Não é o assistente litisconsorcial um assistente simples porque, como bem preceitua J.E. Carreira Alvim,
“Elementos de Teoria Geral do Processo”,
quando o direito que estásendo objeto de discussão pertence também ao terceiro, então, a assistência é litisconsorcialou qualificada, como se lê dos direitos descritos nos art. 623 do Código Civil, em que se falaque o condômino pode reivindicar coisa de terceiro, sendo interesse dos demais condôminoso ingresso na demanda. Já, na assistência simples, o direito de terceiro não está sendodiscutido em juízo. Assim, se o assistido desistir da ação, cessa a assistência simples. Se oassistido não recorrer, porque expressamente renunciou ao recurso, o assistente não poderecorrer. Se o assistido reconhece o direito da outra parte, o assistente nada pode fazer. Se oassistido manifestar sua aquiescência da decisão, renunciar ao direito, restará prejudicado aorecurso do assistente. Se o assistido não contesta, o assistente é gestor de negócios, pura esimples, sem poder praticar atos de disposição de direito (art. 52, p. único do Código deProcesso Civil).Se o assistente simples é considerado para uns, como Liebman, Carnelluti, Allorio, parte subordinada ou acessória, para outros, como Frederico Marques, sujeito processualsecundário, terceiro, pois, não parte, ou, quando muito sujeito do processo (Arruda Alvim, noManual), o assistente litisconsorcial equipara-se ao litisconsorte (art. 54 do Código deProcesso Civil), pois seu direito está sendo objeto de debate em juízo.A assistência simples é ainda admitida em qualquer fase do processo, ainda que, emTribunal, se se encontrar a causa em grau de recurso. Já a intervenção voluntárialitisconsorcial não é admissível em qualquer fase do processo, não sendo admitida, após acitação.O assistente simples está vinculado à justiça da decisão (art. 55 do CPC), que é o fato jurídico tido como processualmente verdadeiro, na
premissa
menor do silogismo sentencial,os fundamentos da decisão. Já, na assistência litisconsorcial, o terceiro assume a posição de parte, desde que também a relação jurídica que o vincula ao adversário do assistido serádecidida pela sentença, com força de coisa julgada, pois a influência, mencionadatimidamente no art. 54 do CPC, corresponde a coisa julgada.O artigo 55 do CPC refere-se apenas ao assistente simples, como lembram CelsoAgrícola Barbi,
“Comentários ao CPC”,
tomo I, pg. 308/309; Ernani dos Santos, Tornaghi,
“Comentários ao Código de Processo Civil”,
vol. I, p. 236, contra posição de Arruda Alvim,Pontes de Miranda e Sérgio Ferraz, certamente convencidos por Rosemberg e Schönke, à luzdo § 68 da ZPO alemã. A coisa julgada, em se tratando de assistência litisconsorcial alcançatanto o assistido como o assistente. Aliás, Moacyr Lobo da Costa entende que, quando asentença puder produzir coisa julgada na referida relação, é que se legitima tal outorga deassistente litisconsorcial.
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