade cultural, tolher a criatividade e extirpar o que não se enquadra no modelos impostos.Em uma escala de possibilidades, cabe a cada país e sociedade escolher conscientemente suastintas ou relegar a outros interesses a pintura dos quadros que lhe farão de espelho.Hoje, várias definições coexistem nas centenas de livros que ocupam as prateleiras dedicadas àsindústrias culturais. Têm em comum abarcar produtos e serviços, envolvendo diferentes setoreseconômicos. Getino defende que “o termo indústrias culturais alude ao conjunto de atividadesrelacionadas diretamente com a criação, a fabricação, a comercialização e os serviços de produtosou bens culturais, no âmbito de um país ou internacionalmente. Os traços distintivos dessasindústrias são semelhantes aos de qualquer outra atividade industrial e se baseiam na produçãoem série, na padronização, na divisão do trabalho e no consumo de massa. Diferentemente deoutras, não se trata de produtos para o uso ou o consumo físico mas de bens simbólicos (obrasliterárias, musicais, cinematográficas, plásticas, jornalísticas, televisivas etc.) que para aceder àpercepção (consumo) dos grandes públicos, devem ser processadas ou manufaturadas
336
Para uma análise original das indústrias culturais e sua evolução aplicada ao contexto de um setor essencialmentebrasileiro - o carnaval de Salvador – vide a dissertação de mestrado e a tese de doutorado de Paulo Miguez.
337
COELHO NETTO, José Teixeira,
op.cit.
, p.217. De fato, na época de Gutemberg a imprensa impulsionou amagnitude dos mercados holandeses, fomentou um mercado financeiro robusto e um modelo de Estado eficiente. Asempresas e o governo usavam documentos impressos para produzir e disseminar informações acerca de crédito,alocação de recursos, lucros e perdas. A população de Amsterdã, porto pujante, cresceu sete vezes entre 1570 e 1630,atraindo imigrantes de toda a Europa. “Amsterdã era renomada por sua mobilidade social, seu espírito empreendedor,sua tolerância religiosa e sua liberdade de imprensa.” (Cowen,
op.cit.
, p.108).
338
CANCLINI, Néstor García, “Políticas culturais, mercado e espaço público regional”,
in
Álvarez, Gabriel O. (Org.),
op.cit.
, p.349.
 
194
industrialmente para adotar a forma de um livro, um disco, um filme, uma publicação diária, umareprodução ou um programa de televisão.” 
339
Reforça-se assim o caráter dual (valor econômico evalor simbólico) dos produtos e serviços culturais, conforme visto nos capítulos anteriores.De modo mais conciso, no entendimento da UNESCO as indústrias culturais combinam criação,produção e comercialização de conteúdos intangíveis e culturais por natureza. Esses conteúdos(aqui entra um tecla persistente neste capítulo) são tipicamente protegidos por direitos de autor
(copyrights) 
.
340
  A questão dos direitos de autor (e, de forma mais abrangente, dos direitos de propriedadeintelectual) apóia-se em uma das características basilares das indústrias culturais: suareprodutibilidade técnica
341
, possibilitada pela produção em grande escala e com rendimentoscrescentes, proporcionada pelas inovações tecnológicas do século XX. Enquadram-se nessacategoria, com certo grau de consenso entre diversos países e autores: edição, publicações emgeral, fotografia, audiovisuais, música, multimídia, artes e
design 
, ou seja, setores quereproduzem uma matriz original, detentora de valores culturais. A seu aspecto simbólico adiciona-se seu valor econômico que não mais se limita às fronteiras nacionais (concentração da produçãoem conglomerados multinacionais, deslocamento do capital investidor, distribuição mundial).1.2) Representatividade econômica, concentração e integração verticalRetomando a discussão levantada no capítulo VIII, ao analisarmos a representatividade econômicadas indústrias culturais percebemos claramente o porquê de gerarem tantas contendas nas mesasde negociação internacional. Nesses encontros, os representantes dos países são cientes do valoreconômico e do valor simbólico dos produtos e serviços culturais
342
(embora nem sempre de seuvalor estratégico) e jogam com um ou outro argumento, conforme sua conveniência. É o quesintetiza o discurso proferido em 2005 pelo Ministro da Cultura da França, Renaud Donnedieu de Vabres, ao salientar a importância econômica do setor cultural para o nível de ocupação naEuropa. São 4,2 milhões de pessoas empregadas (ou 2,5% dos postos de trabalho). Destas, 2,5milhões trabalham nas indústrias culturais. No mesmo discurso ele entrelaça os benefíciossimbólico e econômico das indústrias culturais, salientando que “Segundo dados da Unesco de2002, 85% da bilheteria de cinemas no mundo correspondem a filmes feitos em Hollywood. Frentea essa uniformização em curso, frente aos riscos de empobrecimento cultural decorrentes, osEstados têm o dever de reagir.” 
343
 No novo mundo, o
Australian Bureau of Statistics 
dá conta de que as indústrias culturaisaustralianas no biênio 1998-99 totalizaram ao redor de 3,3% do PIB, aproximadamente o mesmopercentual gerado pelo setor de construção residencial, educacional ou ainda pela soma dasindústrias de serviços de computação, pesquisa técnica e científica. No México, dados do
Consejo Nacional para la Cultura y las Artes 
revelam que em 2004 as indústrias culturais responderam por
339
GETINO, Octavio,
op.cit.
, pp.198-199.
340
 www.unesco.org 
341
Ensaio de Walter Benjamin publicado em 1936, “A Obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica”.
342
Dentre as quais defesa da identidade nacional, promoção da diversidade cultural, imagem do país e auto-estima.Nota-se assim que valores nacionais depreciados reforçam o consumo aspiracional de produtos e serviços importados,formando um círculo vicioso.
343
Paris, 07/06/2005.www.diplomatie.gouv.fr/fr/IMG/doc/MincultASEM-fr.doc 

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