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Cartografia do conhecimento e apoio em ambientes deaprendizagem hipermédia
António Manuel Tomé
Escola Básica de 2º e 3º ciclo António Sérgio
amcfrances@gmail.com
1.HIPERTEXTO E CURCULO
A recente vulgarização da Internet e do uso de computadores portáteis em sala de aula tem contribuído para introduzir nas escolas portuguesas rotinas de aprendizagem abertas, socializadoras e promotoras de autonomia. Neste quadro de reconfiguração de práticas, as tecnologias hipertexto e hipermédia associadas aosdispositivos de interacção virtual assumem importante papel nadisponibilização e representação dos saberes contribuindo para avulgarização nas nossas escolas de metodologias cada vez maiscomprometidas com literacias fundamentais no mundo actual.Apesar da diversidade de posições, as conclusões têm levado à percepção de que o estudante encontra mais interesse e motivaçãonuma pesquisa baseada em objectivos de construção da sua própriaestrutura de informação, do que na simples leitura e revisão dedocumentos realizados por outros (Rhéaume, 1993: 146). A produção de estruturas de informação envolve os alunos de forma profunda e crítica nos domínios específicos devido à intensainteractividade de significão implicada na constrão(Mayes,1993: 46). Desenvolve variadas competências das quais sesalienta a capacidade de análise e interpretação crítica, de pesquisa etratamento de informação, de representação e comunicação mastambém estratégias de controlo, resolução de problemas e planificação de actividades (Spoehr & Shapiro, 1991). O modelohipertextual de aprendizagem que daí resulta comporta desafios eobstáculos para os quais se afiguram necessários, cuidados de programação e apoio. Uma aprendizagem sem orientação eficazmesmo que em ambiente rico em representações, como o digital, pode resultar numa experiência improdutiva. Na ausência de ajudasou outras formas de orientação o é possível ao professor assegurar-se de que a organização espontânea do conhecimento sejadesprovida de erro ou que outra forma de estruturação não teria sidomais eficaz (Depover, Quintin & De Liévre, 1993: 60).
2.A HISTÓRIA E O CURRÍCULOHIPERTEXTUAL
A História é uma das áreas que apresenta maior potencial deexploração dos recursos em rede, dada a qualidade e diversidade dosconteúdos publicados. As características de complexidade, baixaestruturação e não linearidade do domínio (Spoehr & Spoehr, 1994:74), a conveniência numa abordagem baseada em múltiplas perspectivas e na multidimensionalidade, a necessidade de construir o conhecimento a partir do contacto directo com as fontes, levam aencarar a Internet e o hipermédia como recursos especialmenteadequados à aprendizagem da História (Barca, 2001, 41).Estudos realizados permitem concluir que com os meiostecnológicos disponíveis é possível concretizar o projecto de umaHistória digital. Fontes históricas digitais e recursos distribuídosapresentam vantagens relativamente aos tradicionais. São maisacessíveis, encorajam a actividade de pesquisa, promovem odesenvolvimento de redes de comunicação, são fáceis de manipular e flexíveis (Lee, 2002).O papel do professor neste contexto de diversidade e complexidadeé múltiplo e exigente. Além de organizador deve saber transformar os recursos dispersos num material didacticamente coerente e proveitoso. Na programação das actividades devem ter-se em contaaptidões individuais sendo de salientar os conhecimentos prévios dodomínio, das tecnologias e das técnicas de aprendizagem dominadas pelo aluno. A actuação deverá ser próxima e mediada por ajudas emateriais de apoio, segundo princípios de aprendizagem cognitivasuscitando a articulação, reflexão e aprofundamento das ideias(Collins, Brown & Newman, 1989: 476). Requer-se o envolvimentoem tarefas desenhadas segundo princípios de flexibilidade em que osaber é visto como algo complexo e dinâmico. Em vez dasimplificação e regularidade será estimulada a análise dos mesmostemas e conteúdos segundo uma pluralidade de perspectivas erepresentações do conhecimento (Spiro, Feltovitch, Jacobson &Coulson, 1992; Carvalho, 1999). Só assim será possível construir um saber adaptável a diferentes contextos e objectivos.
3.CARACTERIZAÇÃO DOS PROJECTOSHIPERMÉDIA
A utilização dos recursos distribuídos em sala de aula e a suaarticulação na complexa miso de promover e apoiar aaprendizagem da História foi o propósito do projecto descrito nestacomunicação. Integrados num modelo de actividade anteriormentetestado, os dispositivos e materiais foram concebidos e adaptadosem função de um nível adequado e diferenciado de complexidadeestimulando a reformulação crítica do conhecimento.Alunos de nono ano de escolaridade produziram estruturas deinformação hipermédia a partir de pesquisas realizadas na web e emdocumentos impressos e digitais sobre o tema K do programa deHistória do 3º ciclo de escolaridade,
 Do Segundo Após-Guerra aos
 
 Desafios do Nosso Tempo
. As tarefas, desenvolvidas predominantemente em sala de aula, apoiaram-se na acção do professor, directa e mediada por artefactos e dispositivos decomunicação virtual. A actividade desenvolveu-se em clima deaculturação em comunidade de práticas com cunho de autenticidade(Lave & Wenger, 1991) em tarefas de estruturação complexa dainformação hipermédia (Lehrer, 1993: 199). Neste breve artigo pretendemos sublinhar a importância dasdiferentes modalidades e instrumentos de orientação e apoio para arealização duma tarefa sensível como a proposta. As contingências aque estão sujeitos os ambientes TIC levam-nos a aconselhar autilização de múltiplos suportes físicos e digitais, mas também a presença próxima ou virtual do professor e de outros serviços deapoio da escola como os centros de recursos educativos, naconfiguração conjunta de envolvimentos favoráveis à expressão dasmúltiplas competências em jogo na sala de aula.
4.CONTEXTOS DE ACTUÃOPRESENCIAL
Uma prévia abordagem ao tema é fundamental já que os sujeitosdevem começar por atingir uma compreensão global antes deentrarem na discussão e negociação pormenorizada das tarefas eacções a realizar. No início do estudo é traçado um perfil genéricoda actividade com a caracterização breve das etapas do processo procedendo-se à entrega de guiões e materiais de ajuda. Diferentestipos de aula devem ser programados e o professor deve intervir de forma adequada às necessidades e objectivos da tarefa (Collins,Brown & Newman, 1989: 476). Além das aulas de reflexão earticulação teórica o apoio estende-se às sessões práticas deconstrução de estruturas, actividades de discussão em auditório einteracções em comunidade virtual.
4.1.Sessões práticas de construção
As sessões práticas de construção de hiperdia ocupamaproximadamente sessenta por cento do tempo total destinado aos projectos. Permitem a expressão das competências sociais, deresolução de problemas, tomada de decisões e adaptação adiferentes contextos e situações envolvendo os grupos de alunosem acções de intensa permuta e negociação. Estas dizem respeitoa operações de pesquisa e tratamento da informação relacionadascom a compreensão dos fenómenos ao mesmo tempo que seexercitam competências de comunicação e especificamente deliteracia hipermédia (Eagleton, 2002).Observa-se os estudantes enquanto estes levam a cabo operações e procedimentos diversos. São dadas informações, estímulos, apoio emodelam-se acções. É possível ajustar e melhorar os trabalhos emvias de realização atraindo a atenção para aspectos periféricos masigualmente importantes. Modelam-se partes da tarefa que o alunonão está ainda apto a realizar.O professor deve evitar interferir em demasia na construção enegociação das estruturas diminuindo gradualmente a sua presença àmedida que os alunos se tornam mais competentes (
 fading 
), até para permitir nos grupos a emergência de estratégias e procedimentosadaptados. Pode, ao mesmo tempo apoiar pesquisas no ambienteremoto da biblioteca ou disponibilizar esquemas, transparências ourecursos digitais acompanhando e apoiando alternadamentediferentes grupos e trabalhos.
4.2.Sessões de estruturação teórica
A arquitectura aberta do ambiente de aprendizagem não dispensa aestruturação e apoio teórico naquilo a que se designa de descobertaguiada. Professor e alunos sentem a necessidade de desenvolver a par das aulas práticas, momentos de elaboração teórica sobre osconteúdos abordados. Em sala de aula tradicional desenvolve-se areflexão e discussão das ideias e conceitos relevantes. É feito um balanço geral das dificuldades detectadas nas aulas práticas sendoocaso para corroboração da informão e documentação pesquisada confrontando-a com o saber do professor e do livro. Aodesenhar esquemas, discutir relações ou expondo a sua interpretaçãodas situões o professor apresenta ao aluno um modeloespecializado de construção de conhecimento histórico, com formasespecíficas de articulação conceptual que o aluno pode depoisadaptar ao projecto particular. O aluno apresenta a sua leitura dassituações que nem sempre coincide com aquela se, na pesquisarealizada as fontes consultadas introduziram dados novos oudivergentes dos que são apresentados pelo livro de estudo ou pelo professor.O contributo de todos os elementos da turma é importante devendo-se estimular a curiosidade e o desafio cognitivo, sugerindo sitios daweb ou documentos multimédia inéditos e interessantes. Relatosdirectos, cartas ou fotografias pessoais podem ainda servir comoelementos motivadores que desenvolvam a empatia histórica elevem a aprofundar domínios específicos. Embora todos consideremestas aulas importantes, alunos com melhores níveis de desempenhoe de actividade reclamam-nas mais insistentemente.
4.3.Sessões de discussão em auditório
Em auditório podem ser discutidos trabalhos em realização ou produzidos por colegas em anos anteriores. É analisada a adequaçãoe pertincia das ligações, o contdo dos nós e o discursohipertextual. São comentadas as relações, a exaustividade dainformação ou os elementos gráficos e audiovisuais, que podemservir de base a uma discussão que se pretende alargada à turma.Explorando os diferentes percursos de interpretação são feitoscomentários que sugerem respostas adequadas permitindo avaliar aintegração das competências com relevância para a compreensãohistórica e sua expressão hipertextual. São sessões úteis e que podem porventura aumentar a motivação para a realização por partede alunos menos activos.
5.AJUDAS À CONCEÃO
Compreende-se neste conjunto de informações as ferramentasmetacognitivas e cognitivas, os procedimentos denavegação/realização, instrumentos de comunicação (De Liévre &Depover, 2001: 326) e as fontes históricas digitalizadas cujadiscussão individualizamos. Nos projectos realizados as ajudas exigiram a concepção de dossiersimpressos e hiperdocumentos tendo em vista o apoio à execuçãoautónoma das operações. Pretendia-se que mesmo na ausência do professor ou na impossibilidade de disponibilizar apoio, os alunos pudessem dispor de informações indispensáveis ao prosseguimentodas tarefas. Considerámos a necessidade de serem impressos masatendendo a que o seu esquecimento pelos alunos poderiainviabilizar a realização dos projectos procedemos à publicação de
 
tais ajudas no webblog,
Miúdos da Turma
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,à sua introdução emdisquete e ao envio dos mesmos documentos para os endereçoselectrónicos. Os documentos produzidos pretendiam configurar umenvolvimento favorável à manipulação da informação digitalestando disponíveis em qualquer situação.
5.1.Ajudas metacognitivas
As ajudas metacognitivas informam o sujeito sobre dados relevantesque lhe permitam maior controlo sobre a etapa em que se encontra,da sua progressão e do percurso a realizar até à conclusão dostrabalhos. Destacamos algumas das instruções relativas às diferentesetapas de realização dos projectos hipermédia, que devem prever  por exemplo:
 Na primeira fase de planificação, pesquisa e selecção dainformação:
 Planificação sumária do projecto e dos conteúdos a incluir.
 Pesquisa e selecção da informação.
Uso de palavras-chave em pesquisa electrónica.
 Análise crítica da informação proveniente de múltiplas fontes com eliminação da informação irrelevante.
Considerámos também conveniente a explicitão dascompetências específicas aplicáveis ao universo alargado dosconteúdos tratados, sugerindo a realização de nós-ficheiros comfunções equivalentes nos diferentes conteúdos.
5.2.Ajudas cognitivas
As ferramentas cognitivas fornecem as informações teóricasnecessárias à compreensão dos conteúdos. Através de um léxicoespecífico, remetendo para conceitos e ideias chave, os alunos vãointegrando informações, noções e relações em contexto. Dainteracção com as representações distribuídas, resulta umacapacidade acrescida de compreensão dos factos e processoshistóricos.Para que isso aconteça é necessário fornecer um conjunto dedados mais ou menos complexos, articuláveis entre si e adequadosao grau diferenciado de reflexão que se prevê que os alunos possam atingir. Estimulando a flexibilidade deve ser acentuado ocacter complexo e enredado do conhecimento (Spiro,Feltovitch, Jacobson & Coulson, 1992). As ajudas impressas edigitais devem por isso sugerir diferentes percursos temáticos eepisódios que suportem a construção de contextos históricos.Aqueles, são unidades complexas e plurissignificativas que devem permitir uma visão global e sintética de cada questão, agindocomo linhas diferenciadas de reflexão e pesquisa (Carvalho,1999). Sem fornecer informação pormenorizada, articulam osfactos em narrativa histórica sugerindo o processamento dainformação específica através da qual o aluno estará naturalmenteimplicado no escrutínio do conhecimento. Os minicasos ouepisódios são unidades significativas, segmentos ou factoshistóricos que, alinhados por arcos, permitem uma análise que ponha em destaque variações e semelhanças conceptuais.A articulação de tais elementos em diferentes percursos temáticosresulta na concepção de estruturas hipermédia com variável graude complexidade de acordo com o vel de actividade econhecimentos prévios dos alunos.
1
Disponível em http://miudosdo9a.blogspot.com . Tomando como exemplo a temática do Salazarismo e Estado Novo podem considerar-se conteúdos estruturantes:
Conteúdo estruturante K3: Portugal, do Autoritarismo à Democracia
 Dos anos quarenta a sessenta Portugal teve algumdesenvolvimento económico. Apoiando-se nos Planos de Fomento e numa política intensiva de obras públicas verificou-seum acréscimo da actividade económica e alguma renovação daindústria nacional. A Guerra Colonial veio porém criar obstáculos importantes aoregime já que o esforço financeiro necessário e as duras críticasdos regimes democráticos europeus e mesmo dos EUA acabaram por levantar vozes internas de oposição combatidas com arepressão.
E, episódios ou conceitos com os quais se podem articular,
 Atraso estrutural Salazarismo Estado NovoCondicionamento Industrial  Política ultramarinaGuerra Colonial  Humberto DelgadoMUDMário SoaresCEE 
Para apoiar a pesquisa e tratamento da informação foram ainda previamente reconhecidos e explorados sessenta e sete sitesdedicados aos conteúdos estruturantes K1, K2 e K3 além dedezoito portais e directórios online para pesquisa de fontes pririas e secundárias, sobre temas de História geral econtemporânea.Esteve ainda disponível uma página web concebida pelo professor,
Sítios da História
2
 contendo informações sintéticas sobre osconteúdos organizadores do programa da disciplina.
5.3.Fontes históricas digitalizadas
As fontes históricas que é possível consultar na web, raramente seapresentam em língua portuguesa. Integram-se geralmente emarquivos, bibliotecas ou bases de dados de instituiçõesinternacionais que as disponibilizam em língua inglesa. Para alunosdo ensino básico essa condição linguística é obstáculo importante aodesenvolvimento dos projectos em formato digital razão que noslevou a criar um CDROM com recursos vídeo em português. Emtecnologia compatível com os programas
Windows Media Player 
e
Quick Time
, os alunos poderiam estabelecer hiperligações entreficheiros texto e os ficheiros multimédia do CDROM. Criandoligações referenciais, seriam abertos os ficheiros vídeo associadosenfatizando a perspectiva crítica apresentada e enriquecendo oconteúdo das estruturas.
5.4.Procedimentos de realização
As ferramentas de navegação/realização permitem ao aluno obter um conjunto de orientações sobre a forma de realizar as tarefas.Apresentamos como exemplo o tipo de ajudas fornecidas durantea fase de pesquisa e selecção da informação no uso de programascomo o Powerpoint, Word ou Frontpage:
Consulta a
 Internet 
 , os
CDROM 
que tiveres disponíveis,quaisquer livros e o
CRE 
da escola. Para isso:
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