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Resposta ao missionário antropólogo Edward Luz. (Março de 2013)

Resposta ao missionário antropólogo Edward Luz. (Março de 2013)

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Redigi esta semana (06/mar/2013), aos que possam se interessar, um artigo (em anexo) em resposta à carta do missionário antropólogo Edward Luz, publicada na “Gazeta de Santarém” no início de março deste ano http://www.gazetadesantarem.com.br/cidade/antropologo-nega-existencia-de-indigenas-boraris/.

Sua carta, com ares de parecer técnico, trata de suposta farsa nos processos políticos de afirmação de identidades indígenas, mobilizados por diversas populações ribeirinhas que habitam a região do Baixo Tapajós e Arapiuns; situada no município de Santarém, centro-oeste do Pará.

O missionário afirma que tudo não passa de um "esquema corrupto e corruptor de se obter benefícios estatais de forma indevida" que envolve os antropólogos, os indígenas, Ongs e a Funai.

Suas afirmações - que compõem parte de uma estratégia política mais abrangente - tem causado grande furor no município de Santarém nos últimos dias.

Dada a relevância pública do tema, entendo que cabe aos antropólogos que atuam junto a estas populações a tarefa de tentar esclarecer não a Edward Luz – que tem interesses estratégicos bem precisos para fazer o que faz – mas às muitas pessoas que possam, eventualmente, se fazer influenciadas pelas armadilhas de sua retórica antropológica.

Esta resposta a Edward Luz, redigida para além da constatação do lugar de onde este missionário fala, se propõe uma alternativa possível à sua 'lógica e inequívoca interpretação antropológica'.

Aos interessados, peço a gentileza de que circulem e repercutam o conteúdo desta mensagem.

Atenciosamente,

Leandro Mahalem de Lima

Mestre e doutorando em Antropologia Social na Universidade de São Paulo. Bolsista CAPES. Desenvolve, desde 2001, pesquisas sobre o vale do Amazonas e adjacências, no âmbito do Centro de Estudos Amerídios (CEstA), antigo Núcleo de História Indígena e do Indigenismo (NHII). Em 2008 iniciou, por edital público, sua contribuição independente aos estudos conduzidos pela FUNAI, para a demarcação da Terra Indígena Cobra Grande (Santarém/PA).
Redigi esta semana (06/mar/2013), aos que possam se interessar, um artigo (em anexo) em resposta à carta do missionário antropólogo Edward Luz, publicada na “Gazeta de Santarém” no início de março deste ano http://www.gazetadesantarem.com.br/cidade/antropologo-nega-existencia-de-indigenas-boraris/.

Sua carta, com ares de parecer técnico, trata de suposta farsa nos processos políticos de afirmação de identidades indígenas, mobilizados por diversas populações ribeirinhas que habitam a região do Baixo Tapajós e Arapiuns; situada no município de Santarém, centro-oeste do Pará.

O missionário afirma que tudo não passa de um "esquema corrupto e corruptor de se obter benefícios estatais de forma indevida" que envolve os antropólogos, os indígenas, Ongs e a Funai.

Suas afirmações - que compõem parte de uma estratégia política mais abrangente - tem causado grande furor no município de Santarém nos últimos dias.

Dada a relevância pública do tema, entendo que cabe aos antropólogos que atuam junto a estas populações a tarefa de tentar esclarecer não a Edward Luz – que tem interesses estratégicos bem precisos para fazer o que faz – mas às muitas pessoas que possam, eventualmente, se fazer influenciadas pelas armadilhas de sua retórica antropológica.

Esta resposta a Edward Luz, redigida para além da constatação do lugar de onde este missionário fala, se propõe uma alternativa possível à sua 'lógica e inequívoca interpretação antropológica'.

Aos interessados, peço a gentileza de que circulem e repercutam o conteúdo desta mensagem.

Atenciosamente,

Leandro Mahalem de Lima

Mestre e doutorando em Antropologia Social na Universidade de São Paulo. Bolsista CAPES. Desenvolve, desde 2001, pesquisas sobre o vale do Amazonas e adjacências, no âmbito do Centro de Estudos Amerídios (CEstA), antigo Núcleo de História Indígena e do Indigenismo (NHII). Em 2008 iniciou, por edital público, sua contribuição independente aos estudos conduzidos pela FUNAI, para a demarcação da Terra Indígena Cobra Grande (Santarém/PA).

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Published by: Leandro Mahalem de Lima on Mar 09, 2013
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05/17/2013

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www.usp.br/cesta - cestausp@gmail.com - cesta@usp.br 
1São Paulo, 06 de março de 2013
Uma resposta possível à “lógica e inequívoca interpretaçãoantropológica” do missionário antropólogo Edward Luz
 
Leandro Mahalem de Lima
1
 Esta é uma resposta à carta de autoria de Edward Luz, publicada na “Gazeta deSantarém” no início de março deste ano (Ed. 01/03/2013; Geral, P. 10)
2
. Esta carta, comares de parecer técnico, trata de suposta farsa nos processos políticos de afirmação deidentidades indígenas, mobilizados por diversas populações ribeirinhas que habitam aregião do Baixo Tapajós e Arapiuns; situada no município de Santarém, centro-oeste doPará.* * *
1
Mestre e doutorando em Antropologia Social na Universidade de São Paulo. Bolsista C
 APES
.Desenvolve, desde 2001, pesquisas em antropologia e história do vale do Amazonas eadjacências, no âmbito do Centro de Estudos Amerídios (CEstA), antigo Núcleo de HistóriaIndígena e do Indigenismo (NHII). Em 2008 iniciou, por edital público, sua contribuiçãoindependente aos estudos conduzidos pela F
UNAI
, para a demarcação da Terra Indígena CobraGrande (Santarém/PA).
2
Leia também a resposta do antropólogo e frei indígena Florêncio Vaz publicada nesta mesmagazeta em 4 de março. Detalhes de referências e links para versões web em “bibliografia citada”.
 
 
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www.usp.br/cesta - cestausp@gmail.com - cesta@usp.br 
2
 Antes de entrar na “polêmica antropológica” que Edward Luz levanta ao público,apresento rapidamente algumas notas em relação à sua trajetória, com o objetivo desituar, parcialmente, o lugar de onde ele fala. Para fazer esta breve reconstrução de suabiografia, que está longe de meus principais interesses, parto fundamentalmente de duasreportagens publicadas na revista
Rolling Stone Brasil 
pelo jornalista investigativo FelipeMilanéz (Ed. 49, out. 2010 e Ed. 63, dez. 2011).Milanéz conta que Luz é um "jovem líder evangélico na faixa de 30 anos, casado e pai defamília, filho do pastor e presidente da Missão Novas Tribos do Brasil e formado emantropologia pela Universidade de Brasília". Alguém que "nasceu e cresceu em um berçomissionário", como o próprio relatou ao repórter.Em 1986, quando ainda era criança, esteve presente na trágica expedição liderada por seu pai entre os Zo'é, que redundou na morte por epidemias de cerca de 30% destapopulação “isolada” falante de uma língua Tupi
3
. Atualmente, Edward Luz sucede seu pai na presidência da Missão Novas Tribos doBrasil, que é acusada de genocídio pela F
UNAI
no “caso Zo’é”. Como descreve Milanéz, aorganização transnacional que Edward Luz dirige no Brasil é apenas uma entre váriasmissões, altamente capitalistas, orientadas à pregação de uma leitura estreita e radicaldo evangelho entre todas "almas condenadas do planeta".Tanto pela conduta autoritária e preconceituosa, quanto pelas conseqüências nefastasque estas missões historicamente deixam em seu rastro, a F
UNAI
os proibiu de ingressar em Terras Indígenas habitadas por povos "isolados". Há tempos Edward Luz e suaorganização mantém recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra esta proibição. Além do proselitismo junto aos “isolados”, a bancada missionária, da qual Edward Luz éparte, atua ativamente em todos os poderes da República, em uma série de temas
3
Povo "isolado" que habita uma área de refúgio entre os rios Cuminapanema e Erepecuru nonorte do Pará, município de Oriximiná.
 
Para saber mais, acesse na web a
Enciclopédia PovosIndígenas no Brasil 
do Instituto Socioambiental.
 
 
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3
ligados ao “desenvolvimento e progresso” de áreas ocupadas por populações indígenas etradicionais, em todo o Brasil.Para alcançar seus objetivos estratégicos, Edward Luz estabelece alianças táticas comdiversos setores economicamente poderosos, como mineradoras, agronegócio e meiosde comunicação de grande porte, como a
Revista Veja
(Ed. Abril).Nos últimos anos, o missionário antropólogo tem percorrido, em uma espécie de cruzada,diversas regiões da Amazônia, do Nordeste e do Centroeste do Brasil, habitadas por populações tradicionais caracterizadas por um longo histórico de relações com o “mundodos brancos”. Nestes contextos, sua missão é provar a inexistência de índios, posto queos “índios de verdade” seriam apenas os “isolados pagãos”, que ele se esforça, à todocusto, em “evangelizar e civilizar”.Na reportagem, o jornalista também descreve que, além do contrato com a AssociaçãoComunitária dos Trabalhadores Rurais do Aruã e Maró (A
CUTARM
) – que reúne“caboclos” que habitam as margens destes formadores do rio Arapiuns – Edward Luzmantém estreitas relações com as empresas madeireiras que atuam, ou pretendematuar, nas áreas de interflúvio destes rios. Atualmente, ele é o responsável, entre outras, pela contestação do processo dedemarcação da Terra Indígena Maró – que abrange parte desta vasta zona hídrica –;aprovado pela F
UNAI
em 2011 a partir das demandas das famílias e aldeias que seidentificam Arapium e Borari, que reivindicam, entre outras, a retirada das empresasmadeireiras de suas áreas de ocupação tradicional.* * *

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Gedeão Arapyú added this note
Leandro eu acredito na sua responsabilidade,o qual seu título deve ser valorizado de Antropologo,e já estava na hora de alguém dar uma resposta a altura só nós e quem compartilha de nossas lutas sabem o que passamos em relação a preconceito contra nossos povos.
BRAVO!!!! Parabéns Leandro!!!
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