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O nu clássico espelha a representatividade estética da arte tradicional – oque é muito natural, já que o aparelho fotográfico descende da câmara escura dospintores –, no entanto, as primeiras manifestações da nudez na técnica recém-nascida não se encaixavam nesse perfil. Sendo a fotografia em sua alvoradaconsiderada uma arte menor – nos casos em que era considerada arte – osprimeiros nus tinham um caráter mais obsceno, senão pornográfico.É importante observar que tais conceitos de moralidade são bastantevariáveis. Na época Vitoriana
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, por exemplo, o ícone da obscenidade era mostrar ospêlos pubianos das modelos. De acordo com Di Ponio, naquele período havia umtabu contra a exposição da sexualidade, à qual a arte dava vazão – através da arte,era possível explorar o corpo humano sem necessariamente ter que tocá-lo
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.O próximo período da fotografia de nudez vem com o surgimento das
pin-ups
já no século XX. O termo inglês deriva da prática de pendurar calendáriosfotográficos na parede e designa fotos sensuais de modelos distribuídas em largaescala, que viraram ícones da cultura
pop
. Podem ser as fotografias de
glamour
deatrizes, amplamente difundidas ainda hoje pela indústria cinematográfica, ou aquelasimagens mais pictóricas de fetichismo distribuídas e comercializadas praticamenteem segredo. Nestas últimas, era freqüente o conteúdo de submissão e
bondage
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, ouso de acessórios sado-masoquistas e vestimentas incomuns para a época, comoespartilhos e saltos-altos.Nesta metade do século XX era possível observar a dicotomia do erotismosocialmente aceitável – os pôsteres de
glamour
cinematográficos – e do que eraconsiderado obsceno. Logo nas cenas iniciais do filme
The Notorious Bettie Page
–sobre a vida de uma das maiores modelos dos anos 1950, considerada a rainha das
pin-ups
– um homem de capa e chapéu pergunta ao jornaleiro: “Você tem algumacoisa diferente?”, que lhe responde: “Não entendi exatamente o que você quis dizer”enquanto instrui discretamente ao seu interlocutor para sussurrar. O homem, maisdiscretamente pergunta: “Você tem alguma coisa com calçados incomuns?
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”. O jornaleiro puxa o material escondido debaixo de seu balcão, revistas e fotografiasque não eram dignas de serem expostas com as outras publicações, mas que – a
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A partir da metade do século XIX.
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DI PONIO, Amanda.
Under the Guise of Art: Victorian aesthetic pornography.
Disponível em
www.dur.ac.uk/postgraduate.english/AmandaDiPonioArticleIssue14.pdf
Acesso em 17/04/2007.
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Tipo de fetichismo envolvendo a imobilização com amarras.
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”Do you have anything with unusual footwearing?”
, no original.
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