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HistÓria da FilosofiaVolume catorzeNicola A bbagnanoobra digitalizada por ângelo Miguel Abrantes.Se quiser possuir obras do mesmo tipo ou, por outro lado, tem livrosque não se importa de ceder, por favor, contacte-me:Ângelo Miguel Abrantes, R. das Açucenas, lote 7, Bairro Mata da Torre,2785-291, S. Domingos de Rana.telef: 21.4442383.móvel: 91.9852117.Mail: angelo.abrantes@clix.ptAmpa8@hotmail.com.HISTÓRIA DA FILOSOFIAVOLUME XIVTRADUÇÃO DE: CONCEiÇÃO JARDIM EDUARDO LOCIO NOGUEIRA NUNO VALA.DASCAPA DE: J.COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃOTIPOGRAFIA NUNESR. D. João I V, 590 - PortoEDITORIAL PRESENÇA . Lishoa 1970TITULO ORIGINAL STORIA DELLA FILOSOFIACopyright by NICOLA ABBAGNANOReservados todos os direitos para a língua portuguesa à EDITORIALPRESENÇA, LDA. - R. Augusto Gil, 2 e/v.-E. ~ LisboaxiiiO NEO-EMPIRISMO§ 805. CARACTERISTICAS DO NEO-EMPIRISMOSob o nome de "neo-empirismo" ou de "empirismo lógico" podem serreagrupadas todas aquelas filosofias que entendem e praticam afilosofia como análise da linguagem. Mas por análise da linguagem podemcompreender-se duas coisas diferentes:1.o A análise da linguagem científica, isto é, da linguagem própria dasciências parcelares; e neste caso a filosofia é reduzida à lógica, àqual é ainda atribuída a tarefa de determinar as condições gerais eformais que tornam possível uma qualquer linguagem.2.o A análise da linguagem comum, isto é, das formas de expressãopróprias do senso comum e usadas na vida quotidiana; e neste caso atarefa da
 
filosofia será a de interpretar estas formas e deinvestigar o seu significado ou os seus significados autênticos,eliminando os equívocos a que conduz o uso impróprio de taissignificados.À primeira posição pode dar-se o nome de "positivismo lógico" porque,tal como o positivismo clássico, privilegia a ciência e considera-acomo única forma válida de conhecimento. À segunda pode chamar-se"filosofia analítica", nome que é usado pelos seus próprios defensores.Ambas as formas do neo-empirismo consideram que a simplificação dalinguagem conduz à eliminação dos problemas tradicionais da filosofiae, sobretudo, dos da metafísica que façam uso do vocabulário e dasintaxe da linguagem científica ou comum que é estranho a essevocabulário e a essa sintaxe. Esses problemas tornam-se assim "privadosde sentido" se a linguagem em que vêm expressos for reconduzida às suasregras. Reconhecê-los como privados de sentido é o papel curativo outerapêutico da filosofia, da qual portanto se pode dizer que tem portarefa a libertação da própria filosofia.A esfera da linguagem, isto é, dos significados ou dos usoslinguísticos, tem no neo-empirismo, e em certa medida, a função que a"experiência" tinha no velho empirismo; ou seja, a de constituir ocritério ou norma da investigação filosófica. Mas o mais importanteprecedente histórico do neo-empirismo é a dicotomia instaurada por Humeentre as proposições que se referem às relações entre as ideias (taiscomo as proposições matemáticas) e asproposições que se referem a factos: as primeirastêm em si mesmas a sua verdade, as segundas só são verdadeiras seestiverem de acordo com a experiência (§ 468). Esta dicotomia égeralmente admitida pelas correntes neo-empiristas, e é para elas, talcomo para Hume, a base para a eliminação da metafísica, cujasproposições não entram nem numanem noutra categoria. Mas a verificação empírica supõe o recurso adados imediatos e, portanto, uma teoria da experiência, do mesmo modoque a análise das proposições matemáticas supõe a lógica. O neo-empirismo aproveita de Mach a teoria da experiencia, e de Russell osprincípios fundamentais da suaindagação lógica. Simultâneamente, utiliza todo o rico património deinvestigações metodológicas provocadas pela tendência críticaprevalecente nas matemáticas, na física e nas outras ciências nosúltimos decénios; e participa no enriquecimento dessa tendência comcontributos de importância fundamental.§ 806. ESCOLAS NEO-EMPIRISTASO neo-empirismo foi primeiro uma tendência seguida pelo chamado"Círculo de Viena", isto é, por aquele conjunto de estudiosos de váriasproveniências que se juntou, a partir de 1923, à volta de MoritzSchlick. O Tractatus, de Wittgenstein. (o qual, no entanto, sóocasionalmente se encontrava com alguns membros do Círculo), publicadopela primeira vez nos "Annalen der Naturphilosophie" de1921, e a obra de Carnap, que fora chamado paraa Universidade de Viena em 1926, forneceram as principais bases das
 
discussões do Círculo, nas quais tomaram parte, entre outros, H. Haim,F. Waisman, H. FeigI, Otto Neurath, Philip Frank, K. Gõdel, G.Bergmann, K. Popper e H. Kelsen.Ao Círculo de Viena ligou-se o grupo de Berlim, que se constituiu em1928 com o nome de "Gesellschaft fü r empírische Philosophie" à voltade Hans Reichenbach, e que inclui entre outros K. Lewin, W. KõhIer e C.G. Hempel. A colaboração entre os dois grupos estabeleceu-se sobretudona revista "Erkenntnis" que se publicou de 1930 a 1938 e que foidirigida por Carnap e Reichenbach,Na Polónia, surgiu um movimento análogo por influência de CasimirTwardowsky, que fora aluno de Bolzano na Universidade de Viena e querenovou na Polónia a tradição dos estudos lógicos, mais tarde retomadapor T. Kotarbinski, Jan. Lukasiewiez, Alfred Tarsky e muitos outros.Depois da vitória do nazismo na Alemanha e na Áustria, muitosrepresentantes do neo-empirismo retiraram-se para os Estados Unidos daAmérica, tendo aí encontrado um ambiente receptivo sobretudo entre ospensadores da corrente pragmatista que se inspiravam em Peirce e Dewey.Foi assim possível retomar a ideia, expressa em 1929 numa espécie demanifesto, do Círculo, de uma "ciência unificada" que tivesse porobjecto toda a realidade acessível ao homem e que se servisse de umúnico método de análise lógica. Nascia assim a EnciclopédiaInternacional da Ciência Unificada, que se começou a publicar emChicago em 1938 sob a direcção10de Neurath, Carnap e Morris e que publicou monografias assinadas porcientistas e filósofos de muitos países (Bohr, Dewey, Rougier,Reichenbach, Russell, Tarski, etc.). Apesar do valor de muitos doscontributos publicados na Enciclopédia, não nos devemos esquecer de queela mostra uma substancial diferença de opiniões sobre o próprio modode entender a unidade da ciência. Com efeito, esta unidade é aindacompreendida por Neurath no sentido clássico, como combinação dosresultados das várias ciências e tentativa de os reunir num sistemaaxiomático, único (Internat. Enc. of Un. Sc., 1, 1, 1938, p. 20). Éentendida por Dewey como uma exigência de estender o papel e a funçãoda ciência a todo o palco da vida (Ib., p. 33); para Russell,apresenta-se como "unidade de método"; para Carnap, comounidade formal que respeita às "relações, lógicas entre os termos e asleis dos vários ramos da ciência" (Ib., p. 49); para Morris, como "umaciência da ciência", isto é, implicando que tal unidade se verificasseno âmbito da semiótica, de que ele é defensor (Ib., p. 70). Por outrostermos, o próprio conceito da ciência unificada não se apresentasuficientemente unificado nos seus diversos defensores, que atribuem aessa expressão significados diversos e demonstram assim, de facto, oseu carácter utópico. Na realidade, o conceito de unidade da ciêncianão é um conceito científico mas sim filosófico que, portanto, acolhe erespeita a diversidade das filosofias.Mais do que unidade, pode-se falar legitimamente de "conexões" ourelações recíprocas entre as ciências; e tais conexões ou relaçõesconstituem11problemas filosóficos importantes aos quais se dedicam útilmente os
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