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As unidades ou elementos formais da linguagem cinematográfica.
(por Paulo Barbosa - 2005)
Para fazer uma análise dos elementos que constituem um texto é necessáriodefinir a qualidade que se pretende identificar e a unidade de análise a usar. Éaqui que as análises formais deparam com o primeiro problema. Enquanto queo texto escrito pode usar como unidade de análise a palavra, frases e capítuloso texto audiovisual tem fotogramas, planos, cenas e sequencias alem de quecombina diferentes linguagens num só texto e em simultâneo.A primeira abordagem possível mas errada leva a comparar a “palavra” dalinguagem verbal ao “plano” da linguagem cinematográfica; a “frase” dalinguagem verbal à “cena” do filme e o “parágrafo” da linguagem verbal à“sequência” do filme.Monaco (2000, p.160) apresenta os seguintes argumentos para fundamentar que não é aconselhável fazer esta comparação e os motivos são os seguintes:- O plano comporta a variável tempo ao contrário da “palavra” e durante otempo as imagens e sons do plano alteram-se;- Um plano com movimentos de câmara pode mostrar uma sequênciaordenada de objectos, acções e resultados das acções, o que torna difícilcomparar toda esta informação com apenas uma palavra.Mesmo que a comparação fosse feita entre a “palavra” e um único fotogramade um texto audiovisual, não seria possível compara-los visto que um só
frame
(1/25 segundo) pode representar uma quantidade enorme de objectos e acçõesrelacionadas entre si.Em virtude dos argumentos anteriores Monaco (2000, p.160) defende a tese deque não há uma unidade de significado da linguagem cinematográfica mas simum contínuo de significado, onde é arbitrário definir qualquer tipo de unidade designificado. Nas palavras deste autor a linguagem do filme consiste num curto-circuito de signos para os quais o significante é muito semelhante aosignificado e depende da continuidade não discreta do sistema no qual se podeidentificar uma unidade básica de sentido a qual pode ser descritaquantitativamente. (Monaco, 2000, p.160).
Paulo BarbosaPágina 126 de Fev de 2006
 
Uma outra proposta para identificar as partes formais de um texto audiovisual éproposta por Eisenstein (1949, p.48) segundo o qual o plano e a montagem sãoos elementos básicos do cinema.Eisenstein define plano como o elemento da montagem (Eisenstein, 1949,p.37) e define montagem como a ideia que surge da colisão de planosindependentes ou opostos (Eisenstein, 1949, p.49).Esta proposta tem o defeito de considerar a montagem como um elementoquando na verdade ela é um processo através do qual se estruturam os planos.Mas o facto é que existem qualidades dos planos e qualidades da montagem epara estudar estes dois aspectos formais Mónaco considera que existem doiscampos autónomos para o estudo formal do texto audiovisual que se designampor sintaxe espacial e sintaxe temporal.Metz (1968, 1972, p.201) defende que cada imagem longe de equivaler a ummorfema ou palavra, corresponde bastante mais a um enunciado completo, ouseja a uma ou mais frases, cada uma delas compostas por os sintagmasnominal, verbal e preposicional. Para Metz o conceito sintagma significa umaparte do texto que tem autonomia.Segundo este autor existem apenas oito tipos de sintagmas na linguagemaudiovisual. Quatro sintagmas designam as relações temporais entre asacções narradas, os outros três sintagmas qualificam relações entre acçõesque não se baseiam no tempo. Os sintagmas propostos por Metz (1968; 1972)são:1º O sintagma Cena é o mais usado e designa uma série de planos querepresentam um acontecimento com continuidade de tempo e espaço comoacontece no teatro ou na vida real.2º O sintagma Alternante, ou montagem paralela, designa a sequência notexto audiovisual de diferentes acções que se passam em espaçosdiferentes mas em simultâneo.3º O sintagma Sequencia designa a sucessão de planos comdescontinuidade no espaço e no tempo no qual as acções irrelevantes nãosão representadas no texto.
Paulo BarbosaPágina 226 de Fev de 2006
 
4º O sintagma Episódico ou frequentativo designa uma sequência de planosem que existem elipses de tempo e ou espaço entre os planos mas peranteos quais o espectador constrói mentalmente o que não foi mostrado notexto. Imaginemos por exemplo um plano com o homem a insultar umamulher e ela a pegar numa faca. Se o plano seguinte mostrar o homemmanchado de sangue, o espectador constrói mentalmente o significado daelipse de tempo e de espaço que o texto audiovisual suprimiu.Os três sintagmas seguintes não se relacionam com base em cronologia.5º O sintagma Descritivo designa uma série de planos que mostram partesde um espaço e que serve para o descrever. No entanto nestes planos oespectador não pode mentalmente organizar os planos no tempo uma vezque não representam um antes e um depois.6º O sintagma Parêntesis descreve um fenómeno ou conceito como seja por exemplo um ou mais planos que mostrem o sol desaparecer no horizonte eacções de pessoas típicas do princípio da noite para representar o conceitofim do dia7º O sintagma Paralelo designa planos que relacionam por contraste ousemelhança duas acções, pessoas ou objectos que estão em espaços etempos diferentes.8º O sintagma Plano autónomo em que o sintagma é um só plano que podeser um plano sequencia ou um insert fora do contexto do plano anterior eseguinte.Com base na frequência de uso de cada um destes sintagmas é possívelcaracterizar a forma de um texto audiovisual. Bordwell estudou o cinemaclássico de Hollywood e detectou que era feito com recurso quase queexclusivo ao sintagma cena e ao sintagma sequencia. Comparativamente osfilmes produzidos na união soviética nos anos 20 tinham um uso frequente dosintagma paralelo (Bordwell, 1985 p.239)
Uma outra forma, mais objectiva, de identificar as partes de um textoaudiovisual é através do conceito de plano que é a unidade material de produção do texto audiovisual quando este é produzido com uma câmara. O plano define-se como sendo a Sequencia visual continua
Paulo BarbosaPágina 326 de Fev de 2006

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