Durante a \u00faltima d\u00e9cada as mu\ue000 lheres conquistaram posi\u00e7\u00f5es im\ue000 portantes na sociedade, tanto em termos legais como profissionais. Paralelamente a essa escalada de poder, por\u00e9m, aumentaram os dis\ue000 t\u00farbios ligados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, as cirurgias pl\u00e1sticas, a pornografia e a necessidade artificialmente provocada de corresponder a um modelo idealizado de mulher, em que a velhice e a obesidade, mais do que pecados, s\u00e3o motivos pa\ue000 ra a estigmatiza\u00e7\u00e3o.
EmO mito da beleza Naomi Wolf enfrenta o que ela acredita ser a \u00fanica trincheira ainda por derrubar para que a mulher pos\ue000 sa obter sua igualdade em todos os campos. Para mostrar como a ind\u00fastria da beleza e o culto \u00e0 be\ue000 la f\u00eamea manipulam imagens que minam a resist\u00eancia psicol\u00f3gica e material femininas, reduzindo as conquistas de 20 anos de lutas a meras ilus\u00f5es, Naomi escreveu um livro forte, com dados estat\u00edsticos contundentes e f\u00faria temperada aqui e ali por humor e lirismo.
Ao dissecar as normas de seu tempo, denunciando o que acredi\ue000 ta serem elaboradas estrat\u00e9gias de combate ao evidente dom\u00ednio fe\ue000 minino, Naomi Wolf n\u00e3o faz um livro superficialmente panflet\u00e1rio. Faz, isto sim, um livro que pode e merece ser lido com proveito por homens e mulheres interessados em conhecer este bicho estranho \u2014 o outro.
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