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Uma revis˜ao te´orica sobre os impactos da inova¸ao e tecnologiana Ciˆencia Ecˆonomica
Everson de Almeida Le˜ ao
1
Luciano Busato
2
Rodrigo Hermont Ozon 
3
Trabalho apresentado em 19 de dezembro de 2008 ao Programa de P´os Gradua¸ao em Desenvolvimento Econˆomico/ Industrial – UFPR/IBQP, como requisito parcial a obten¸ao de conceito na disciplina de Dinˆamica da Inova¸ao.
Resumo
Este trabalho apresenta uma revis˜ao dos conceitos e devidas interela¸oes en- tre economia e tecnologia, as principais concep¸oes de paradigma e trajet´oria tec- nol´ogica e os meios anal´ıticos do processo de difus˜ao, os processos de mudaca orga- nizacional, competitivo e SNI no modelo evolucionista e suas formas de articula¸aocomparando as fundamentais conceoes te´oricas recorrentes.
Palavras-Chave:
Economia & Tecnologia. Paradigmas. Difus˜ao tecnol´ogica.Modelo Evolucionista
1 Introdu¸c˜ao
Este artigo tem como objetivo a an´alise dos principais conceitos te´oricos a cerca dadinˆamica da inova¸ao observando suas caracter´ısticas e como se a sua difus˜ao com o ferramental dispon´ıvel na teoria neo-shumpeteriana a partir do pensamento cl´assico deCrhis Freeman [5], Giovanni Dosi[4], Nelson & Winter [8] e Nathan Rosenberg [12]. Inicialmente, ao abordadas diferentes perspectivas sobre a rela¸ao entre economia e tecnologia afim de solucionar de forma anal´ıtica a rela¸ao que se d´a entre ambientes econˆomicos e tecnol´ogicos, incluindo em seguida nesta analise, na segunda se¸ao a con- ceitua¸ao anal´ıtica do paradigma e da trajet´oria tecnol´ogica verificada no ambiente de inova¸ao, baseada em mudan¸cas ecnico-econˆomico que implicam em uma combina¸ao entre de inova¸ao tecnol´ogica, produto, processo e gest˜ao. Este estudo analisa tamb´em o processo de difus˜ao de tecnologia seja ela adaptativae/ou incremental procurando tamb´em explicar como se desenvolve o processo competitivoe de mudan¸ca da organiza¸ao industrial no modelo evolucionista, abordando as mudan¸cas no ambiente econˆomico que levam a inova¸ao, os aspectos da teoria da hereditariedade neo-shumpeteriana evolucionista, onde tamb´em ´e abordado o comportamento de grandesorganiza¸oes e atores de uma economia global.A partir de uma economia competitiva integrada, discute-se o conceito de SNI (Sis-tema Nacional de Inova¸ao), bem como a importˆancia de seus componentes e formas de articula¸ao na pen´ultima se¸ao e finalmente s˜ao expostas as considera¸oes finais a respeito desta investiga¸ao.
1
Economista e pesquisador visitante do Programa de Mestrado Profissional em DesenvolvimentoEconˆomico/Industrial UFPR/IBQP. End. eletrˆonico:
2
Economista e bolsista do Programa de Mestrado Profissional em DesenvolvimentoEconˆomico/Industrial UFPR/IBQP. End. eletrˆonico:
3
Economista e bolsista do Programa de Mestrado Profissional em DesenvolvimentoEconˆomico/Industrial UFPR/IBQP. End. eletrˆonico:
 
2
2 As perspectivas sobre a rela¸ao entre economia etecnologia
O elevado grau de complexidade das rela¸oes existentes entre Economia e Tecnologiaapontam para os desafios de desenvolvimentos te´oricos pertinentes. A respeito disto Free-man (1995) [5]aponta que agentes heterogˆeneos com racionalidade limitada s˜ao capazes de avaliar o ambiente seletivo em que est˜ao inseridos e mesmo n˜ao podendo deter todasas informa¸oes, s˜ao capazes de moldar este ambiente de maneira estrat´egica, levantando assim uma importante quest˜ao sobre
“o que estaria por tr´ as da evolu¸c˜ ao”
uma vez que a
sele¸c˜ ao
ocorreria sobre
varia¸c˜ ao
e que o resultado deste processo seletivo implicaria emredu¸ao da
variedade
, enquanto Dosi (1998)[4] complementa definindo tecnologia como
um complexo de conhecimentos pr´ aticos e te´ oricos englobando al´em de equipamentos f´ısicos, n˜ ao apenas know-how, etodos e procedimentos, mas tamb´em experiˆencias bem ou mal sucedidas
.”a Nelson & Winter (1997)[8] se contraoem ao argumento neocl´assico
4
de que o surg-imento das
inova¸c˜ oes
onde a FPP da fun¸ao de prodao
5
seria expandida pelo progressoecnico alegando que a dinˆamica tecnol´ogica seria o
motor 
do desenvolvimento econˆomicoe que a resolu¸ao de gargalos tecnol´ogicos s˜ao alvos claros de aperfei¸coamentos (
trajet´ oriasnaturais
) definidoras de metas para projetos de P&D, o que Rosemberg (1976) [12]de- lineia como
dispositivos de focaliza¸c˜ ao
onde os problemas t´ıpicos ou metas tendem a seajustar ao processo de busca a dire¸oes particulares, assumindo desta maneira a forma de
imperativos tecnol´ ogicos
guiando a evolu¸ao de novas tecnologias.Um ponto convergente nesta discuss˜ao ´e de que a aprendizagem ocorre com a rotinae que sua dire¸ao ´e dada pela trajet´oria tecnol´ogica definida pelo paradigma de que al´em de
path-dependent 
, implica em irreversibilidade, isto ´e, uma vez alcan¸cada nova posi¸ao ou novo patamar no progresso da trajet´oria, n˜ao existe a possibilidade de volta a situa¸ao anterior.
2.1 Como solucionar analiticamente essa rela¸ao ? At´e queponto ´e ex´ogena a ciˆencia ?
Na vis˜ao de Rosenberg (1994) [13] a complexidade anal´ıtica pode ser modelada pelos economistas que olharem a quest˜ao central das pesquisas cient´ıficas no estudo do cresci-mento econˆomico onde empresas cient´ıficas moldadas pelas suas
preocupa¸c˜ oes tecnol´ ogicas
de v´arias maneiras desempenham um papel fundamental
6
.O autor refor¸ca a id´eia de que ´e dif´ıcil estabelecer um elo/distiao entre ciˆencia asica e aplicada passando pelos exemplos nos quais os desenvolvimentos tecnol´ogicos em ambi-entes operacionais vistos como b´asicos foram utilizados em outras ´areas do conhecimento
4
Os autores criticam o fato de os modelos neocl´assicos se inspirarem nos princ´ıpios da mecˆanicanewtoniana, com um objetivo anal´ıtico primordial de atingir equil´ıbrio e condi¸oes de maximiza¸ao sob incerteza n˜ao bayesiana, enquanto os modelos evolucion´arios, de inspira¸ao biol´ogica, assumem vis˜ao de um sistema em desequil´ıbrio e adaptativo por natureza onde os agentes heterogˆeneos envolvidos est˜aosusceıveis a
muta¸c˜ oes
no processo de tomada de decis˜ao. Para uma definao mais ampla, consulte Nelson & Winter (1982) [9]
5
Uma fun¸ao de produ¸ao geerica pode ser dada por
Q
=
(
L,K,t
), onde
Q
´e o produto,
L
´e a focade trabalho,
´e o capital e
t
´e o progresso ecnico.
6
Os melhoramentos tecnol´ ogicos fazem mais do que gerar a necessidade de tipos espec´ıficos de novosconhecimentos. O avan¸co do conhecimento freq¨ uentemente s´ o se d´ a por meio da experiˆencia real com  uma nova tecnologia em seu ambiente operacional.
” Rosenberg (1994, p. 225)[13]
 
3e aprimorados posteriormente, mostrando assim que a tecnologia ´e uma fonte de quest˜oese problemas para a ciˆencia e que ela ´e um enorme reposit´orio de conhecimento emp´ıricopara ser avaliado e investigado pelos cientistas.Deste modo o progresso tecnol´ogico contribui para a defini¸ao de uma agenda de pesquisa cient´ıfica onde esses avan¸cos disponibilizam novos instrumentos e equipamentospara atividade cient´ıfica.Para Rosemberg (1994, p. 159) [13]existem “
poderosos impulsos econˆomicos moldando,dirigindo e constrangendo o empreendimento cient´ıfico
”, ou seja, em qualquer momentono tempo, ´e prov´avel que a aloca¸ao de recursos cient´ıficos seja dominada por uma pr´evia evidˆencia de retornos tecnol´ogicos, mas tamb´em al´em disso, existe uma raz˜ao mais ampla
7
pela qual a tecnologia molda os empreendimentos cient´ıficos como o desenvolvimento deecnicas de observa¸ao, de teste e medidas, em suma de instrumenta¸ao. Estes s˜ao os principais fatores que fazem com que muitos economistas vejam a ciˆenciacomo uma for¸ca ex´oogena que n˜ao pode ser submetida a an´alise econˆomica e o processo de industrializa¸ao inevitavelmente transforma a ciˆencia numa atividade cada vez maisend´ogena, ao aumentar sua dependˆencia com rela¸ao `a tecnologia. Todavia, salienta-se que um arqu´etipo promissor para a compreenao dos avan¸coscient´ıficos ser´a um modelo que combine a
l´ ogica 
do progresso cient´ıfico com alguma con-sidera¸ao dos custos e recompensas que derivam da vida cotidiana e que est˜ao ligados `a ciˆencia por interm´edio da tecnologia.
3 Os conceitos de paradigma e trajeoria tecnol´ogica
Dosi (1982, p.152) [4] faz uma analogia ao paradigma cient´ıfico de Kuhn propondoo paradigma tecnol´ogico
como um modelo ou padr˜ ao de solu¸c˜ oes de problemas tec- nol´ ogicos selecionados, baseados em princ´ıpios selecionados, derivados das ciˆencias nat-urais
”, mostrando que o desenvolvimento da cencia ´e similar ao tecnol´ogico, transpondoo significado da ciˆencia normal para a
trajet´ oria tecnol´ ogica ou progresso ecnico norma
,que seria o padr˜ao normal de resolu¸ao de problemas no campo do paradigma tecnol´ogico vigente. Em sua teoria, o progresso t´ecnico normal se op˜oe aos processos de inova¸ao radicais derivados de paradigmas tecnol´ogicos emergentes.a para Perez (1986) [10] e Freeman (1982) [5]um processo de inova¸ao b´asico e isolado ´e menos importante do que as intera¸oes que um
cluster 
(agrupamento) de inova¸oes podeter com o processo de mudan¸ca social e organizacional. Estas intera¸oes impulsionam o mercado a crescer velozmente, possibilitando que grande quantidade de capital possa serinvestido em novas dire¸oes (Freeman, 1982b, p. 5)[5]. Vistos desta forma, sistemas de inova¸oes s˜ao mais importantes do que inova¸oes isoladas. Em suma, evolu¸ao tecnol´ogica ´e um processo complexo. Na vis˜ao de Perez (2001, p.119) [10]:
“As tecnologias se interconectam em sistemas, que por sua vez s˜ ao interde-pendentes, tanto entre si, como na rela¸c˜ ao com seu entorno f´ısico, social e institucional
.Com efeito, esta abordagem de sistemas de inova¸ao ´e mais ampla que a proposta deDosi (1982), mas a outra diferen¸ca fundamental. Todavia, os paradigmas derivamde um conjunto de regras. Perez (1986) preconiza que `a medida que v˜ao se estabele-cendo os principais elementos do conjunto de regras ou conceitos-guia derivados do novoparadigma econˆomico e tecnol´ogico,
“ocorre uma mudan¸ca na estrutura geral de custos,
7
O autor salienta que a documenta¸ao completa desta afirma¸ao seria equivalente a uma detalhada discuss˜ao da hist´oria da ciˆencia ao longo dos ´ultimos 400 anos.
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