discussões do Círculo, nas quais tomaram parte, entre outros, H. Haim,F. Waisman, H. FeigI, Otto Neurath, Philip Frank, K. Gõdel, G.Bergmann, K. Popper e H. Kelsen.Ao Círculo de Viena ligou-se o grupo de Berlim, que se constituiu em1928 com o nome de "Gesellschaft fü r empírische Philosophie" à voltade Hans Reichenbach, e que inclui entre outros K. Lewin, W. KõhIer e C.G. Hempel. A colaboração entre os dois grupos estabeleceu-se sobretudona revista "Erkenntnis" que se publicou de 1930 a 1938 e que foidirigida por Carnap e Reichenbach,Na Polónia, surgiu um movimento análogo por influência de CasimirTwardowsky, que fora aluno de Bolzano na Universidade de Viena e querenovou na Polónia a tradição dos estudos lógicos, mais tarde retomadapor T. Kotarbinski, Jan. Lukasiewiez, Alfred Tarsky e muitos outros.Depois da vitória do nazismo na Alemanha e na Áustria, muitosrepresentantes do neo-empirismo retiraram-se para os Estados Unidos daAmérica, tendo aí encontrado um ambiente receptivo sobretudo entre ospensadores da corrente pragmatista que se inspiravam em Peirce e Dewey.Foi assim possível retomar a ideia, expressa em 1929 numa espécie demanifesto, do Círculo, de uma "ciência unificada" que tivesse porobjecto toda a realidade acessível ao homem e que se servisse de umúnico método de análise lógica. Nascia assim a EnciclopédiaInternacional da Ciência Unificada, que se começou a publicar emChicago em 1938 sob a direcção10de Neurath, Carnap e Morris e que publicou monografias assinadas porcientistas e filósofos de muitos países (Bohr, Dewey, Rougier,Reichenbach, Russell, Tarski, etc.). Apesar do valor de muitos doscontributos publicados na Enciclopédia, não nos devemos esquecer de queela mostra uma substancial diferença de opiniões sobre o próprio modode entender a unidade da ciência. Com efeito, esta unidade é aindacompreendida por Neurath no sentido clássico, como combinação dosresultados das várias ciências e tentativa de os reunir num sistemaaxiomático, único (Internat. Enc. of Un. Sc., 1, 1, 1938, p. 20). Éentendida por Dewey como uma exigência de estender o papel e a funçãoda ciência a todo o palco da vida (Ib., p. 33); para Russell,apresenta-se como "unidade de método"; para Carnap, comounidade formal que respeita às "relações, lógicas entre os termos e asleis dos vários ramos da ciência" (Ib., p. 49); para Morris, como "umaciência da ciência", isto é, implicando que tal unidade se verificasseno âmbito da semiótica, de que ele é defensor (Ib., p. 70). Por outrostermos, o próprio conceito da ciência unificada não se apresentasuficientemente unificado nos seus diversos defensores, que atribuem aessa expressão significados diversos e demonstram assim, de facto, oseu carácter utópico. Na realidade, o conceito de unidade da ciêncianão é um conceito científico mas sim filosófico que, portanto, acolhe erespeita a diversidade das filosofias.Mais do que unidade, pode-se falar legitimamente de "conexões" ourelações recíprocas entre as ciências; e tais conexões ou relaçõesconstituem11problemas filosóficos importantes aos quais se dedicam útilmente os
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