• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • CommentGo Back
 
 NUDEZ: HISTÓRIA E APLICABILIDADE NA FOTOGRAFIAPUBLICITÁRIA
1
 
Lucas de Moraes Martinez
2
 
RESUMO:
Este artigo procura dissociar erotismo de obscenidade, contextualizar o fetiche naatualidade e demonstrar de que forma a nudez pode ser aplicada em favor da seduçãopublicitária a partir da análise de aspectos históricos, culturais e semiológicos.
PALAVRAS-CHAVE:
Fotografia, Nudez, Fetiche, Publicidade.
ABSTRACT:
This article intends to tear apart erotism and obscenity, to contextualize fetish in ourtime and to demonstrate how nudity can be used in favor of advertising seduction from theanalysis of historical, cultural and semiologic aspects.
 KEY WORDS:
Photography, Nudity, Fetish, Advertising.
 ______________________ 
 A nudez simboliza o estado primitivo dahumanidade, o indivíduo retratado sem osmarcadores sociais ou hierárquicos que asroupas constituem.Hans Biedermann
3
 
1 ALGUNS ASPECTOS HISTÓRICOS
Desde o surgimento da fotografia e, de fato, desde o princípio da artepropriamente dita, a representação da forma humana total ou parcialmente nua é umtema onipresente. Já em 1850, alguns dagerreotipistas parisienses ficaramconhecidos por retratar a nudez.
1
Artigo de conclusão de curso de Graduação, sob orientação da Profª. Camila H. Gazal Fortaleza edo Prof. Dr. Heitor Romero Marques.
2
 
Graduando em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica DomBosco no ano de 2007. Contato: www.kucamoraes.com.br
 
3
 
apud 
 
COIMBRA, Rosa Lídia.
 
O nu na publicidade, estratégias pictóricas e discursivas.
in:FERREIRA, A. M. (coord.)
Percursos de Eros
(Actas do 9º Encontro de Estudos Portugueses).Aveiro: ALAEP/Universidade de Aveiro, 2003. p. 247-58.
 
 
 2
O nu clássico espelha a representatividade estética da arte tradicional – oque é muito natural, já que o aparelho fotográfico descende da câmara escura dospintores –, no entanto, as primeiras manifestações da nudez na técnica recém-nascida não se encaixavam nesse perfil. Sendo a fotografia em sua alvoradaconsiderada uma arte menor – nos casos em que era considerada arte – osprimeiros nus tinham um caráter mais obsceno, senão pornográfico.É importante observar que tais conceitos de moralidade são bastantevariáveis. Na época Vitoriana
4
, por exemplo, o ícone da obscenidade era mostrar ospêlos pubianos das modelos. De acordo com Di Ponio, naquele período havia umtabu contra a exposição da sexualidade, à qual a arte dava vazão – através da arte,era possível explorar o corpo humano sem necessariamente ter que tocá-lo
5
.O próximo período da fotografia de nudez vem com o surgimento das
 pin-ups
 já no século XX. O termo inglês deriva da prática de pendurar calendáriosfotográficos na parede e designa fotos sensuais de modelos distribuídas em largaescala, que viraram ícones da cultura
 pop
. Podem ser as fotografias de
glamour 
deatrizes, amplamente difundidas ainda hoje pela indústria cinematográfica, ou aquelasimagens mais pictóricas de fetichismo distribuídas e comercializadas praticamenteem segredo. Nestas últimas, era freqüente o conteúdo de submissão e
bondage
, ouso de acessórios sado-masoquistas e vestimentas incomuns para a época, comoespartilhos e saltos-altos.Nesta metade do século XX era possível observar a dicotomia do erotismosocialmente aceitável – os pôsteres de
glamour 
cinematográficos – e do que eraconsiderado obsceno. Logo nas cenas iniciais do filme
The Notorious Bettie Page
sobre a vida de uma das maiores modelos dos anos 1950, considerada a rainha das
 pin-ups
– um homem de capa e chapéu pergunta ao jornaleiro: “Você tem algumacoisa diferente?”, que lhe responde: “Não entendi exatamente o que você quis dizer”enquanto instrui discretamente ao seu interlocutor para sussurrar. O homem, maisdiscretamente pergunta: “Você tem alguma coisa com calçados incomuns?
7
”. O jornaleiro puxa o material escondido debaixo de seu balcão, revistas e fotografiasque não eram dignas de serem expostas com as outras publicações, mas que – a
4
A partir da metade do século XIX.
5
 
DI PONIO, Amanda.
 
Under the Guise of Art: Victorian aesthetic pornography.
Disponível em
www.dur.ac.uk/postgraduate.english/AmandaDiPonioArticleIssue14.pdf
Acesso em 17/04/2007.
 
6
 
Tipo de fetichismo envolvendo a imobilização com amarras.
7
 
”Do you have anything with unusual footwearing?” 
, no original.
 
 3
 julgar pela forma metódica como ocorre o diálogo – tinha uma clientela própria econstante.
8
 O estilo das
 pin-ups
contribuiu tanto para a
 pop-art 
quanto para a estéticade revistas masculinas como a
Playboy 
. Um ícone da cultura
 pin-up
que continuasendo lançado anualmente no mundo todo é o famoso calendário
Pirelli 
. Nessecontexto fica simples compreender a migração dessas imagens para a fotografiapublicitária, principalmente através da fotografia de moda. Cabral e Silva demarca asfases da estética dos editoriais de moda como
heroin chic 
, com seus olharesperdidos associados ao uso de drogas;
lesbian chic 
, em que se insinuava ohomossexualismo feminino; e o
 porn chic, termo
instituído para denominar o trabalho do fotógrafo Helmut Newton, quedesde a década de 1970 cria imagens fotográficas inspiradas num universode fetiche e concupiscência, que hoje são fonte de inspiração para muitosfotógrafos [...].
9
 
Dessa forma, a nudez – ou semi-nudez – está presente no universopublicitário a mais de meio século.
2 EROTISMO, FETICHE E OBSCENIDADE
A livre expressão da sexualidade é habitualmente confrontada comvalores morais. Porém, é fato incontestável que a moralidade é variável tanto emrelação ao tempo quanto à cultura, antropologicamente falando. Para construir aargumentação deste artigo, considera-se então a cultura global contemporânea,predominantemente ocidental e capitalista.A construção de todo o pensamento filosófico ocidental foi alicerçada nacultura helênica. Naquela civilização a nudez era encarada com naturalidade e, maisque isso, a beleza física era cultuada – os deuses e heróis eram frequentementerepresentados nus, conferindo um aspecto de divindade ao tônus corporal.Igualmente de origem grega é o conceito de erotismo. A palavra deriva donome de Eros, o deus do amor – Cupido para os romanos – que com suas flechasunia corações. Evoluiu do grego
ερωτικός 
(erotikós)
, passando pelo latim
eroticus,
8
HARRON, Mary
e
t al. The Notorious Bettie Page (video).
Direção de Mary Harron; Roteiro de MaryHarron e Guinevere Turner. EUA, 2006. DVD, HBO Films, 100 min.
9
 
CABRAL E SILVA, Viviane.
 
 A imagem erótica na fotografia de moda.
Disponível em
www.unifacs.br/anpap/autores/133.pdf
Acesso em 28/02/2007.
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...
You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...