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O espaço da arte contemporânea - Fernando Cocchiarale

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FERNANDO COCCHIARALE
O ESPAÇODA ARTECONTEMPORÂNEA
[Professor da PUC-Rio ecurador do MAM-RJ]
 
181
Ainda que seja um tema aberto a múltiplos recortes e interpretações,o espaço da arte contemporânea não deve ser aqui compreendido demodo literal, isto é: não deve ser pensado a partir das característicasfísicas dos espaços de exibição e da ocorrência da arte produzida atual-mente, mas qual uma rede de instituições e de profissionais que em-prestam sentido à produção contemporânea nessa virada de milênio.A ressalva é vital, sobretudo, se considerarmos que a arquite-tura de áreas expositivas vem sendo adequada aos novos conceitos erepertórios que alteraram e seguem alterando os rumos da produçãoartística e das teorias da arte desde o século XVIII. Dos ateliês emuseus influenciados pelo Iluminismo, nos quais os quadros reco-briam, de alto a baixo, qual uma coleção de insetos ou de minera-logia, as paredes dessas recém-criadas áreas expositivas; passandopelo cubo branco modernista, cuja neutralidade podia acolher, semquaisquer interferências, a pureza formal das obras de arte; até aapropriação recente de espaços concebidos e projetados original-mente para atividades com funções estranhas à arte temos, sempre,o entrelaçamento entre as questões e as necessidades da produçãoartística e as características espaciais da arquitetura nas quais é exi-bida. Entrelaçamento sutil em que as primeiras são determinantes eas últimas, determinadas.O espaço de arte é, portanto, um tema com tantos desdo-bramentos que para introduzi-lo é necessário um recuo às origensdo conceito atual de arte; conceito atualmente em crise devido àstransformações experimentadas pela produção contemporânea des-de seu surgimento na passagem da década de 1950 para a de 1960.Inicialmente imperceptíveis, essas transformações começaram a ser
 
182
ESPAÇO E ARTE CONTEMPORÂNEA
notadas pelo discurso teórico há cerca de trinta anos. Elas são deter-minantes para a introdução do tema proposto.Recente do ponto de vista histórico, nosso conceito de arte(posto em crise pela vida e pela arte contemporâneas) é bastantediferente daquele aceito pela Antiguidade. Seu sentido mudou radi-calmente no século das luzes, quando a arte foi classificada, pelasprimeiras teorias autônomas a seu respeito,
 
como uma atividadeoposta ao artesanato (por exemplo: Kant na
Crítica da faculdade do juízo
). Essa oposição, embora soe natural, universal e até mesmoeterna para a maior parte das pessoas do mundo ocidental dos últi-mos duzentos anos, jamais foi cogitada no mundo antigo e no medi-eval que as consideravam atividades similares e, por isso, eram desig-nadas por um mesmo conceito. As noções de
tekné 
(Grécia) ou de
ars
(Roma) abrangiam quaisquer objetos produzidos pelo trabalhohumano (o produto, a
tekné 
,
ars
ou arte) distinguindo-os dos mate-riais fornecidos diretamente pela natureza (matéria-prima).Ao longo de poucas centenas de anos, contados a partirdos primórdios da Renascença até o final do século XVIII, a artese tornou uma atividade especial, posto que destinada somente àcontemplação estética. Em contrapartida, todas as outras esferas daprodução de objetos passaram a ser associadas ao mero atendimentodas necessidades de nossas vidas concretas e de nossa rotina diária.O novo conceito de arte que emerge no final do século XVIII só épossível a partir da ênfase nessa distinção funcional entre os utensí-lios dos quais nos servimos em nosso cotidiano (objetos utilitários/corpo) e os objetos apenas contempláveis (obras de arte/alma).Distinção que implica também o distanciamento entre aarte e a vida, cujo clímax serão as diversas propostas abstracionistas,formuladas entre 1910, quando Kandinsky produz a primeira obraabstrata, e o final da década de 1950, com a emergência da produçãocontemporânea.

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