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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da ComunicaçãoXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Sudeste – Juiz de Fora – MG1
Comunicação e novas tecnologias: um ensaio sobre o conceito de interatividade e aimplantação da TV Digital no Brasil
 
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 Rodrigo Eduardo Botelho Francisco
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 Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) eInstituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro (IMESB)
Resumo
Com os debates sobre a implantação da TV Digital no Brasil têm sido verificadasquestões importantes sobre as relações estabelecidas com as tecnologias de informaçãoe comunicação. Dentre elas, a interatividade tem sido apresentada como um conceitomuito caro, porém, banalizado e usado como instrumento de
marketing
por diversosatores sociais como Estado, Indústria e Media. Diante desse complexo ambiente dedesenvolvimento e implantação, torna-se essencial uma discussão que contextualize oadvento de mais uma inovação para o veículo na história dos meios e no bojo dascorrentes teóricas que pensam os ambientes comunicacionais. Nesse contexto, éevidente que qualquer separação entre técnica e conteúdo, como tem sido verificado emdebates atuais, é prejudicial para a proposição de estratégias que de fato contribuampara um ambiente de comunicação democrático.
Palavras-chave
Interatividade; Televisão Digital; Tecnologias de Informação e Comunicação
1
Trabalho apresentado ao GT Práticas Sociais de Comunicação, do XII Congresso Brasileiro de Ciências daComunicação da Região Sudeste.
2
Mestrando em Ciências da Comunicação pela USP; especialista em Computação, na área de Desenvolvimento deSoftware para Web pela UFSCar; jornalista pela Unesp e atualmente docente do curso de Jornalismo do IMESB.Atua na UFSCar desde 2003, como assessor de comunicação e participando de projetos como do Laboratório Abertode Interatividade (LAbI) e da implantação das Rádio e TV da Universidade. Email: rodrigo@ufscar.br.
 
 
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Contexto
No primeiro semestre de 2004, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), osministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia, e o Fundo para oDesenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) lançaram uma chamadapública para a reunião de universidades e instituições de pesquisa em torno dodesenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). A iniciativareuniu 11 grupos que tiveram como objeto de suas pesquisas as áreas e temas definidoscomo prioritários pelo edital. O foco dos estudos esteve centrado na transmissão erecepção, codificação de canal e modulação; camada de transporte; canal deinteratividade; codificação de sinais fonte;
middleware
; e serviços, aplicações econteúdo.Como pode ser observado, os temas refletem preocupações tecnológicas e,mesmo quando é citada a palavra conteúdo, a descrição da área temática no editalenfatiza:
[...] áreas de conhecimento de serviços de telecomunicações,envolvendo engenharia elétrica e de telecomunicações, ciência dacomputação,
marketing
(prospecção mercadológica e concepção deprodutos/serviços), economia e conteúdo audiovisual.
Ao descrever o canal de interatividade, o edital também ressalta as engenhariascomo áreas de conhecimento dominantes para os estudos sobre interatividade.Esses primeiros passos já evidenciam como seriam conduzidas as discussões emrelação à implantação da TV Digital no Brasil, debate que se intensificou e mobilizouvários setores da sociedade quando entrou em cena a definição de um modelo dereferência para o padrão nacional. Essa polêmica movimentou interesses plurais deatores do plano político, da indústria, das emissoras de TV e do
lobby
internacional emtorno das três opções presentes no mundo até então: a norte-americana (
 Advanced Television System Comitee
- ATSC), a européia (
 Digital Vídeo Broadcasting
- DVB) e a japonesa (
 Integrated Services Digital Broadcasting
- ISDB). O debate culminou com apublicação do decreto presidencial 5.820/06, que estabeleceu o modelo japonês para atelevisão digital brasileira, o que foi duramente criticado por diversos segmentos dasociedade e comemorado pelo grupo de radiodifusores.Independentemente da discussão sobre a escolha do padrão, um dos temasonipresentes e ressaltados em cada modelo é a interatividade, conceito que foi sendo
 
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utilizado para a construção da imagem da
“televisão do futuro”
. O Centro de Pesquisa eDesenvolvimento em Telecomunicações (CpQD), por exemplo, em seu
site
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, descreve atelevisão digital como
“(...) uma tecnologia que tem potencial para transformar asrelações de nossa sociedade, tanto ou mais que o próprio advento da televisão comoconhecemos hoje”
. Ao mencionar o potencial oriundo do aumento do número de canaise da comunicação bidirecional a partir de um canal interativo, afirma:
[...] a TV Digital poderá estender os benefícios da era da informação auma vasta camada da população que atualmente tem acesso aoentretenimento audiovisual de forma passiva, com pouca ou quasenenhuma interação com o provedor da informação ou mesmo compoucas oportunidades de prover informação.
Assim como pelo CpQD, o conceito foi utilizado por vários setores da sociedadepara ressaltar a interatividade em contextos diversos. O que se pôde perceber foi oesvaziamento e a banalização do termo que, em um dado momento, representou umacaracterística exclusiva da televisão digital, abandonando-se qualquer definição quecontextualize a interatividade na história da humanidade e dos meios de ComunicaçãoSocial. Porém, algumas críticas já surgem em relação a esse cenário e sugerem umadepuração do termo e um debate em que tecnologia e conteúdo não sejam vistas comoquestões dissociadas. Atualmente, as possibilidades tecnológicas potencializadoras dainteratividade da TV Digital, assim como propagadas no discurso do Estado, Indústria eMeios de Comunicação Social, travestem-se de uma preocupação essencialmentetecnológica, não dialogando com as possibilidades de produção de conteúdos e nãoinstaurando a aparente
“revolução”
prometida na interação entre detentores dos meiosde produção e usuários dos media.Este debate insere-se num momento único e particular na história dastecnologias da informação e comunicação no Brasil, já que a TV digital começa a setornar uma realidade no País, tendo modelo definido e a primeira concessão digital deTV outorgada à Universidade Estadual Paulista (Unesp). A emissora da instituição, decaráter educativo, terá sinais gerados no
campus
de Bauru, deverá atingir todo o Estadode São Paulo e tem um custo de implantação estimado em R$ 22 milhões.A discussão da interatividade neste ambiente de implantação da TV Digital é,sem dúvida, rica e propícia a apresentar resultados não só em termos de reflexões
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http://sbtvd.cpqd.com.br/ 
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