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La Première Séance

La Première Séance

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Published by: Escola Brasileira Psicanálise Ebp Sp on Mar 20, 2013
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09/28/2013

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La Première Séance, filme de Gérard Miller
 
(Comentários na abertura do ano na EBP-SP, em 6/3/2013.)
 
Romildo do Rêgo Barros
 O documentário dirigido por Gérard Miller mantém do começo ao fim uma referênciaao teatro, lugar onde se representa, onde há uma realidade superposta, que nãoreproduz exatamente a realidade que por hipótese estaria por debaixo. A açãoteatral confronta necessariamente as duas realidades: a ficção teatral e a vida dosespectadores, e sem dúvida também a dos atores, diretores, músicos, etc. Como diz
o autor logo no início do filme: “nossa vida é um teatro, e o que se dá a ver e a ouvir não é a verdade”. Mais adiante ele usa a expressão “o avesso do seu própriodécor”, que supostamente é o que se busca ver em uma análise.
 Praticamente todos os testemunhos do filme falam da entrada em análise como umfranqueamento, uma ultrapassagem, que pode ser eventualmente ameaçadora: darum passo à frente, passar para o outro lado do espelho, oferecer-se para serescaneado, arriscar-se a ficar dependente, etc. O medo ou a tensão de que falamalguns dos entrevistados é um afeto de certa forma prévio ao trabalho analítico. É
algo como a “espera ansiosa” de que falava Freud.
 A realidade teatral informa também alguma coisa sobre essa outra realidade
 –
arealidade da vida, digamos para simplificar -, ou mesmo influi sobre ela, comoescreveu Aristóteles na sua Poética sobre as finalidades da tragédia: provocarcertos afetos no espectador, o medo e a piedade, que estão associados à catarse.Aristóteles explica a tragédia a partir dos seus efeitos. Não no pensamento ou emum aumento de saber (sobre o outro lado das coisas, por exemplo), mas através deuma transformação nos afetos. Isso tem a ver com uma palavra que é usada poralgumas pessoas no documentário: libération: libertação, seja de uma inibição, sejada angústia, ou mesmo libertação do eu, de si próprio. O efeito na vida é que a partirdesse ato o sujeito, que de resto continua a ser o mesmo de antes, como observaum dos entrevistados, passa a ousar um pouco mais. Ele passa a pôr em ato o queantes era apenas uma vontade ou uma fantasia.É um esquema não muito diferente da tragédia para Aristóteles:
algo vem de fora, do Outro (a ação e a narrativa teatral, ou uma interpretaçãopsicanalítica que localiza o desejo do sujeito);
a partir disso, um novo sentimento se apodera do sujeito (medo e piedade emAristóteles, sentimento de angústia ou delibertação nos nossos personagens);
finalmente, o sujeito tem acesso a um novo ato: catarse em Aristóteles, e, nonosso caso, algo que poderíamos chamar de não ceder no seu desejo.O que leva alguém a procurar um analista

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